Resenha - Permanent Waves - Rush

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Resenha - Permanent Waves - Rush


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O Rush talvez seja o power trio mais famoso da história do rock. Se não o mais famoso, pelo menos é o de maior sucesso comercial, com certeza. E o mais interessante: sem nunca ter feito concessões, nem se vendido ou se tornado comercial. Seu grande êxito se deu graças à sua extremamente fiel legião de fãs espalhada ao redor do mundo, inclusive dentro do próprio meio musical, tudo muito bem demonstrado no documentário “Beyond the Lighted Stage”. Você que é fã do trio se lembra de como foi seu primeiro contato com o som do grupo?

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Com certeza, para a grande maioria dos fãs brasileiros na casa dos trinta e poucos anos, o primeiro contato, mesmo que extremamente involuntário, aconteceu com a infame vinheta com que a Rede Globo anunciava o início de cada episódio da série “MacGyver” (aqui, “Profissão: Perigo”), onde se ouviam os acordes iniciais da antológica “Tom Sawyer” – abertura aliás que nada tinha a ver com a original norte-americana, muito menos a canção do Rush.

Fora essa experiência citada, lembro-me que meu primeiro contato de verdade com alguma música dos canadenses se deu na casa do grande amigo Giuliano (hoje vocalista e baixista do Recordando o Vale das Maçãs). Ele tinha em suas mãos duas fitas cassetes que seu professor de contrabaixo havia lhe gravado, contendo os álbuns “Permanent Waves” e “Moving Pictures”. Lembro exatamente que a primeira música que ouvi foi “The Spirit Of Radio”, e enquanto tentava assimilar o que ouvia, Giuliano dizia “esses caras são criativos demais...”. Para o moleque que na época só ouvia Queen, Van Halen, Iron Maiden e Scorpions, aquele som parecia meio difícil de digerir – tantos arranjos diferentes, aquelas letras e títulos complexos, que falavam sobre livre arbítrio, a escadaria de Jacó... Mas continuei ouvindo junto ao amigo, e não demorou muito tempo até que estivesse idolatrando o grupo.

E eis que este primeiro álbum que ouvi do Rush está completando trinta anos de seu lançamento – apesar de a historinha acima ter acontecido alguns bons anos depois... Como uma singela homenagem ao disco que me introduziu ao maravilhoso universo do grupo, venho recordar junto aos internautas faixa a faixa deste que é, sem dúvidas, um dos melhores trabalhos de sua carreira.

No final da década de 1970 o Rush se encontrava numa verdadeira encruzilhada: embora gozassem de prestígio cada vez maior, os excessos do rock progressivo eram vistos com péssimos olhos pela indústria musical e pela mídia. Mesmo tendo construído sua carreira e imagem alheios a estes fatores, o trio mesmo se demonstrava insatisfeito com os rumos que suas composições estavam tomando. Seu último trabalho, “Hemispheres”, levou tanto tempo para ser composto e gravado que quase acabou ficando sem vocais, gravados meio “às pressas”, após os três terem passado um tempo enorme esmerando seus arranjos intrincados.

Nessa mesma época, outro power trio ganhava cada vez mais espaço na mídia e elogios da crítica especializada, o The Police. Sua mistura de rock, ska e reggae fazia muito sucesso, e os canadenses não passaram incólumes ao seu sucesso – Neil Peart mais assumidamente, dizia-se grande fã. Assim, “Permanente Waves”, produzido pelo então fiel escudeiro Terry Brown, mostra exatamente o período de transição entre o rock progressivo setentista e o som influenciado pelo new wave que viria a ser demonstrado pelo Rush nos trabalhos pós “Moving Picutres”. Aliás, o som apresentando nestes dois álbuns de 1980 e 1981 é uma mistura tida por muitos como a melhor fase do grupo.

Logo na abertura, a excepcional “The Spirit Of Radio” que, após a ótima introdução na guitarra de Alex Lifeson, traz algumas dobradas de baixo e guitarra de tirar o fôlego, sempre acompanhados pela bateria indefectível de Neil Peart. Em seu andamento, percebemos uma canção de astral elevado, uma levada empolgante, variações de ritmos (com direito até a uma passagem reggae antes do solo de guitarra, citando claramente o The Police). Até hoje é presença obrigatória nos shows do trio, e continua como uma de suas melhores composições.

A segunda faixa é nada mais nada menos que “Freewill”, tema de arranjos intrincados, com mais uma belíssima letra composta por Peart, que fala sobre o livre arbítrio e a liberdade de escolhas das pessoas (“se você escolher não se decidir, ainda assim fez uma escolha”). O momento mais festejado pelos fãs nas apresentações ao vivo deste tema fica por conta do solo, onde os três músicos praticamente solam ao mesmo tempo. Outra presença obrigatória até hoje em seus shows.

Encerrando o lado A do vinil, vinha “Jacob’s Ladder”, que com seus mais de sete minutos mostra o trio retomando as origens de rock progressivo. Após o clima criado na introdução com Geddy Lee passeando pelos teclados e cantando em um tom mais sombrio, temos Lifeson dando um show nas guitarras com seus riffs e solos, até que a música volta aos teclados (com Lee agora no Moog) e Neil Peart tocando os mais diversos itens da enorme percussão que rodeava sua bateria.

Virando o disco, “Entre Nous” é mais uma grande canção que fala sobre relações pessoais e as diferenças entre as pessoas. Uma boa introdução, com o Moog sempre presente de Lee entre os arpeggios de Lifeson e a bateria de Peart. O refrão com belos acordes no violão de 12 cordas demonstra toda a versatilidade e criatividade de Lifeson no período – uma ótima versão ao vivo está contida no CD e DVD “Snakes and Arrows Live”. A subestimada “Different Strings” é a música mais calma e intimista do álbum, merecendo uma audição mais cuidadosa para apreciá-la – muitos fãs costumam pular este tema, pois querem ver o trio “descendo a lenha”.

Encerrando tudo, temos a fantástica “Natural Science”, com certeza a faixa mais progressiva e a que mais lembra o Rush dos álbuns anteriores a este. Dividida em três temas diferentes (“Tide Pools”, “Hyperspace” e “Permanent Waves”, de onde saiu o título do disco), o trio aqui despeja toda a sua energia e fecha com chave de ouro este trabalho marcante, que caiu nas graças do grande público, abrindo mais espaço na mídia para os canadenses, ficando entre os dez álbuns mais vendidos da Billboard naquele ano e ganhando disco de platina pela RIAA (órgão norte-americano responsável pelas gravadoras). Foi “top ten” também no Reino Unido e em diversos outros países mundo afora.

Absolutamente indispensável aos fãs de boa música.

1. The Spirit of Radio 4:57
2. Freewill 5:23
3. Jacob's Ladder 7:28
4. Entre Nous 4:37
5. Different Strings 3:49
6. Natural Science 9:16
o Tide Pools 2:21
o Hyperspace 2:47
o Permanent Waves 4:08

Produzido por Rush e Terry Brown

Geddy Lee: Baixo, sintetizador polifônico Oberheim, sintetizador OB-1, Mini Moog, pedais Taurus, vocais.

Alex Lifeson: Guitarras e violões de 6 e 12 cordas, pedais Taurus.

Neil Peart: Bateria, tímpanos, timbales, sinos de orquestra, sinos tubulares, carrilhão, sinos, triângulo, crótalos.

Hugh Syme: Teclado em "Different Strings"; capa e direção de arte.

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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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