Resenha - A Matter Of Life And Death - Iron Maiden

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Resenha - A Matter Of Life And Death - Iron Maiden


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Hoje eu escuto na íntegra, pela segunda vez em quatro anos, o 14º álbum de estúdio do Iron Maiden, “A Matter Of Life And Death”. Quando ouvi o álbum pela primeira vez, em 2006, antes mesmo de seu lançamento (sim, eu baixei da Internet), eu simplesmente detestei. E acho que minha implicância aumentou ainda mais conforme eu via as enxurradas de comentários de fãs e de profissionais da mídia especializada, a respeito de quanto o Iron Maiden havia sido excelente e matador naquele disco que eu considerei um dos piores da carreira da banda.

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Tudo bem. Meu ouvido, naquela primeira audição, estava mesmo bastante “antipático”. O principal motivo daquela reserva quanto ao Iron Maiden era a minha implicância com os fãs fanáticos da banda. Muitas vezes, eram marmanjos barbados babando nos ovos de outros marmanjos sem nenhum motivo altamente justificável, que não fanatismo e paixão incondicional e cega, o que torna certos fãs da banda as pessoas mais insuportáveis e babacas do mundo. A mínima crítica ao Iron Maiden era motivo de toneladas de tijolos na cabeça do crítico. Então, na época, eu me dedicava, ainda que inconscientemente, a enaltecer os pontos negativos de tudo em relação ao Iron Maiden, somente para alfinetar os fãs xiitas e vê-los se debulharem em lágrimas de ódio. De fato, eu me tornei muito bom nessa arte!

Hoje, percebo: grande babaquice a minha! No entanto, quando o pobre “A Matter Of Life And Death” caiu em minhas mãos, eu não tive misericórdia. Contei quantos dedilhados de baixo Steve Harris havia feito, falei de como Bruce Dickinson estava exagerado e de como uma banda com três guitarristas não conseguia apresentar ao menos um riff de guitarra interessante. Fiz resenhas e mais resenhas! Publiquei meus comentários em fóruns e vi o circo pegar fogo (“drop your bombs and let it burn!”).

Todavia, hoje, em 2010, parece que voltei a me apaixonar pelo Iron Maiden. Eles foram a primeira banda de rock da qual comprei um disco em minha vida. Em 1998, eu comprei o “The X Factor” e amei o disco incondicionalmente. Amo-o, na verdade, até hoje. O Iron Maiden esteve no topo de meu coração por muitos anos, até que passei a me desinteressar pela banda...

Após quatro anos, comprei na data de hoje uma cópia original do “A Matter...”. Enquanto digito estas palavras, o disco está rolando no CD Player. Em 2006, eu havia dito que os maiores problemas do álbum são o Bruce Dickinson exagerando demais e o Steve Harris iniciando mais da metade das músicas do disco com seu baixo, muitas vezes, usando seus manjados (ao menos após 1995 ficou manjado, sim) dedilhados. Hoje, quatro anos depois, inspirado, de bem com o mundo e com a banda (e comigo mesmo), eu mantenho essa opinião. A voz do Bruce Dickinson, ao longo do disco, vai dando dor de cabeça. O meu vocalista favorito parece mesmo querer impressionar os ouvidos do mundo, sempre afirmando e reafirmando que é bom na coisa. Então, o trabalho vocal dele nesse disco, mesmo apresentando, como sempre, ótimas melodias, pela altura do vocal, acaba se resumindo como uma espécie de “choradeira aguda desesperada”. Bruce, você não precisa disso, meu caro!

E o Steve Harris... Ele já escreveu ótimas introduções de baixo em sua carreira (como “Wrathchild”, “Innocent Exile” ou “Killers”), então, porque insiste tanto nos dedilhados e em trechos sem o mínimo de ousadia e criatividade? Ao longo do disco, as introduções também vão irritando!

