Resenha - Final Frontier - Iron Maiden

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Resenha - Final Frontier - Iron Maiden


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Desde que o Iron Maiden anunciou seu novo álbum de estúdio, intitulado “The Final Frontier”, para o segundo semestre de 2010, e, especialmente, após ler todas as resenhas feitas por jornalistas que ouviram o novo trabalho da banda, eu fiquei como uma criança que não pode esperar o Natal chegar para abrir seus presentes. Garimpei a Internet, garimpei programas de compartilhamento de arquivos e nada do novo do Iron Maiden vazar. Mesmo estando certo que vou comprar o álbum após seu lançamento oficial – tenho tudo do Maiden numa prateleira, tudo original, esse não poderia faltar! –, a curiosidade para ouvir o trabalho era imensa. A data anunciada para o lançamento do disco é 16 de agosto, e há dois, três meses, isso era uma eternidade – bem, ainda hoje, a menos de uma semana do dia, ainda é uma espera desagradável...

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A ansiedade ficou ainda maior após a banda liberar para download, em seu site oficial, o primeiro single do álbum, “El Dorado”. E, há mais ou menos um mês, o grupo também disponibilizou na rede o seu novo vídeo clipe feito para a canção título do álbum. Após ouvir essas duas amostras do que seria o 15º disco de estúdio do Iron Maiden, a minha intensa procura por um vazamento do álbum ficou ainda maior.

Sobre “El Dorado”, eu digo que é uma grande música. Algo com identidade, mas um tanto diferente. “Satellite 15... The Final Frontier” é, também, uma ótima música, com um clima bem “rocker”, com um refrão que gruda no cérebro e você fica cantarolando até quando está assistindo a uma missa. Esse material trazia a identidade, as marcas da banda, mas tinha, também, a inspiração que eles pareciam ter perdido em “A Matter Of Life And Death” (2006), até então o último trabalho da banda, um disco maçante, exagerado e com raros bons momentos.

Aliás, eu achei que o Iron Maiden estava morto para mim após “A Matter...”. Achei, também, que eu era o único ser humano na Terra que tinha detestado o álbum na primeira audição, porque toda a crítica elogiava o trabalho como se aquilo fosse a nova invenção musical do século (provavelmente os “críticos” eram fanáticos pelo Maiden, o que significa abolição de senso crítico, muitas vezes). Então, quatro anos depois, comprei o álbum a fim de completar minha coleção, ouvi-o algumas outras vezes, e consegui ressaltar pontos positivos, consegui notar que algumas músicas, após digeridas, podem ser bem legais, mas não passa daí.

Então, eu esperava tudo de “The Final Frontier”. Esperava futuro, ao invés de passado. Esperava inspiração, ao invés de exagero e mesmice. Senti que isso estava por vir após as duas canções liberadas pela banda e após um site alemão ter disponibilizado 30 segundos de todas as canções na rede. E hoje, meus amigos, tenho a alegria de dizer que minha procura por um possível vazamento do novo do Maiden terminou, pois encontrei, finalmente, o álbum completo para download num fórum que freqüento há anos! E digo a vocês: é um trabalho lindo, é um trabalho que aponta para o futuro, um trabalho que traz a identidade da banda, mas, também, nítidos sinais de reinvenção. É um disco que tem pitadas de “Seventh Son Of A Seventh Son” (1988), “Somewhere In Time” (1986) e “Brave New World” (2000) misturadas com algo que a banda criou hoje, algo do presente, novo, literalmente falando!

Na cabeça dos fãs do Maiden, o fantasma de que esse pode ser o último trabalho da banda está arrastando correntes. Tanto pelo que Steve Harris sempre pregou – “faremos apenas 15 álbuns” –, como pelo título do disco: “A fronteira final”. Mas eu digo que, se a banda acabar após “The Final Frontier”, isso será um crime hediondo, pois agora eles estão mais vivos do que nunca. Parece que reencontraram o tesão de fazer música.

