O futuro do ANGRA parecia incerto após o fraco “Aurora Consurgens” (2006). A banda, que se envolveu em uma série de conflitos como seu ex-empresário, por pouco não encerrou as atividades. No entanto, quatro anos se passaram e o quinteto paulista – que repatriou o baterista Ricardo Confessori – deu a volta por cima. O ótimo “Aqua” remarca o território abandonado e coloca novamente o grupo entre os principais nomes do gênero que ajudou a construir vinte anos atrás.
Nota: 8 







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Embora tenha saído primeiramente em formato independente aqui no Brasil, “Aqua” conta com o suporte da JVC/Victor no Japão e da SPV/Steamhammer na Europa, onde o disco foi muito bem recebido até o momento. Na verdade, aqui o cenário não tem sido diferente. Os melhores momentos que marcaram a “nova” fase banda em “Rebirth” (2001) são reproduzidas nessa obra, que conta mais uma vez com a performance irrepreensível do vocalista Edu Falaschi. Os músicos, não só mais maduros no quesito técnico, esbanjam qualidade e criatividade no processo de composição do álbum. Não há dúvidas de que os quatro anos distante dos holofotes não comprometeram – e até contribuíram – para o resultado acima da média de “Aqua”.
Depois da curta e introdutória “Viderunt Te Aquae”, o disco abre com uma sequência verdadeiramente matadora, que desde “Holy Land” (1996) não se via em um trabalho do ANGRA. A rápida e certeira “Arising Thunder” pode ser considerada – e por que não – uma das melhores composições assinadas pela banda nos últimos dez anos. De outro lado, “Awake from Darkness” mostra o peso que a banda nunca abrir mão, assim como a cadenciada “Lease of Life”, que mostra como o grupo possui uma incrível capacidade de construir músicas mais densas e emotivas. No entanto, “The Rage of the Waters” retoma o peso do disco e certamente se sobressai como um outro destaque extremamente positivo da obra.
Embora possa parecer no disco sem muito brilho, “Spirit of the Air” é competente na sua proposta de unir as características da música brasileira às influências do metal progressivo, gênero que a banda vem explorando paulatinamente desde “Temple of Shadows” (2004). As mesmas referências se encontram em “Hollow”, só que com uma dose extra de peso por parte das guitarras – o que pode agradar (e muito) os fãs mais exigentes. A faixa, que não possui o mesmo impacto imediato das suas antecessoras, corre um pouco por fora para ser um dos destaques da obra, mesmo que sejam evidentes as suas qualidades.
Na sequência, “A Monster in Her Eyes” pode não chamar tanto a atenção em virtude do seu andamento denso e melancólico, mas “Weakness of a Man” mistura com maestria as influências da música brasileira em sua introdução e mostra um clima mais para cima, não melancólico como a anterior. De qualquer modo, as últimas faixas de “Aqua” não conseguem se sobressair ao trabalho apresentado na sua primeira metade, mas os fãs certamente encontrarão momentos interessantíssimos, sobretudo em “Ashes”, que relembra (e muito) as composições mais lentas (e de sucesso comercial) que o ANGRA escreveu no passado. Por fim, uma versão remixada de “Lease of Life” – que parece assumir a ponta como a música de trabalho – que não traz uma nova sonoridade, apenas uma edição mais exigente.
Não há dúvidas de que o ANGRA está de volta à vida, como a letra da clássica “Nova Era” sugere. As más impressões deixadas por “Aurora Consurgens” (2006) ficaram para trás e os próximos anos, a partir desse excelente “Aqua”, se mostram extremamente bem-vindos ao quinteto. Embora muitos insistam em não creditar a banda como ela merece, claramente não existe mais nada que o ANGRA precise provar. Os fãs que ainda não sabem disso vão abrir os olhos em “Aqua”.
Track-list:
01. Viderunt Te Aquae
02. Arising Thunder
03. Awake from Darkness
04. Lease of Life
05. The Rage of the Waters
06. Spirit of the Air
07. Hollow
08. A Monster in Her Eyes
09. Weakness of a Man
10. Ashes
11. Lease of Life (Remixed Version)
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Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
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