Dizer que Kiko Loureiro é um excelente guitarrista é pura obviedade – afinal, basta vê-lo comandando uma das guitarras da banda brasileira Angra. No entanto, nos recentes discos “Temple of Shadows” e “Aurora Consurgens”, quem dá as caras é um Kiko Loureiro mais técnico e virtuoso, capaz de disparar uma centena de notas por minuto. É nos discos-solo, no entanto, que enxergamos sua real versatilidade no comando das seis cordas, uma versatilidade que tem menos a ver com velocidade e mais a ver com sutileza. A mais recente empreitada, “Fullblast”, pode ser considerada uma verdadeira mistura da ferocidade roqueira de “No Gravity” com o absoluto ecletismo de “Universo Inverso”. O resultado? Empolgante até mesmo para quem, como eu, tem pouca paciência para álbuns instrumentais de guitarristas.
Nota: 9 








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Mas é claro que o guitarrista transforma seus riffs nas grandes estrelas do álbum. “Headstrong”, a música que abre “Fullblast”, é uma paulada heavy metal bem familiar aos fãs do Angra. Mas aí vem “Desperado”, que tem seu temperinho étnico e que, lá pela metade, oferece um interlúdio quase bossa nova. Logo depois, já emenda “Cutting edge”, que para os ouvidos mais atentos carrega uma sonoridade meio thrash metal em um determinado momento. Eclético o suficiente para você? E olha que estamos falando apenas das três primeiras músicas do disco!
Totalmente despido de preconceitos, Loureiro deixa a porradaria de lado em “Excuse me”, se entregando a uma baladinha sutil, que chega a flertar com o pop. Pop dos bons, leia-se. Enquanto “A Clairvoyance” tem sua levada de quase música de salão, um romantismo sem vergonha de assumir aquele ladinho meio brega, "Se Entrega, Corisco!" é retorno direto aos tempos de “Holy Land”, com elementos do forró nordestino - daquele do magistral Jackson do Pandeiro, entrando de cabeça na raiz do negócio.
Logo depois da quase épica “Outrageous”, com seus ares de trilha sonora de superprodução hollywoodiana, surge “Mundo Verde” que é nada mais, nada menos do que um samba, daqueles bem intimistas e doces. Consegues imaginar um guitarrista de heavy metal fazendo claras referências ao também genial Paulinho da Viola? Pois é. Em “Fullblast” você vê. Ou melhor, escuta.
Talento Kiko Loureiro tem de sobra. Mas é sempre uma agradável surpresa ver um músico saído de um gênero tão acusado de cabeça-dura como o metal ter igualmente coragem para encerrar seu disco solo com o delicado dedilhado acústico de ares MPB da faixa “As it is, Infinite”. Sinal de que o guitarrista sabe reconhecer boa música, independente do rótulo que se queira dar a ela. E sinal de que ele também está disposto a fazer música boa, sem precisar ficar preso a rótulos babacas. Just push play.
Line-up:
Kiko Loureiro – Guitarra
Felipe Andreoli – Baixo
Mike Terrana – Bateria
Tracklist:
01. Headstrong
02. Desperado
03. Cutting edge
04. Excuse me
05. Se entrega, Corisco!
06. A Clairvoyance
07. Corrosive voices
08. Whispering
09. Outrageous
10. Mundo verde
11. Pura vida
12. As it is, infinite
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Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.
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