Falemos de “The Final Frontier”, então, começando do princípio: a capa! Divulgada na internet há um bom tempo, a arte gráfica do novo disco agradou a poucos. Alguns ficaram satisfeitos porque a capa era diferente, com traços de histórias em quadrinhos (como toda arte gráfica do novo álbum que caiu na Internet), outros ficaram com indigestão, pois o bom e velho Eddie está mais mudado do que nunca. Melvin Grant, que elaborou as capas de outros álbuns do Maiden, como “Fear Of The Dark” (1992), “Virtual XI” (1998), etc, mudou completamente o trabalho original do grande Derek Riggs, o pai de Eddie. Se compararmos o Eddie que aparece nos três primeiros trabalhos da banda com o novo, elaborado por Melvin Grant, é possível dizer que, se existem semelhanças, são pouquíssimas. Se Eddie sempre teve aquela cara de morto vivo – ainda que já tenha saído em forma de esfinge (“Powerslave”, 1984) ou ciborgue (“Somewhere In Time”) –, agora é apenas uma caveira com caninos gigantescos fazendo cara feia. Pessoalmente, a capa não “fedeu nem cheirou”. Gostei mais da arte do single “El Dorado” que da capa do álbum.

Vamos, agora, ao que interessa: as músicas! Descrevo, a seguir, cada trecho de cada canção presente no álbum. Enquanto ouvia o disco pela enésima vez, meus dedos pulavam pelo teclado...

“Satellite 15... The Final Frontier”:

Quando descompactei o arquivo, fiquei feliz porque os nomes das músicas baixadas estavam de acordo com tudo que eu tinha lido na Internet, no entanto, nos 30 primeiros segundos de “Satellite 15... The Final Frontier” eu tive certeza de que havia sido enganado por algum infeliz e de que aquilo era uma brincadeira. Aquilo que eu estava ouvindo não era Maiden, definitivamente. Contudo, a canção foi avançando e eu reconheci o trecho que havia ouvido semanas antes, naquele site que disponibilizou 30 segundos de todas as músicas do disco. É Nicko McBrain fazendo uma “batucada” tribal com guitarras desfilando timidamente ao fundo. Isso me lembra alguma coisa do Angra... As melodias das guitarras, agora mais evidentes, são atípicas no repertório da banda. É pesado! Sombrio! Diferente! Esse trecho não aparece no vídeo da canção.

Depois dos dois minutos e meio, Bruce entra cantando alto, dramático, mas nada exagerado! Nicko acentua a pegada e a introdução vai prosseguindo... Até aqui, a interpretação de Dickinson lembra o que ele fazia nos seus discos de metal de sua carreira solo, mais especificamente em “Tyranny of Souls” (2005).

Depois dos quatro minutos e meio, entra o trecho já conhecido, divulgado junto com o vídeo da canção, que lembra claramente o filme “Alien: O Oitavo Passageiro” (1979), de Ridley Scott. O que se ouve aqui é quase um hard rock. A música que se iniciou sombria, prossegue com um astral mais alto. O refrão é um dos mais empolgantes dos últimos 10 anos. É grudento, tipicamente Maiden! É ótimo! Não há como não se empolgar. Bruce canta com equilíbrio, melodia e potência, e o resultado é ótimo! Completamente diferente de suas performances em “A Matter...”, onde sua “choradeira” aguda e exagerada vão irritando progressivamente o ouvinte.

O solo que surge segue a pegada hard da música. Nada alucinado, nada bobinho. Possui melodia, possui equilíbrio e energia rock. O refrão volta e a música se encaminha para o desfecho e, depois de quase nove minutos de música, termina com um daqueles “grand finales” que as bandas de rock comumente fazem em shows.