Outro ponto: o Iron Maiden possui três guitarristas. Existem bandas por aí que possuem um guitarrista. E, ainda assim, essas bandas de guitarristas solitários, apresentam riffs de guitarra muito mais fortes e expressivos que os do Iron Maiden, nesse último álbum. Os únicos riffs que realmente chamaram a minha atenção são os de “Lord Of Light” e os que aparecem em “The Reincarnation Of Benjamin Breeg” . No restante, repito o que disse em 2006: o trabalho de guitarras do Iron Maiden, em seu último álbum, soa como coisa que guri aprendiz de guitarra faz diante de seu professor de música.

No entanto, mesmo observando esses pontos negativos, tenho que admitir que o disco não é aquela coisa horrenda e imunda que eu disse em 2006. É um trabalho meio confuso, pra mim. Parece que na tentativa de fazer algo complexo, a banda ficou meio perdida. Mas, mesmo assim, “The Longest Day” e “The Reincarnation of Benjamin Breeg” são músicas excelentes. A primeira tem um dos refrões mais legais da carreira da banda. Já a segunda, têm riffs excelentes, mesmo que sejam um tanto parecidos com os de “The Nomad”.

Canções como “These Colours Don’t Run”, “For The Greater Good Of God”, “The Legacy” e “The Pilgrim” são interessantes. Não são obras primas, mas são boas. Todos os clichês do Iron Maiden estão lá: as melodias dançantes, os refrões marcantes, etc, no entanto, não são músicas ruins ou mal feitas. “Out Of The Shadows” é um destaque do disco. Creio que seja a canção na qual a banda está mais equilibrada. A música sai um tanto fora dos padrões do Iron Maiden e soa brilhante e um tanto ousada. Não vou me admirar se descobrir que os fãs da banda odiaram a referida música. “Lord Of Light” é uma canção na qual a banda acertou em cheio quanto a elaborar uma pegada mais forte. Além disso, tem o riff mais legal de todo o álbum. Nos trechos que fecham a música, o peso da canção fica bem acentuado. Faz parte do time das minhas favoritas melhores do álbum, juntamente com “The Longest Day”, “Out Of The Shadows” e “The Reincarnation...”.

As piores do disco são “Different World” e “Brighter Than A Thousand Suns”. A primeira é uma música de abertura totalmente dançante e bobinha! Não acrescenta nada. É a pior música de abertura da carreira da banda (e você que achou que nada poderia ser pior que “Wildest Dreams”, hein?). Bruce se esgoela a música inteira, exceto no refrão. Já “Brighter Than A Thousand Suns” é exagerada em todos os sentidos, especialmente nos vocais e nas partes finais da música, quando a banda tenta arriscar uma pegada mais forte e acaba conseguindo apenas esbarrar em adjetivos como “forçado”, “desajeitado” e “chato”.

Lembro que, na época, eu havia dado nota quatro pro álbum. Hoje eu dou uns seis e meio. Não é o melhor disco da banda. De fato, é um dos mais complicados de se ouvir. No entanto, o disco apresenta bons momentos e tem um clima um tanto diferente. O que não dá pra deixar de admirar são as letras do disco. São quase todas excelentes. Acho que, num balanço final, a banda soou meio confusa nesse álbum. Parece que tentaram fazer algo diferente e ousado, mas acabaram se perdendo um tanto na elaboração do álbum.

Pra quem é fã incondicional, “A Matter of Life And Death” é o trabalho do século. Mas, pra quem é fã, pra quem gosta de tudo que eles fazem, mas não abre mão do senso crítico, o disco deixou a desejar, sim. Resta-nos aguardar que o próximo álbum, o tal “The Final Frontier”, seja arrasador. Algo nos moldes de “Brave New World” já me deixaria totalmente feliz. Importante frisar que o que pode estragar um disco do Iron Maiden são as promessas da banda (“faremos um disco com o clima dos anos 80” ou “este será um trabalho bastante progressivo”) e as expectativas e comentários (que, muitas vezes, soam como profecias e dogmas islâmicos) do time dos fãs fanáticos. Eu espero, do fundo do coração, que a banda componha e grave seu novo álbum sem se preocupar com seu passado, que não façam promessas e que coloquem como meta conquistar o mundo, mesmo que esta já esteja há anos conquistado. Que aí venha um disco forte e inspirado, pois possivelmente pode ser a empreitada final da banda.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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