Blaze Bayley é um dos caras mais controversos do heavy metal, principalmente em função de sua passagem pelo sagrado Iron Maiden (sim, temos de falar outra vez sobre isso!), onde ele teve que substituir o ainda mais sagrado Bruce Dickinson. Talvez o principal trauma de Bayley, no Maiden, tenha sido quanto a cantar todos aqueles clássicos, gravados no potente e alto tom de Dickinson, com sua voz grave para os padrões da Donzela. O fato é que cantar o material clássico do Iron Maiden pode ser arriscado até mesmo para um vocalista com tessitura vocal mais alta que a de Bayley, especialmente porque ninguém canta igual outra pessoa (o que alguns fãs do Maiden, nem sempre inteligentes, insistem em nunca compreender). Se André Matos, com sua notável voz aguda, tivesse vencido aquele "concurso" para substituir Dickinson, ainda assim, os fãs dariam um jeito de criticar! Não faltariam argumentos! Sim, pois ele e nem ninguém jamais seria Bruce Dickinson. Fã de Iron Maiden pode ser mais terrível e obtuso que ditador de extrema direita, não?
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Falemos, então, do mais recente lançamento de Blaze Bayley, “Promise And Terror”, que saiu do forno no início de 2010. O disco segue a linha que Blaze sempre seguiu em seus álbuns solo: metal pesado e direto (já ouvi pessoas arriscarem o palpite de que o trabalho solo de Blaze é uma mescla de Metallica, Megadeth e Iron Maiden). Todavia, em “Silicon Messiah” (2000), seu primeiro álbum solo, por exemplo, Bayley não abusou de tantos clichês do estilo como o faz em seu novo álbum. Ao passo que seu primeiro disco pós-Maiden trouxe um metal mais arrastado e pesado, a exemplo de canções como “Evolution”, “Ghost In The Machine” e a faixa título, “Promise And Terror” mostra riffs mais rápidos e melodias dançantes, coisa que ele aprendeu a fazer em seus dias de Iron Maiden.
Blaze Bayley seguiu à risca a cartilha do heavy metal, que não ousa e não traz muitos elementos diferentes, além de apenas o “mais do mesmo”. Um prato cheio pra quem gosta de heavy metal rápido, com melodia e sem invenção de moda, e um pouco decepcionante pra quem gosta daquilo que sai dos moldes. Todavia, todas as músicas são muitíssimo bem tocadas, arranjadas e produzidas. Enquanto cantor, Bayley comprovou mais uma vez que fez uma notável evolução, e, se não tivesse dado a cara a tapa no Iron Maiden, possivelmente seria considerado um dos maiores cantores de heavy metal, já que, em carreira solo, ele canta com sua própria voz e não tem de viver sob a pressão de ter de soar como alguém. Um exemplo do quanto Bayley pode ser bom cantando com sua própria voz é a versão para “Dazed And Confused”, do Led Zeppelin, registrada em seu álbum ao vivo “As Live As It Gets” (2003).
“Promise And Terror” é aberto com “Watching The Night Sky”: metal simples, rápido e direto, com Blaze Bayley arriscando agudos e se mostrando bastante amadurecido quanto ao seu próprio estilo de cantar. A seguinte é “Madness And Sorrow”, edificada, também, em riffs rápidos e melodias dançantes. “1633” vem na seqüencia, mostrando um riff de guitarra bastante interessante, mas, ainda assim, a música é rápida e direta. “God Of Speed”, a quarta música do álbum, já mostra uma temática diferente, com riffs mais cadenciados. Todavia, a velocidade volta ao final da música. A quinta, “City Of Bones”, é iniciada com uma espécie de marcha militar. Bastante interessante.
“Faceless” e “Time To Dare” aparecem imperceptíveis na seqüencia. Aliás, até aqui, a audição do disco pode ser um tanto cansativa, já que as canções têm mais ou menos a mesma roupagem. Entretanto, a atenção do ouvinte é chamada em “Surrounded By Sadness”, focada em melodias acústicas, com Blaze fazendo uma ótima interpretação. Aqui se tem a certeza de que, de fato, Bayley é um ótimo cantor e que a injustiça que lhe fora feita no passado realmente não passou de... Bem, injustiça... Aqui ele não é obrigado a gritar incrivelmente alto em “The Trooper” ou “Run To The Hills”. O que se tem aqui é Bayley cantando com sua voz, com seu espírito, e ele anda fazendo isso muito, muito bem. “Surrounded By Sadness” chega ao seu final com o que eu estive esperando ouvir até aqui: riffs mais lentos e carregados de peso. Nada daquela velocidade maluca do início do disco.
“The Trace Of Things That Have No Words” vem em seguida como uma espécie de continuação de “Surrounded By Sadness”. Um ótimo riff pesado e cadenciado que, mesmo tendo uma seqüencia mais rápida, mantém a mesma introspecção do início da canção. “Letting Go Of The World” é a próxima: iniciada com um dedilhado e melodias acústicas, seguidas por riffs pesados e trabalhados e com Blaze mostrando do que sua voz é capaz. Talvez a melhor faixa do disco, em minha opinião. É! Parece que ele deixou seu lado obscuro e melancólico aparecer apenas no final do álbum. “Comfortable In The Darkness” vem para fechar o disco. A faixa é iniciada, também, com dedilhados e Blaze cantando em tom bem baixo, quase sussurrado. A melodia do vocal é ótima, inspirada, carregada de emoção. A música se desenvolve predominantemente de forma introspectiva, com riffs carregados de peso, melodias dedilhadas e Blaze dando aulas de interpretação. Sem dúvida, as quatro últimas faixas do disco são as melhores para aqueles que não se focam apenas em metal tocado à velocidade da luz, em solos enlouquecedores e em melodias dançantes. Nitidamente, a inspiração de Blaze apareceu melhor nos momentos finais do álbum, e foi aí que eu, fã de riffs pesados, lentos e “arrastados”, fui mais feliz.
No início da audição, arrisquei o palpite de que iria me arrepender amargamente após ouvir a obra inteira. Pensei: “lá vem metal rapidinho com melodias à Helloween”. E, de fato, se o disco fosse calcado aí, eu o atiraria pela janela, pois odeio metal rapidinho e muito mais ainda Helloween. No entanto, mesmo usando e abusando de trechos rápidos e dançantes, Blaze Bayley faz isso de forma competente! Além de não ter esquecido como sua voz fica bem em melodias mais melancólicas e soturnas – alguém arrisca dizer que adora “Fortunes Of War”, “Edge Of Darkness” ou “Sign Of The Cross”, do mais que injustiçado “The X Factor (1995)? Eu sim!
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Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!
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