É admirável que o Iron Maiden tenha tido peito para introduzir um de seus álbuns com uma canção tão longa. A última vez que isso aconteceu foi em 1995, com a incrível “Sign Of The Cross”, que inicia “The X Factor”. Se compararmos “Satellite 15... The Final Frontier”, com as duas canções que abriram os dois álbuns anteriores, é inevitável soltar uma risada. “Wildest Dreams”, abertura de “Dance Of Death” (2003) e “Different World”, que abre “A Matter…” são trabalhos de criança, músicas bobinhas e chatas, enquanto “Satellite 15...” é um ponta-pé inicial original, empolgante e muito bem estruturado. De todas as canções de abertura da banda, essa é, sem dúvida, uma das melhores.

“El Dorado”:

Essa o público já conhece há alguns meses. Quando ouvi pela primeira vez “a canção inédita do Maiden em 4 anos” e apertei o play, tudo que eu queria era não ouvir Steve Harris fazendo aqueles dedilhados infernais em 1ª, 5ª e 8ª. Na verdade, o que se ouve na introdução da canção é a explosão de todos os instrumentos, que abrem a música da mesma forma como a canção anterior foi fechada.

“El Dorado” é uma típica canção para empolgar a platéia. Não é aquela coisa “feliz”, como “Rainmaker”, por exemplo, mas é um heavy metal muito bem equilibrado que faz bater cabeça qualquer um que seja apaixonado pela coisa. O baixo de Harris, no início, é sua marca registrada. O típico cavalgado que faz parte da identidade da banda. As guitarras novamente soam ótimas. Até aqui, nada de melodias bobas, nada de arranjos elaborados por meninos de 15 anos, iniciantes na guitarra. Bruce ordena algo em tons mais baixos e vai subindo gradativamente. Sua performance é muito semelhante a que está presente em seus álbuns solos. Essa impressão certamente poderá aparecer em outras resenhas e comentários...

Chega o refrão e a voz de Bruce sobe às alturas. Ele faz isso muito bem, com absoluta precisão e controle da voz. O problema é quando ele canta um álbum inteiro dessa forma, o que, ao menos a mim, irrita. Todavia, aqui estamos falando de um refrão do Iron Maiden, e nada é mais típico, nesse caso, que um refrão marcante e alto.

Ao fim da música, novamente aquele desfecho “fantástico”, com todos os instrumentos explodindo juntos. De 0 a 10, eu daria 8 para “El Dorado”. É uma boa música, mas nada fantástico. Existem bons solos, existe um vocalista competentíssimo, riffs interessantes, contraste entre partes densas e partes mais leves, etc. Não é uma completa inovação no repertório da banda, mas é uma peça um tanto peculiar, simplesmente porque não segue aquela fórmula “dançante” e “feliz” de algumas outras músicas do grupo.

“Mother Of Mercy”:

Aqui começa “a seção das nunca ouvidas antes”. Território desconhecido, não mapeado! Última fronteira! A canção se inicia com o baixo ao fundo e uma melodia de guitarra à frente. Até debaixo d’água é possível dizer “isso é Iron Maiden!”. Bruce canta com melodia, em tons médios. Pouco a pouco, ele vai soltando a voz e eu lembro porque o acho o melhor cantor de rock de todos os tempos.

A canção cai em trechos mais pesados, porém, não traz alto astral algum. É uma composição mais densa, com Bruce cantando com muita melodia. O refrão é excelente, marcante, sem exageros de Dickinson. O solo que segue é ótimo, equilibrado. As melodias de guitarra são originais. Nada manjado, nada “bobinho”. Alguém poderia chamar essa canção de balada? Humm... Não temos aqui “Wasting Love”, mas é uma canção mais leve, algo que seria apropriado pra tocar na FM de sua cidade sem problema algum. Quando a música se aproxima do fim, o ritmo de Nicko se acelera um pouco, mas nada que quebra o clima. E, após cinco minutos que passam num piscar de olhos, a canção termina “no soco”, logo em seguida à última palavra de Bruce.

