Marcando a volta da formação clássica do MR. BIG, “What If...” é o primeiro disco da banda em aproximadamente 10 anos – lançado no final de 2010, no Japão, e no início de 2011, no resto do mundo. Como os outros grandes conjuntos de hard rock que estão voltando, o MR. BIG tenta também regressar ao passado para trazer todas as sonoridades que compõem seu estilo. Assim, estão presentes o virtuosismo de Paul Gilbert, a habilidade de Billy Sheehan, a versatilidade de Eric Martin nos vocais e a precisão de Pat Torpey na bateria.
Nota: 8 







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“Stranger In My Life” é uma balada convencional, que peca por se basear apenas na voz de Eric Martin, sem o refino que diferencia o MR. BIG de outras bandas de rock. Por outro lado, “Once Upon A Time” traz peso nos instrumentos e um groove em seu andamento, resultando em uma faixa muito interessante, oposta à anteriormente mencionada. Na sequência, “As Far As I Can See” é outra faixa muito boa e traz um lado mais funky, coroado com um belo refrão, muito bem trabalhado e pegajoso.
“I Won’t Get In My Way” novamente investe em firulas de todos os músicos e, acelerando sobre a harmonia do refrão, cria um hard rock contemporâneo muito bem concebido. Paul Gilbert se rende a esse estilo ainda em “I Get The Feeling” que, com um vocal mais contido e cuidadoso de Eric, revisita também um pouco do blues.
“Still Ain’t Enough For Me” e “Around The World” são embaladas intensamente pela bateria e pelo baixo, sendo, na primeira, sucedidos por um vocal mais grave e rápido, e por uma série de improvisações, enquanto que, na segunda, a criatividade vai fluindo pelos instrumentos com a crescente faixa. Por fim, “Kill Me With A Kiss” encerra a audição reunindo, em uma faixa animada, o bom trabalho em equipe que a banda logra nessa reunião, com os instrumentistas, sem exceção, muito inspirados em uma canção bem intrincada.
Portanto, pode-se dizer que “What If...” é uma boa tentativa de reviver a glória do MR. BIG, sendo um lançamento que realmente nos reaproxima de tudo que o conjunto já buscou em sua bem sucedida carreira. No entanto, em determinados momentos, as canções excedem um pouco e parecem se tornar meras experimentações, com pouco compromisso com a melodia. Esse experimentalismo garante faixas muito distintas entre si e, por isso, o álbum não enjoa. Em contrapartida, nesses momentos, a banda foge um pouco do hard rock que o grupo mostrou saber fazer ao longo do tempo e em “All The Way Up” e “I Won’t Get In My Way”, por exemplo. Nas faixas em questão, percebe-se o vocalista à frente, enquanto os instrumentos o servem, enriquecendo a melodia. “As Far As I Can See” e “Once Upon A Time” são complexas, bem compostas, mas passam um pouco do ponto.
Apesar disso, esses aspectos levantados são também subjetivos, fruto de uma prévia expectativa ao se ter o álbum em mãos. É também compreensível tal posicionamento por parte dos músicos que, com mais bagagem acumulada ao longo desses anos de separação, têm agora um horizonte ainda maior para explorar. No geral, um grande disco, recomendado aos fãs do rock bem feito, que foge da mesmice. Boa sugestão para iniciar bem o ano de 2011.
Integrantes:
Eric Martin - vocais
Paul Gilbert - guitarra
Billy Sheehan - baixo
Pat Torpey - bateria
Faixas:
1. Undertow
2. American Beauty
3. Stranger in My Life
4. Nobody Takes The Blame
5. Still Ain't Enough For Me
6. Once Upon A Time
7. As Far As I Can See
8. All the Way Up
9. I Won't Get In My Way
10. Around The World
11. I Get The Feeling
12. Kill Me With A Kiss
Gravadora: Frontiers Records
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Felipe Kahan Bonato: Nascido em 88, há mais de 10 anos - por enquanto - escuta praticamente qualquer subgênero de rock e metal, explorando principalmente bandas mais desconhecidas. Teve contato tardio com a guitarra, seu instrumento preferido, optando então em seguir a carreira de Engenheiro de Produção e em contribuir esporadicamente com resenhas no Whiplash.
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