O mercado da música mudou no mundo todo. É um processo irreversível. Grandes gravadoras, artistas milionários. Isso é coisa do passado. Como se tem que tirar sempre algo de bom de uma situação ruim, o que talvez seja privilegiado hoje seja o talento do artista. Algo que se fazia no fim dos anos 60, quando ainda não era algo estrelado ser músico de sucesso.
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Sem falar que é preciso muita perícia pra casar a nossa língua com a harmonia poética que a distorção pede. Golpe de Estado fazia e faz isso muito bem.
Mas eis que, de uma propaganda de um site de rock, uma banda chamada Adrenalize disponibilizou à grande massa rockeira do país seu disco inteiro para download. Uma prática cada vez mais comum.
E olha que o que se ouve em “Adrenalize”, o disco, é algo que se classifica facilmente como viciante. Hard rock bem composto, produzido e cheio de melodias.
O trio formado por Mauricio Abecia (Bateria), Mário Ross (Guitarra/Vocal) e André Chasseraux (Baixo) concebeu em “Adrenalize” um dos melhores discos de rock nacional dos últimos anos.
O disco abre com a quebrada e direta “Na Contramão”, já evidenciando a força que os backings têm na música da banda. Nessa linha seguem “Fora do Ar” e “Só se for Agora”, com seus refrãos fortes e grudentos.
A faixa “Atriz, Modelo & Manequim” é hard rápido, com uma levada bem humarada sobre essas modelos relâmpagos de televisão. Aliás, o que permeia talvez o disco todo seja mesmo o bom humor. Que faz muita falta às vezes ao rock atual.
O lado balada do disco está muito bem representado nas faixas “Mais uma Chance” (balada densa e com um curto mas belo solo) e na maravilhosa “Páginas do Passado”.
A faixa “Já Ouvi isso Antes” conta com a participação de Roger Moreira (Ultraje), cuja levada rock and roll nos lembra sim algumas bandas dos 80.
Mas pra mim, o grande destaque do disco é “Perdendo o Controle”. A faixa, que tem até videoclip, é daquelas que entram na cabeça e não saem mais. Vocais um pouco dramáticos tranformam estrofes calmas num hard de pegada contagiante em seu refrão.
Enfim, um disco simples e genial ao mesmo tempo. Não precisa de firulas, orquestras ou viagens progressivas pra se fazer um agradável e porque não memorável disco de rock. Prova que hoje em dia que, com talento e garra, é possível criar sim algo interessante e novo, no meio de um estilo tido por muitos como estagnado.
Vida longa ao Adrenalize. Prova que o Brasil produz bandas de qualidade e absolutamente consumíveis por qualquer fã de rock, não importa qual subestilo se enquadre.
Serviço:
Adrenalize
http://www.adrenalize.com.br
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