“Coming Home”:

Novamente, algo mais “contido”. Nada de velocidade, nada de ritmo acelerado. Apenas as guitarras e o baixo fazendo uma melodia que introduz os primeiros versos de Bruce, que canta, novamente, em tons baixos e melódicos. O clima da canção vai subindo com a voz de Bruce. Murray, Gers e Smith fazem um trabalho ótimo até desaguar no refrão. Será lindo ouvir a multidão cantando isso com Bruce! É um daqueles refrões carregados de emoção, de feeling.

A música traz a identidade da banda, mas é inevitável dizer que é algo diferente. Eu jamais esperaria ouvir algo assim num trabalho do Maiden! O solo chega novamente para emocionar, cheio de feeling e muita melodia. Tem a cara de Adrian Smith... É outra que alguém poderia dizer que é uma balada. Tem muito mais cara de balada que a anterior. Outra que pretende agradar a todas as idades, a todos os que gostam de bom rock. Claro, não dê isso para um thrasher ouvir que ele vai te insultar!

“The Alchemist”:

Essa talvez seja a mais Iron Maiden até aqui. Tem a cara da banda, com ritmo acelerado, melodias marcantes. Típico heavy metal tradicional! Muita, mas muita semelhança com “Silver Wings”, canção da carreira solo de Dickinson, lançada em 2001, em “The Best Of Bruce Dickinson”. É uma canção básica, sem nada de “incrivelmente incrível”. Os solos são típicos do Iron Maiden: aquela coisa mais “alucinante” que não abre mão de melodias, que desfilam pela música o tempo todo. É a música mais curta do álbum. É enxuta, direta e simples, o que não significa que seja ruim. É uma daquelas músicas que todo fã de heavy metal quer ouvir num show da banda.

“Isle Of Avalon”:

A iuntrodução dessa canção me lembrou outras duas músicas do Iron Maiden: “Seventh Son Of A Seventh Son” e “The Loneliness Of A Long Distance Runner”. Bruce canta novamente em tons mais baixos. Parece que daqui a pouco ele vai dizer “today os born the seventh one”! Realmente faz lembrar! A música remete muito a alguns épicos da segunda metade da década de 1980... Dá pra citar “Alexander The Great” aqui também...

Após a introdução o ritmo acelera e cai n’algo tipicamente Iron Maiden. Bruce canta um pouco mais alto, mas com equilibro ainda. O desempenho dele, até aqui, tem sido um dos melhores de sua carreira com o Maiden. Logo após, vem um ótimo solo! Não dá pra dizer que a banda não estava inspirada. Na metade da canção, mais ou menos, dá pra sentir um forte clima de “Brave New World” que, pra mim, até aqui, sempre foi o melhor álbum da banda nesta década.

Após os solos, a música retoma seu tema inicial com Bruce cantando nos mesmos tons baixos. Uma canção bastante melódica, contrabalançada, e, apesar de ser longa, com seus mais de nove minutos, não é aquela canção que cansa o ouvinte, como aconteceu em vários momentos de “A Matter Of Life And Death”.

O ritmo se acelera novamente e a música caminha para seu desfecho. Talvez tenha sido a melhor do álbum, até aqui. É uma peça bastante progressiva. Mas não há nada de enjoativo aqui, nada de maçante. O equilíbrio é o lema dessa canção! Uma grande música, em todos os sentidos.

“Starblind”

Mais uma canção com uma introdução lenta, calma, com o baixo fazendo uma melodia parecida com a de “Heaven Can Wait”. Bruce segue o mesmo estilo mais calmo, mais baixo, mais contido, o que é um presente para mim, que, apesar de adorar a potência de sua voz, tive vontade de atirar no aparelho de som quando ele armava aquele berreiro no disco anterior do grupo.

