Diferente da maior parte dos fãs (e talvez críticos) do Megadeth, gostei bastante do resultado final de “United Abominations”, disco anterior da trupe de Dave Mustaine. Em resenha escrita por mim mesmo à época do lançamento, eu disse com todas as letras que o disco tinha “uma fúria genuína e contagiante que corre nas veias de maneira natural”. Continuo achando tudo isso, que é uma bolacha fiel ao thrash metal, mas sem soar velha ou datada. É um trabalho moderno, que bebe das raízes mas não depende delas. O que dizer, então, de “Endgame”, recente lançamento do Megadeth? Simples: se trata de uma evolução direta de “United Abominations”. Com uma banda ainda mais entrosada, Mustaine entrega um disco que é tudo aquilo que é “United Abominations”. Só que ainda melhor: mais pesado, mais violento, mais sombrio, com muito mais guitarras. Quando você ouvir alguém dizendo que este é o melhor álbum do Megadeth em uma década, é melhor acreditar. Porque é mesmo.
Nota: 10 









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Quem ouviu “Head Crusher”, primeiro single de “Endgame”, já tinha sentido a pegada deste trabalho. Mas, apesar de muito boa, a canção está aquém do que se pode conferir no restante do tracklist. Repare no solo monstruoso de duas guitarras em “1,320”, num dueto acertadinho entre Mustaine e Chris Broderick (ex-Nevermore). Por sinal, o atual substituto de Glen Drover prova que a escolha foi perfeita para assumir as outras seis cordas da formação. Na bateria, o irmão de Glen, Shawn, mantém a qualidade usual como em “44 minutes”, com uma contundente letra sobre a violência urbana.
Igualmente marcante é a letra da faixa-título, uma climática canção de ares épicos sobre um futuro apocalíptico – mas preste bastante atenção e você vai ver que esta história dos chips de controle está bem mais próxima do que se imagina (recomenda-se assistir ao documentário “Zeitgeist”). Para quem achava, depois do cheiro direitista de “United Abominations”, que Mustaine fechava os olhos para o que seu próprio governo apronta, tratar o presidente dos EUA como um ditador é prova de que ele até que está de bem olhos abertos...
Destaque ainda para a ótima “The Hardest Part of Letting Go... Sealed With a Kiss”. O título, genial, indica uma espécie de baladinha. E a música, na verdade, começa toda romântica, com um violãozinho insuspeito. Os thrashers mais radicais podem começar a surtar a partir daí – mas muita calma nesta hora. Como num passe de mágica, a música se transforma numa paulada de teor amargo. Ainda fala de amor. Mas agora é sob o ponto de vista de alguém que quer esquecer a súbita paixão, do tipo que precisa experimentar uma “doce vingança”.
Fato: Mustaine continua sendo um mala. Do tipo que fala mais do que a boca – especialmente quando o assunto é o Metallica, uma ferida aberta que, mesmo depois de duas décadas, ele parece não conseguir superar. Mas as comparações são inevitáveis, e a gente nem tem como fingir que não existem. Vamos lá, um pouco de rivalidade é saudável, afinal. Sim, “Death Magnetic” é um bom disco, prova de que o Metallica está realmente se esforçando depois do fiasco de “St.Anger”. Mas se “United Abominations” já conseguia ser mais eficiente do que “Death Magnetic”, com “Endgame” a competição fica pra lá de injusta. A diferença é gritante. James e Lars, a bola está com vocês. Vejamos o que nos trazem daqui pra frente.
Line-up:
Dave Mustaine – Vocal, Guitarra
Chris Broderick – Guitarra
James LoMenzo – Baixo
Shawn Drover – Bateria
Tracklist:
1. Dialectic Chaos
2. This Day We Fight!
3. 44 Minutes
4. 1,320
5. Bite the Hand
6. Bodies
7. Endgame
8. The Hardest Part of Letting Go...Sealed With a Kiss
9. Head Crusher
10. How the Story Ends
11. The Right to Go Insane
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Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.
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