Um dos discos de maior sucesso da história da música brasileira está prestes a completar 25 anos do seu lançamento. Lançado em 1985, com produção de Pena Schimdt e Liminha, o lendário ex-baixista dos Mutantes, “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, do Ultraje a Rigor, conseguiu uma façanha inimaginável, principalmente para um artista estreante: quase todas as suas faixas foram sucesso. O que torna o feito mais incrível ainda é que se trata de um trabalho de qualidade, e não o habitual lixo que costuma dominar as rádios e programas de auditório, fontes do famoso “jabá” desde os mais remotos dos tempos. Ótimas canções, criatividade nas letras, abordando temas inovadores, sempre tratados com muito bom humor, participação especial de outros grandes nomes do rock... Essa soma de fatores, bem como outros tantos, catapultou o álbum e a banda ao status de maior sucesso do Brasil. Vamos então relembrar um pouco deste grande momento na história de uma das melhores bandas do rock brasileiro.
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O bom humor e a diversão sempre foram marca registrada da banda, e isso fica ainda mais evidente em “Mim Quer Tocar”, um belo sarro em cima das canções de reggae em inglês que abusavam das frases começadas com o pronome “Me”. “Zoraide” é um rockão bruto, onde um machão assumido não sabe mais o que fazer ou dizer para se livrar de uma ex namorada que ainda fica chicletando. “Ciúme” encerrava o lado A e dispensa maiores comentários: uma das melhores do disco e um dos maiores hits da banda.
Abrindo o lado B vinha “Inútil”, que já era hit, tendo sido inclusive uma espécie de “hino da juventude” no movimento pelas “Diretas Já”, com o fim da ditadura militar. O que não deixava de ser irônico, visto que ela critica a alienação política e cultural dos brasileiros. Detalhe: o grupo manteve intacto o antológico riff de guitarra original, criado por Edgard Scandurra, um dos mais inspirados do rock brazilis. “Marylou”, outra faixa engraçadinha, era cantada por Leospa e Maurício, e tinha a participação especial de Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso nas guitarras. Foi talvez o maior sucesso do álbum, tendo tocado à exaustão, e ganhando até mesmo versão especial para o carnaval (num compacto, onde o lado B era “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, também em versão carnavalesca). Em tempos de ditadura, era uma vitória ver tocando nas rádios uma música censurada, conforme podia ser lido na contracapa, mesmo sem ter um palavrão sequer – na edição final, ao invés de cantar “cu” a letra dizia que “Marylou botava ovo pelo sul”.

O que fica evidente, e já foi confirmado em diversas entrevistas, inclusive dos produtores, é que todo mundo se divertiu muito fazendo o disco – Liminha chegou a contar, em entrevista à MTV, até sobre a famosa brincadeira do balde apoiado sobre a porta, que virava e derramava água sobre quem a abrisse. E o público, com certeza, divertiu-se ainda mais ouvindo-o e assistindo aos shows. A presença nas rádios, programas de TV (em especial do saudoso Chacrinha) eram cada vez mais esperadas. Os fãs costumavam até apostar qual música seria tocada, já que tantas eram sucesso.


Que o Roger e o Ultraje ainda fiquem por muitos anos nos divertindo com seu rock and roll, por pelo menos mais 25 anos...
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Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.
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