A introdução é breve; menos de um minuto. E o que segue é um riff de guitarra bem heavy metal! A canção cai, então, num ritmo mais cadenciado, porém com peso. Bruce eleva o tom de sua voz de acordo com o que a música pede. O refrão que surge é um daqueles que tira lágrima dos olhos ao ouvir a multidão de fãs cantando em uníssono.

O teclado fazendo a harmonia ao fundo ficou brilhante. As guitarras novamente desfilam com solos e melodias. A canção é densa. Caberia como uma luva no repertório de “Brave New World”. É notável como Gers, Murray e Smith estão soltos em “The Final Frontier”. Estão soando como três guitarristas veteranos que já provaram tudo ao mundo, porém, ainda tem muita inspiração correndo pelas veias. Havia um bom tempo que não ouvia um trabalho de guitarras do Iron Maiden tão bem estruturado, desenvolvido e pesado e leve ao mesmo tempo.

Nos trechos finais, “Starblind” toma os tons de sua introdução, com uma guitarra, ao fundo, cantando, literalmente falando! Bruce retome os tons mais altos, um tanto agressivos... Mais um refrão e a canção termina. Outra grande música. Inspiração é o que não faltou à banda neste álbum. Eles estão vivos, meus caros! Vivos!

“The Talisman”

Outra canção com mais de nove minutos de duração. Creio que essa, por ora, seja a que mais saiu nos moldes das canções de “Dance Of Death” e “A Matter...”. Bruce, aliás, canta de uma maneira bem parecida com a que cantou na introdução de “Dance Of Death”. Parece que ele está sentado, sozinho, no escuro, com um violão em mãos, contando uma história! Interpretação é algo que, definitivamente, nunca faltou a Dickinson!

Repentinamente, entra a banda inteira em peso com Bruce cantando bastante alto. Creio que é o trecho em que seu vocal está mais alto no álbum inteiro, até o momento. Porém, são por apenas alguns momentos. Novamente ele retoma um vocal mais baixo e comedido, de acordo com a caída do instrumental. Ele segue alternando entre tons altíssimos e tons medianos nas partes seguintes.

A canção segue com aquelas melodias um tanto dançantes que são marca registrada da banda. Após mais alguns versos de peso, a música deságua num refrão. Bruce canta muito, muito alto. Sim, esse homem tem um fôlego e uma potência vocal inacreditáveis para sua idade. O ritmo segue um tanto quebrado, com as influências de rock progressivo que quase todos os membros da banda dizem ter.

Novamente, os versos mais rápidos e altos de Bruce... A canção repete o que ouvimos antes do refrão... Basicamente as mesmas estruturas. Mais um refrão e a música vai seguindo para seu desfecho. Uma canção interessante... Longe de ser a melhor do álbum, mas uma boa canção! Segue, como dito, os moldes das músicas dos dois álbuns anteriores, mas mesmo assim, é infinitamente melhor que aquelas.

“The Man Who Would Be King”

Mais uma introdução lenta! Teclado, ao fundo, faz a harmonia, enquanto as guitarras fazem uma leve melodia. A interpretação de Bruce é basicamente o que ele fez nas outras canções cujas introduções são mais lentas.

Os trechos pesados da canção aparecem. Bruce canta nos mesmos tons que cantou nos trechos iniciais de “El Dorado”. O ritmo se quebra até chegar ao refrão, que não é lá dos mais marcantes. Em seguida, enquanto as guitarras solam, um trecho muito interessante: Nicko mostra que é bom em ritmos quebrados, enquanto uma suave melodia disputa a atenção do ouvinte com os solos.

A mudança de tempo dessa música é notável. Influências de rock progressivo inegáveis. Os temas principais retornam à cena com Bruce cantando da mesma forma. Talvez seja a música na qual Bruce cantou nos tons mais baixo nesse álbum. E, antes dos nove minutos de duração chegarem, a canção termina com Bruce fazendo belas melodias vocais... Aquelas que a multidão inteira vai cantar. Eu diria que é a canção mais peculiar do álbum. Uma música interessante, mas, também, longe de ser um destaque absoluto do álbum. A palavra que melhor descreve essa música é feeling!

