CellOut: Esforçado, mas nem perto de atingir a sua proposta

Resenha - Superstar Prototype - CellOut

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 5

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Embora tenha sido um movimento de muito sucesso na década passada, o new metal não resistiu ao tempo e são poucas as bandas que restaram no cenário da música. O gênero, que revelou os seus principais expoentes nos Estados Unidos, viajou o mundo e serviu de inspiração até mesmo para os mais improváveis países europeus. No entanto, os suecos do CELLOUT não mostram a mesma competência dos norte-americanos e o álbum “Superstar Prototype” está muito distante de ser considerado uma obra verdadeiramente de impacto.
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Em atividade desde 2004, o CELLOUT tinha tudo para movimentar o cenário underground sueco com o seu primeiro álbum, que contou inclusive com a mixagem do renomado – e indicado ao Grammy – Ulrich Wild (PANTERA e DEFTONES). Entretanto, a ausência de composições nitidamente criativas em “Superstar Prototype” compromete demasiadamente o resultado do disco, que saiu na Europa via Nuerra Records. Percy Mejhagen (vocal e guitarra), Robert Monegrim (guitarra), Anders Sevebo (baixo) e Thomas Ohlsson (bateria) não propuseram absolutamente nada de novo para um gênero saturado e que já viu a ascensão e a queda de inúmeras bandas similares ao redor do mundo. De qualquer forma, o esforço do grupo para criar uma sonoridade própria é nítido, mas o repertório não chega nem perto de atingir a sua proposta.

Não há dúvidas de que o fator que compromete “Superstar Prototype” é a insistência do quarteto sueco em dar à sua música uma sonoridade claramente comercial. A faixa de abertura do álbum, intitulada “Dark Days”, poderia ser uma composição de destaque se não fosse o acento pop do seu refrão. As guitarras, que consistem a característica mais marcante do CELLOUT, aparecem bem em “All My Demons Inside”. A composição, que surge como o primeiro destaque da obra, possui uma aproximação mais clara ao metal alternativo de nomes como MACHINE HEAD, mas não desconsidera o quê comercial da sua antecessora. Para os fãs mais exigentes, essa preocupação do CELLOUT em agradar a todos é um obstáculo que o quarteto não supera em “Superstar Prototype”.

Na sequência, “The Gift” e “Flooded” exageram na sua pegada melódica/melancólica, mais ou menos em uma vertente que o LINKIN PARK vem abordando desde o início da sua carreira. Embora não possam ser rotuladas como músicas desprezíveis, a proposta do CELLOUT apenas não possui impacto suficiente para se sobressair às demais bandas do gênero. As músicas de “Superstar Prototype” soam muito bem – como a agressiva “Set Things Straight” – mas a escolha por elementos mais comerciais não caem com naturalidade, sobretudo para os fãs que já cansaram dessa repetição sonora e exaustiva. De qualquer modo, “Breathe” assume a dianteira com uma dose maior de agressividade e pode ser apontada como um verdadeiro destaque do álbum.

O restante de “Superstar Prototype” não deve impressionar ninguém. As músicas, que são diretas e não ultrapassam a média de quatro minutos, repetem as mesmas características do início da obra. Com uma cara típica do new metal americano, “Fake” soa melhor do que as faixas que a envolvem o encerramento do disco.

Em mais de quarenta minutos, o quarteto sueco não conseguiu proporcionar aos headbangers um disco interessante de new metal. O repertório do CELLOUT é coeso e bem apresentado, mas o pecado de não investir em uma sonoridade mais criativa – e com uma dose mais visível de personalidade – impossibilita que “Superstar Prototype” possua impacto junto ao público. Para resistir ao tempo, o quarteto sueco precisa trabalhar mais (e de uma forma diferente do que foi feito nesse ‘debut’ aqui).

Track-list:

01. Dark Days
02. All My Demons Inside
03. The Gift
04. Flooded
05. Set Things Straight
06. Blow
07. Breathe
08. As I Fall
09. Fake
10. In My Arms
11. The Tragedy in You

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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