Misturar música com religião é um terreno perigoso. Pensando bem, misturar qualquer coisa com religião é sempre delicado. Imagine então uma banda israelense que fala abertamente em suas letras sobre os conflitos religiosos que desde a criação do moderno estado de Israel, em 14 de maio de 1948, tornaram a região uma das mais instáveis do planeta.
Nota: 9 








O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Produzido por Steven Wilson, líder e mente criativa por trás do Porcupine Tree, o disco é uma obra de arte inquestionável e inequívoca. Suas quinze faixas são quinze jóias musiciais ricas em detalhes, que pegam elementos dos mais variados gêneros do heavy metal e os unem como peças de Lego na construção de uma sonoridade cativante e repleta de personalidade.
"The Never Ending Way of ORwarriOR" fala da eterna luta entre a luz e a escuridão - “ORwarriOR” significa "Guerreiro da Luz". O disco é dividido em três partes: “Godfrey´s Cordial: An ORphan´s Life”, “Lips Acquire Stains: The WarriOR Awakens” e “Barakah: Enlightening the Cimmerian”. O trabalho abre com seu primeiro single, a excelente “Sapari”, que traz elementos caraterísticos da música árabe e conta com os ótimos vocais femininos de Shlomit, que se contrapõe de maneira iluminada ao timbre de Kobi.
“From Broken Vessels” conta com vocais guturais e passagens repletas de melodia, além de um longo trecho instrumental que mostra toda a classe do conjunto, mesclando o peso do metal a instrumentos típicos. Os destaques seguem aos montes: “Treading Through Darkness” progride em caminhos inovadores, enquanto “The Pilgrimage to Or Shalem” descarrega avalanches de melodia sobre o ouvinte e conta com um solo de guitarra absolutamente celestial!
“The Warrior” mais uma vez traz a voz iluminada de Shlomit Levi ao lado dos vocais de Kobi Farhi, em um resultado final muito bonito. O aspecto étnico e folclórico da música do Orphaned Land é protagonista de “Disciples of the Sacred Oath II”, enquanto “New Jerusalem” nos transporta para as longas jornadas do povo judeu em busca da terra prometida. Ótimas melodias permeiam a pesadíssima “Barakah” e “Codeword: Uprising”. Já “In Thy Never Ending Way (Epilogue)” é um encerramento belíssimo para um disco sensacional!
Lançado originalmente em 25 de janeiro de 2010, "The Never Ending Way of ORwarrioOR" chega ao Brasil via Shinigami Records. O disco teve ótima repercussão tanto por parte da crítica especializada quanto pelos fãs, e levou a banda a abrir os shows do Metallica em Israel em 22 de maio último e a tocar na edição 2011 do maior festival de heavy metal do planeta, o Wacken Open Air, conquistas essas mais do que merecidas. Um dos melhores álbuns do ano, e um sucessor digno do também excelente "Mabool: The Story of the Three Sons of Seven", de 2004.
Que venham mais obras de arte como essa!
Faixas:
Part I: Godfrey's Cordial – An ORphan's Life
1 Sapari 4:03
2 From Broken Vessels 7:36
3 Bereft in the Abyss 2:44
4 The Path Part 1 – Treading Through Darkness 7:26
5 The Path Part 2 – The Pilgrimage to Or Shalem 7:45
6 Olat Ha'tamid 2:38
Part II: Lips Acquire Stains – The WarriOR Awakens
7 The Warrior 7:11
8 His Leaf Shall Not Wither 2:31
9 Disciples of the Sacred Oath II 8:30
10 New Jerusalem 6:59
11 Vayehi Or 2:40
12 M I ? 3:27
Part III: Barakah – Enlightening the Cimmerian
13 Barakah 4:13
14 Codeword: Uprising 5:24
15 In Thy Never Ending Way (Epilogue) 5:09
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Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.
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