“When The Wild Wind Blows”

Chegamos ao final do álbum, na canção mais longa: 11 minutos de duração! Aqui temos um som de vento no início. As guitarras e o baixo fazem uma melodia bem lenta, bem leve e suave. Bruce, novamente, canta bem baixo, com interpretação e melodia. Em seguida, a melodia do vocal de Bruce contrastando com as melodias das guitarras é emocionante. Alguém consegue dizer que isso não significa inspiração pura?

A canção segue para um trecho mais cadenciado, um tanto lento, com os teclados fazendo a base. Os solos que seguem são magníficos, carregados de melodia e feeling! Um trabalho digno de guitarrista do Iron Maiden! A base é quebrada, com o baixo se fazendo ouvir, como sempre! Outra canção na qual a veia progressiva dos integrantes da banda aparece nitidamente. Mais uma música bastante longa para os padrões da banda. 11 minutos que passam num piscar de olhos e o ouvinte fica pedindo mais. Nada maçante, nada tedioso. A cada virada de Nicko, a cada arranjo de guitarra, uma novidade!

Mais um solo surge nos momentos finais da canção! A banda inteira está equilibradíssima, sem excessos, sem pieguices! O ritmo vai desacelerando e ouvimos o vento novamente, acompanhado da mesma melodia do início da canção, com Bruce cantando até sua voz sumir no vento. Incrível! Uma ótima canção! Não poderia haver desfecho melhor. Simplesmente espetacular, inspirado, inspirador, e, o mais importante de tudo, NOVO, no sentido mais exato do termo.

Balanço final:

Peguem “Dance Of Death” e “A Matter Of Life And Death” e os atirem na lixeira. Por mais que esses discos tenham bons momentos, não é nada comparado aos outros dois álbuns da década, “Brave New World” e “The Final Frontier”.

Eu digo que o mais novo álbum do Iron Maiden exala criatividade, inspiração e equilíbrio. Reparem quantas inúmeras vezes repeti esses termos ao longo dessa extensa resenha. É isso aí! Não existem termos que descrevem melhor esse trabalho.

Bruce Dickinson certamente ouviu as minhas preces ou leu algum dos meus textos onde eu critico com veemência suas últimas performances. O melhor vocalista de rock de todos os tempos está compensado, acertando tudo em cheio. Ele canta alto com maestria, ele canta baixo com maestria e interpreta como ninguém. Não há, em sua performance, um traço sequer de exagero!

“The Final Frontier” veio para lavar a alma de todos aqueles que achavam que o Iron Maiden havia caído em mesmice e em auto-plágio. Como eu disse anteriormente, esse álbum aponta para o futuro de todas as formas! Não há como uma banda que ainda tem tanto a dar ao mundo simplesmente fechar o expediente.

Se existe um traço negativo no disco, eu ressaltaria o número considerável de introduções lentas, mas, ao menos, não encontrei nenhuma extremamente chata como as que estão em quase todo “A Matter...”. Harris tem competência, criatividade, e não precisa investir sempre na mesmíssima fórmula, como havia fazendo nos últimos lançamentos da banda, onde o que mais existia eram aqueles arpejos de baixo.

De 0 a 10, “The Final Frontier” ganha nota 9 com facilidade absoluta! Desde que consegui baixar o álbum, já ouvi várias vezes e tudo desceu da forma mais homogênea possível. Se, no passado, eu já havia baixado as armas no que diz respeito a combater o fanatismo dos fãs da banda com críticas ácidas e a tachar os trabalhos do grupo como repetições monótonas de seu passado, eu digo que estou de espírito lavado e em completa paz com uma de minhas bandas favoritas, com a banda que me iniciou no rock e que, provavelmente, estará comigo até meu funeral!

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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