Resenha - Final Frontier - Iron Maiden

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Resenha - Final Frontier - Iron Maiden


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Quem disse que o Iron Maiden, nos últimos álbuns, está investindo em rock progressivo? Ninguém! Bem, ao menos ninguém formulou exatamente essa sentença. Mas, o que se tem lido nas resenhas feitas sobre o último álbum da banda, “The Final Frontier’, recém-lançado, é algo seguramente muito próximo a isto: “O Iron Maiden está fazendo rock progressivo”.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O rock progressivo, na música do Iron Maiden, está restrito nas influências musicais de alguns membros da banda. Ponto final! O fato de Dave Murray e Steve Harris, por exemplo, terem crescido escutando bandas de rock progressivo, não significa, exatamente, que cada frase que sair de seus instrumentos vai soar como rock progressivo. Não!

As pessoas, resenhistas, fãs, jornalistas, olham para a duração de algumas canções do novo álbum e logo soltam essas idéias a respeito de Iron Maiden ter feito um trabalho calcado em idéias do rock progressivo. Eu, quando fiz minha resenha de “The Final Frontier”, disse, enquanto falava de “The Talisman”, uma das canções do álbum: “O ritmo segue um tanto quebrado, com as influências de rock progressivo que quase todos os membros da banda dizem ter”.

Explicando: eu me referi às influências do gênero rock progressivo que aparecem em alguns momentos do álbum, não que as músicas seguem a linha do estilo. Se as músicas fossem edificadas em três acordes, eu provavelmente faria uma menção ao punk rock.

Sim, estão lá as mudanças de tempo repentinas, as passagens viajantes, as canções longas, etc, mas é muito pouco para dizer que as músicas saíram em moldes do rock progressivo, muito pouco para dizer “(...)cada vez mais o Maiden se aproxima de bandas como Dream Theater e, até certo ponto, Rush(...)”, como disse Rafael Correa, em um ótimo texto publicado aqui no Whiplash!, no qual ele traça um interessante paralelo entre “The Final Frontier”, de 2010, e “Iron Maiden”, primeiro disco da banda lançado há exatos 30 anos.

Dizer que o Maiden está se aproximando do Dream Theater é um absurdo, é querer fazer uma ligação mal-sucedida entre Sex Pistols e Queens Of The Stone Age, entre Nirvana e Sepultura, . Se colocarmos canções do Dream Theater, como “A Change Of Seasons”, “The Great Debate”, “Beyond This Life” ou “Lines In The Sand” ao lado de canções dos últimos anos do Maiden, como “The Talisman”, “Paschendale”, “Brighter Than A Thousand Suns” ou “The Nomad”, a diferença é nítida, gritante! E, sem querer, em momento algum, desmerecer o Iron Maiden, se compararmos o trabalho do Dream Theater com o do Maiden, estaremos falando em “trabalho de gênio” versus “trabalho de criança”. Simplesmente porque não tem semelhança, porque as propostas das duas bandas estão tão afastadas quanto Plutão está afastado do Sol. Um é congelado e o outro é fervente...

A canção mais complexa do Iron Maiden não consegue ser mais técnica que a música mais simples do Dream Theater.

O Iron Maiden pode se dar muito bem dentro de sua proposta: heavy metal tradicional. E a banda não se afasta consideravelmente dessa fronteira quando ousa um pouco e lança uma canção de 10 minutos. É apenas uma canção longa! São apenas mudanças repentinas de tempo, como já apareciam em “Remember Tomorrow”, de 1980, em “Rime Of The Ancient Mariner”, de 1984, em “Alexander The Great”, em 1986, etc. É pouco ou nada para se dizer: “O Iron Maiden está fazendo um som muito próximo do que notáveis bandas praticandes de rock progressivo fazem”.

Mike Portnoy, baterista do Dream Theater, em recente entrevista, descreveu o que é o rock progressivo: “A música progressiva é geralmente definida pela ênfase dada ao músico, músicas longas, arranjos não tradicionais, longas partes instrumentais e também a exploração de vários estilos musicais.”. O Iron Maiden só se encaixa nessa descrição no quesito “músicas longas”. Só! Ponto!

Além disso, o Iron Maiden nunca explorou outros estilos musicais que saíssem dos moldes hard/heavy, nunca transcendeu notadamente a sua proposta. O Iron Maiden nunca explorou arranjos inusitados. O Iron Maiden não é, por mais competentes que seus músicos sejam, uma banda virtuosa, técnica. Os músicos do Iron Maiden não são acadêmicos, não passaram por um estudo sistemático de teoria musical. Eles conhecem suas limitações, aceitam as suas limitações e são felizes e bem sucedidos dentro de sua proposta.

Se músicas longas são sinônimo de rock progressivo, se passagens diferentes dentro de uma mesma música são indícios de rock progressivo, então o Guns N´Roses também investiu no gênero, já que a banda possui, em seu repertório, canções longas como “November Rain”, “Roquet Queen”, “Coma”, “Estranged”, “Locomotive“. O Metallica também fez rock progressivo em seus álbuns, já que eles possuem, também, canções longas como “Suicide And Redemption”, “To Live Is To Die”, “Orion”, “The Call Of Ktulu”, etc. É um equívoco, senhores! Um equívoco!

Nem mesmo o Savatage, banda com músicos um tanto técnicos, banda que possui suas rock operas, que é cheia de quebras de tempo e explorações musicais inusitadas em suas canções pode ser rotulada estritamente como uma banda de rock progressivo.

Eu tinha ebulições de fúria e gastrite nervosa quando lia Dave Murray, quando entrevistado antes do lançamento de “A Matter Of Life And Death”, em 2006, falando do quanto a banda tinha pendido para o lado do rock progressivo. Por favor, Dave! Rock progressivo, como você bem conhece e tanto ouviu em sua vida, é Yes, Genesis, Jethro Tull, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, etc. Além disso, caro Dave, “A Matter...” é um puta álbum chato e sem identidade.

“The Final Frontier” é um ótimo álbum. É o melhor da década ao lado de “Brave New World (2000)”. Infinitamente superior a “Dance Of Death” (2003) e “A Matter of Life And Death”. É um disco equilibrado, inspirado, com criatividade e identidade. Um disco que não tentou trazer algo inusitado – entrando, assim, numa roubada – nem algo que resgatasse suas origens oitentistas – podendo, assim, ser rotulado como auto-plágio.

Pra finalizar e resumir, colocar o rock progressivo dentro do último álbum do Iron Maiden pode ser muito perigoso e gerar confusão. Falar que o disco possui influencias de rock progressivo aqui e acolá é uma coisa. Outra, bem diferente, equivocada e perigosa, é dizer que o Maiden está com seu som aproximado ao trabalho de gigantes geniais do rock progressivo.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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