Destruction: registro de valor histórico e definitivo

Resenha - A Savage Symphony: The History of Annihilation - Destruction

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Em comemoração ao seu 25º aniversário, os alemães do DESTRUCTION prepararam um show especial para o Wacken Open Air 2007. A apresentação, que contou com diversas participações especiais, ganhou uma boa quantidade de material extra e chega às lojas brasileiras sob o título “A Savage Symphony: The History of Annihilation”. Certamente, esse é o registro de maior valor histórico e definitivo de um dos maiores expoentes do thrash metal germânico.
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Embora ainda seja uma banda com identificação underground, Schmier (vocal/baixo), Mike (guitarra) e Marc Reign (bateria) trouxeram para o palco principal do Wacken um espetáculo verdadeiramente grandioso. Além do “mascote” Mad Butcher, explosões e labaredas complementaram o cenário baseado no então recente álbum “Inventor of Evil” (2005). No repertório, uma interessante mistura entre os maiores clássicos assinados na década de oitenta e as novas (e claramente potentes) composições do DESTRUCTION.

Com o sol ainda forte em meio ao verão europeu, o trio germânico iniciou a sua apresentação com a recente “The Butcher Strikes Back” e com a matadora “Curse the Gods”: duas composições simplesmente perfeitas para serem executadas ao vivo. O disco “Thrash Anthems” (2007) – que trouxe faixas mais antigas do DESTRUCTION em uma roupagem atual e mais pesada – parece ser um divisor de águas na carreira da banda. Os novos arranjos de “Mad Butcher” e “Life Without a Sense” mostram como o instrumental mais intenso é extremamente coerente com a proposta thrash/speed.

No entanto, o primeiro momento ímpar do show é com “The Alliance of Hellhoundz”. Schmier chamou para o palco Bobby Blitz (OVERKILL), Tom Angelripper (SODOM) e Peavy Wagner (RAGE) – entre outros nomes de menor expressão do cenário alemão – para dividir os vocais da faixa originalmente presente em “Inventor of Evil” (2005). Embora não seja uma música de destaque dentro do repertório do grupo – como são, por exemplo, “Nailed to the Cross” e “Soul Collector” – a composição (nova para a época) ganhou uma áurea totalmente diferente e muito mais bacana nesse espetáculo.

Os efeitos de zoom/stop motion – utilizados de maneira muitíssimo bem encaixada com as características melódicas do set – evidenciam o verdadeiro cuidado que a banda teve no processo de edição/finalização de “A Savage Symphony: The History of Annihilation”. Do mesmo modo, a qualidade inquestionável do áudio se mostra claramente a partir de “Antichrist” – quando o DESTRUCTION traz para o palco os ex-integrantes Olli Kaiser e Sven Vormann. Com essa formação inusitada (de três bateristas), Schmier e Mike comandaram os seus antigos membros em “Reject Emotions” e “Thrash Til Death”, que fizeram um contraponto entre o passado e o presente do conjunto.

Entretanto, o momento de maior destaque é a sequência das últimas três músicas. Nas clássicas “Total Disaster”, “Eternal Ban” e “Bestial Invasion”, o trio alemão convidou para subir ao palco Harry Wilckens (ex-guitarrista) e Tommy Sandmann (ex-baterista). Com Vormann e Kaiser em cena ainda, o DESTRUCTION executou duas das faixas mais importantes da sua carreira com a participação de todos os ex-membros da banda. Em 1h10 de show, um dos maiores expoentes do thrash alemão mostrou muita competência e carisma. Não há dúvidas: um espetáculo verdadeiramente merecedor de um DVD.

Como material extra, o documentário “The History of Annihilation” é que mais se sobressai de maneira positiva. Com entrevistas de todos os membros e ex-membros, Schmier & Cia. reconstroem toda a trajetória do DESTRUCTION, desde o seu início em 1982. É bastante curioso conhecer a região alemã tranquila em que surgiu uma banda tão agressiva, assim como a influência tão determinante do MOTORHEAD para os primeiros passos do trio. De outro lado, o errôneo rótulo de punk/rock – determinado por uma gravadora de Berlim e odiado intensamente na época – é motivo de sorrisos e piadas no DVD.

Embora não traga uma quantidade imponente de material ilustrativo – como shows e vídeos antigos – o documentário é extremamente valioso por explicitar o direcionamento verdadeiramente profissional assumido pelo DESTRUCTION a partir do álbum “Eternal Devastation” (1986). Em contrapartida, os conflitos internos e as diferenças musicais que afastaram Schmier (um cara espantosamente tímido e tranquilo frente às câmeras) na década de noventa são relembrados com certa melancolia pelos membros da época.

O caráter especial e definitivo de “A Savage Symphony: The History of Annihilation” é comprovado com a inclusão de cinco videoclipes, assim como de pequenos registros de bastidores do DESTRUCTION em turnê. O conteúdo do DVD é complementado com um CD ao vivo – que traz a maioria do repertório apresentado no Wacken 2007 acrescido de outras composições registradas no Japão – que fazem parte do disco “The Curse of the Antichrist – Live in Agony” (2009). Entre as faixas “inéditas”, “Metal Discharge” e “Vicious Circle - The 7 Deadly Sins” exemplificam o entusiasmo do trio germânico em cima do palco.

DVD:
01. Intro
02. The Butcher Strikes Back
03. Curse the Gods
04. Nailed to the Cross
05. Mad Butcher
06. The Alliance of Hellhoundz
07. Soul Collector
08. Deathtrap/Unconscious Ruins
09. Life Without Sense
10. Antichrist
11. Reject Emotions
12. Thrash Til Death
13. Total Disaster
14. Eternal Ban
15. Bestial Invasion

CD:
01. The Butcher Strikes Back
02. Curse the Gods
03. Nailed to the Cross
04. Mad Butcher
05. The Alliance of Hellhoundz
06. Devolution
07. Urge the Greed of Gain
08. Metal Discharge
09. The Damned
10. Cracked Brain
11. Soul Collector
12. Vicious Circle - The 7 Deadly Sins
13. Antichrist
14. Reject Emotions
15. Thrash Til Death
16. Total Disaster
17. Bestial Invasion

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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