Dream Theater: temas pessoais e solos com feeling

Resenha - Black Clouds & Silver Linings - Dream Theater

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Por Pedro Zambarda de Araújo, Fonte: Bola da Foca
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Trazendo temas pessoais, dando destaque para solos de guitarra com feeling e com poucas músicas, mas bem progressivas, o Dream Theater revive elementos que cativam os fãs, sem perder o passo em direção ao futuro. As trevas, o peso e a agressividade estão em sintonia com a luz de muitas melodias de "Black Clouds & Silver Linings", lançamento de junho de 2009 e receita de uma banda elaborada que continua aclamada por um público fiel.
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"A Nightmare to Remember" é um óbvio retorno às origens do DT: Metallica. Mas a música não é uma cópia, pois apenas tem alguma inspiração no pessoal do thrash metal, ainda tendo sua característica mais progressiva. Portnoy provavelmente estava satisfeito com o lançamento de "Death Magnetic" e fez um trabalho nessa faixa que abusa do pedal duplo, parecido com a trupe de Hetfield em "...And Justice For All". Os teclados de Jordan Rudess possuem uma variedade de efeitos que fez parte de "Systematic Chaos". Muito efeito wah-wah vem da guitarra de Petrucci. Mas há problemas também no instrumental, principalmente no baixo de Myung, que some no meio de uma bateria exagerada. LaBrie está em forma e mostra de cara. Não abusa de agudos e não desaparece, marcando as músicas com sua personalidade.

"A nightmare to remember / I'd never be the same / What began as laughter / So soon would turn to pain". Essa faixa tem tantas nuances e uma diversidade que até o próprio Mike Portnoy, sem largar as baquetas, arrisca cantar por volta do tempo 10min. A voz dele dá uma quebra fundamental na canção. A música tem pausa no ritmo frenético por volta dos 4min e passa realmente a impressão de estar em um pesadelo, em um acidente de carro. "In peaceful sedation I lay half awake / And thought of the panic inside starts to fade /Hopelessly drifting / Bathing in beautiful agony". Começo, meio e final lindos, por mais que se fale em tragédia.

Depois desse retorno ao peso e ao heavy metal que sempre foram bases do Dream Theater, "A Rite Of Passage" é uma balada grudenta sobre as passagens da vida e com letra mais positiva em relação à música anterior, mas ainda com um peso e virtuose que a deixa respeitável para fãs do progressivo. Traz na letra, também, referências claras a maçonaria e nenhuma aos integrantes da banda, desembocando em outros assuntos. "Turn the key / Walk through the gate / The great ascent / To reach a higher state /A rite of passage". John Petrucci está realmente equipado com pedais, mas não deixa de usar escalas elaboradas em um solo, enquanto Portnoy resolve reduzir o ritmo sem perder qualidade. LaBrie sobe um pouco a voz, sem se comprometer, e, infelizmente, Myung continua apagado.

"Wither" não é rica instrumentalmente, mas acerta em outra balada marcante e uma letra mais soft (e é a mais curta do álbum, 5min25s). Lembra "I Walk Beside You", do "Octavarium", que ainda desperta a raiva dos devotos da primeira fase da banda, mas é acessível a fãs de outros estilos. "I wither /And render myself helpless / I give in /And everything is clear / I breakdown / And let the story guide me / I wither / And give myself away". LaBrie canta com naturalidade e à vontade, com o coro de vocais de fundo formado por John Petrucci e Mike Portnoy.

A distorção mais pesada da guitarra anuncia a próxima música, acompanhada por intervenções do teclado. "The Shattered Fortress" traz riffs de músicas anteriores do DT para encerrar a chamada “saga da cachaça”, amplamente divulgada na internet. Com passagens de "The Glass Prison", do antológico "Six Degress Of Inner Turbulence", e "The Root of All Evil", do CD "Octavarium", a letra trata sobre reabilitação durante o alcoolismo, feita por Mike Portnoy no melhor estilo Eric Clapton de compôr e transmitir mensagens sobre o tema dos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos. "I am responsible / When anyone, anywhere / Reaches out for help / I want my hand to be there" são nitidamente frases de apoio aos que não conseguem se livrar do álcool e aos reabilitados que desejam ajudar (caso do próprio Portnoy).

"The Best of Times" é uma das mais belas melodias criadas para a guitarra. A banda em si se aquieta nessa música. Rudess começa com um teclado acompanhado por violino, enquanto, aos poucos Petrucci surge com um violão. LaBrie quebra a introdução leve em dueto com Portnoy. A letra resgata o passado do pai de Mike Portnoy e é uma homenagem a sua morte recente (começo de 2009). O encerramento dela é que decepciona um pouco: Petrucci executa um solo de guitarra de dar inveja, mas, ao invés de ser prolongado, ele é bruscamente interrompido.

Com arranjos típicos de Rush, uma novidade para o Dream Theater, "The Count of Tuscany" fecha muito bem essas 6 músicas. Sendo a mais longa de todas as faixas (cerca de 19min16s), a música pode ser facilmente dividida em três partes. O começo traz a melodia principal, sendo interrompido por um refrão muito mais pesado de LaBrie e Portnoy, como vozes. Entre as passagens do refrão, teclado que lembra "Scenes From a Memory" e até "Images and Words". Não é uma volta completa ao passado, mas agrada muitos fãs.

O tema que encerra o CD é sobre a cidade natal de John Petrucci, Tuscany, trazendo histórias de seu passado familiar e outros detalhes. Linda é a seqüência que segue pelas frases "Of course you're free to go / Go and tell the world my story / Tell them about my brother /Tell them about me / The Count of Tuscany". A parte final segue um outro solo de guitarra tão inspirado quanto em "The Best of Times", mas retomando, aos poucos, a primeira melodia.

Esse álbum não consegue o mesmo sucesso de um EP como "Change of Seasons", mas é bonito como ele trata bem de temas particulares de dois integrantes fundamentais da banda - Portnoy e Petrucci - e aborda o tema da iluminação de maneira concreta. Agora é esperar que eles mantenham LaBrie com a mesma qualidade vocal dos últimos álbuns e, finalmente, que dêem maior destaque a John Myung, principal prejudicado nos últimos lançamentos, deixado de lado nas composições.

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Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

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