Doors: improvisando, agredindo e gerando polêmica

Resenha - Absolutely Live - Doors

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Por Luis Fábio Pucci
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Nos últimos anos, uma enxurrada de gravações ao vivo do The Doors inundou o mercado. Muitas delas com shows decentemente masterizados, mas com Morrison bem baleado nos vocais, por conta do álcool e/ou drogas. Outros nem tão bem gravados, como “Live at Matrix 67”, mas que valem como documento histórico.
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Entretanto, na época que a banda estava na ativa o único álbum oficial foi “Absolutely Live”, lançado em 1970. E ele capta com muita perfeição o que a banda era ao vivo, improvisando, agredindo e gerando polêmica no palco, mostrando porque Morrisson é uma das maiores legendas da história do rock.

Esse disco tem a capa original que vemos aqui, na versão vinil, em álbum de capa dupla. É essa também a capa do vinil de 180 gramas relançado. Já a versão em CD traz uma outra capa.

Apesar de ser um mix de performances diferentes, o então produtor da banda, Paul Rotchild, se esforçou por colocar o que tinha de melhor em suas gravações feitas ao vivo com a banda, tomadas ao longo da turnê de 1970. Porém, em alguns pontos, uma mesma música tem cortes de dois shows diferentes.

É bom avisar que aqui você não vai encontrar todos os clássicos do Doors. Isso pode não ser bom para um iniciante em Doors. Mas não importará para quem já conhece bem a banda, pois o que vale aqui é o registro do grupo em seus melhores momentos, fazendo o que seu legado aponta: tocar ao vivo.

Por conta disso é que muitos recomendam comprar o CD “In Concert”, que traz esse álbum e mais dois registros ao vivo: "Alive She Cried" e "Live At The Hollywood Bowl". Pode até ser, do ponto de vista monetário, mas os outros dois shows não são marcantes como esta compilação e você vai perder o trabalho gráfico original da capa dupla, tal como saiu em 1970, com o destaque visual de sempre dado para Morrison, que ajudava a vender mais e era a imagem da banda em pessoa.

Em “Absolutely Live”, Paul Rotchild aproveitou takes de registros pela tour americana, especialmente Detroit, Philadelphia e Boston. Recentemente alguns desses shows foram lançados na íntegra e podem ser agora encontrados em CD. Mas a idéia naquele momento foi fazer, segundo sua visão, um show perfeito do Doors, coisa que demandava mesmo uma edição, pois Morrison fazia com que a banda tivesse performances irregulares, seja por conta de esquecer trechos das letras, seja por estar drogado, seja por estar improvisando, por resolver conversar (leia-se brigar) com a platéia ou mesmo por um mix disso, e tudo no mesmo dia!

O disco foi lançado em julho de 1970 entre os seus dois últimos álbuns de estúdio "Morrison Hotel" e "L.A. Woman". Portanto, trata-se de registro de sua última fase como banda, já que Morrison morreria logo depois do lançamento do último disco citado.

Para justificar por que não vemos aqui uma lista de seus sucessos apenas, como talvez faria uma outra banda ao lançar um disco ao vivo, devemos lembrar que Doors era um grupo imprevisível, que não gostava de tocar sempre o mesmo setlist em seus shows. Mudavam tudo sempre que possível, muitas vezes escolhendo durante o show, de acordo com a reação da platéia e do estado dos elementos do grupo. Cansaram de fazer shows no mesmo dia e que tinham diferentes setlists. Além do mais, os hits, naquele momento, já tinham sido bem explorados pelos discos de estúdio e pelos compactos (singles) e a gravadora optou por inovar mais.

Aqui eles começam com a explosiva "Who Do You Love" para depois mudar para "Loves Hides", uma curta porém interessante música não disponível nos álbuns de estúdio. Também inédita em estúdio é "Universal Mind", que sobrou das sessões de gravação do disco "Waiting for the Sun".

O disco tem vários medleys, o que pode irritar quem é iniciante como ouvinte da banda. Mas os fãs veteranos já sabem que eles adoravam fazer isso ao vivo e que outros shows ao vivo também trazem esse estilo.

"The Celebration of the Lizard" aparece no seu longo e duradouro formato. Essa é a música que tem trechos impressos no álbum "Waitin for the Sun", já que “Not to touch the Earth" era parte dela.

O tecladista Ray Manzarek canta o clásisco de Willy Dixon "Close to You". Aliás, Ray cantou todo o setlist em alguns shows nos quais Morrisson não apareceu ou não estava em condições de sobriedade para subir no palco. Era sempre o Plano B da banda para não deixar a platéia voltar para casa sem ver The Doors.

Também vamos ver uma versão quase heavy metal para "Break on Through (To the other side)", com a guitarrra de Robbie Krieger. "Soul Kitchen" também arrasa no encerramento.

E o som da platéia está lá, e como protagonista e não como zumbi (coisa comum nos shows pasteurizados da maioria das bandas atuais). Podemos aqui ouvir o tumulto lá embaixo (particularmente bem claro é uma briga no meio da platéia durante uma das músicas) e um ou outro pedindo determinada música para a banda tocar (coisa que muitas vezes eles faziam mesmo).

Esse é um álbum em que Morrison está na sua melhor forma e voz. Lógico que em parte devemos isso à estratégia da edição dos melhores momentos, mas quem já ouviu o show na íntegra de Boston, por exemplo, sabe que com Morrison num dia ruim a banda vale pouco. Você vai poder reclamar da falta de hits como “Light my Fire” ou outras tantas, mas se quer um greatest hits é melhor comprar outro disco.

Observe bem: essa é a banda que fez a transição do rock típico dos anos 1960 para o rock dos anos 1970. Barulhento, mal comportado, politicamente incorreto mas engajado, revolucionário e fora do controle do sistema. The Doors bangunçou a ordem na música e no show business e estavam à frente do seu tempo. E pagaram o preço, já que foram discriminados na época por isso (inclusive banidos da TV depois da lendária apresentação no Ed Sullivan Show) e até mesmo processados por encrencas que geraram nos shows.

Mas o tempo mostrou que é o que é bom não se apaga. Ninguém tocou mais rock de terno e gravata depois deles. Morrison, em especial, era o protótipo do Punk e do Heavy Metal, o badguy sexy e incorreto que inaugurou a onda de cantar no meio do público, xingar a platéia, desprezar a mídia e que nem mesmo se levava a sério. Poesia e música, vida e morte numa única banda. Sem eles, o rock não seria como o conhecemos hoje.

Disco 1
1. Who Do You Love
2. Medley: Alabama Song / Backdoor Song / Love Hides / Five To One
3. Build Me A Woman
4. When The Music's Over

Disco 2
1. Close To You
2. Medley: Universal Mind /Petition The Lord With Prayer
3. Medley: Dead Cats, Dead Rats / Break On Thru #2
4. The Celebration Of The Lizard
5. Soul Kitchen

Formação:
Jim Morrison - vocais
Ray Manzarek – órgão, teclado e back vocal (vocais em "Close To You")
Robby Krieger - guitarra
John Densmore - bateria

Bibliografia:
http://www.thedoors.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/Absolutely_Live
Livro: “The Doors por The Doors”. Autor: B.F. Torres, 2009.
Filme: The Doors, por Oliver Stone, 1991.

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