Em um cenário extremamente competitivo, são poucas as bandas que conseguem despontar de maneira sólida em nosso cenário underground. Com o álbum independente “Beneath the Surface”, os gaúchos da HOLINESS vão à contramão de todas as expectativas mais pessimistas. A banda, que mescla influências do metal melódico e do hard rock à sua proposta mais tradicional, mostra competência e desenvoltura para se inserir rapidamente entre os principais nomes do metal nacional.
Nota: 9 








O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Entre as características próprias da banda, os riffs de guitarra se mostram extremamente densos e pesados, sinalizando para um distanciamento do senso comum encontrado em meio às bandas europeias, exclusivamente de metal melódico. As outras influências do grupo, que ainda passeiam pelo metal gótico e, sobretudo, pelo hard rock, não fazem de “Beneath the Surface” um disco cansativo. Pelo contrário: o repertório do álbum evidencia a essência mais criativa do quinteto em cerca de quarenta minutos de música.
Depois da curta abertura “Rise”, o ‘debut’ dos gaúchos de Erechim mostra uma sequência destruidora e incomparável. De um lado, “The Truth” mostra eficiência através das suas guitarras pesadas e intensas, sem se aproximar das características mais atmosféricas do gótico. De outro, “What I Want” contém uma dose extra de melodia e velocidade, que se contrapõe ao conceito da faixa anterior – mas sem abrir mão das guitarras agressivas. O vocal de Stéfanie Schirmbeck é definitivamente a marca da HOLINESS – a cantora não abusa de agudos ou do estilo mais clássico de TARJA TURUNEN –, pois ela possui um estilo muito próprio e adequado para a proposta musical do grupo.
As cadenciadas “Higher” e “Waiting For a Change” mostram a versatilidade da banda em compor baladas. As duas faixas, que não abusam de climas atmosféricos ou emotivos, unem as citadas influências do hard rock ao que a banda possui de maior destaque em todo “Beneath the Surface” – as guitarras pesadas. No entanto, “Waitinf For a Change” se sobressai à anterior pelo refrão de qualidade acima da média. Na sequência, “Take Me Closer” é um heavy metal extremamente agressivo e se contrapõe às suas antecessoras. Embora a música não possua tanto brilho como as demais, as influências progressivas são revistas em “Mine”, que conta com um refrão marcante e ótimas melodias – outro destaque à parte.
Com a participação do tecladista convidado Fábio Laguna (HANGAR), a HOLINESS, da metade para o fim de “Beneath the Surface”, evidencia uma aproximação mais íntima com as referências do metal progressivo. A faixa ”Breath Time” possui ótimas quebradas de guitarra e os riffs intensos dão à composição uma mistura interessante, entre o estilo e agressividade mais crua. Por fim, o cover inusitado (para uma banda metálica) de “Uninvited” (ALANIS MORISSETTE) mostra como o quinteto gaúcho é capaz de reconstruir composições aparentemente distintas com a sua marca própria – os riffs pesados e um solo de guitarra.
Não há nenhum exagero em afirmar: a HOLINESS é uma das principais revelações do underground brasileiro em 2010. “Beneath the Surface” possui um repertório praticamente impecável e com muito brilho em sua apresentação (mixagem/masterização). A voz de Stéfanie Schirmbeck, frente às guitarras pesadas do quinteto gaúcho, compõe o diferencial do grupo em comparação aos demais nomes do gênero. Certamente, um segundo álbum como esse e uma sequência de shows pelo país darão visibilidade e reconhecimento a essa surpresa recente do cenário metálico brasileiro.
Site: www.myspace.com/officialholiness
Track-list:
01. Rise
02. The Truth
03. What I Want
04. Higher
05. Waiting For a Change
06. Take Me Closer
07. Mine
08. Into the Light
09. Breath in Time
10. Uninvited
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Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
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