Talvez o maior problema na carreira do Queensryche tenha sido o impacto que o conceitual "Operation Mindcrime" causou sobre o público e crítica especializada em 1988. Desde então, por mais que se evite, é quase certo que seus discos venham a ser comparados com este clássico. E, para complicar, a meta de não compor o mesmo álbum duas vezes fatalmente fez com que vários de seus lançamentos posteriores fossem apenas medianos - ou com jogadas de marketing um tanto quanto desesperadas como foi a segunda parte do tal "Operation Mindcrime" de 2006.
Nota: 7 






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Do ponto de vista musical, é inegável que o Queensryche perdeu muito de sua intensidade com o passar dos anos, sensação que se tornou ainda mais forte após a partida do guitarrista Chris DeGarmo. Mas, ainda assim, o pessoal possui alguma munição para disparar arranjos interessantes e melodias donas de uma curiosa vibração soturna, perfeita para a proposta do disco. O repertório navega entre a acessibilidade de faixas mais básicas e com elementos bem modernos, enquanto outras exibem algumas poucas, mas acertadas, estruturas que lembram os velhos tempos.
Se por um lado a abertura "Sliver", cuja parte de seu trabalho vocal remete diretamente ao rock alternativo norte-americano, já mostra o quanto o grupo não se preocupa em viver dos louros do passado, por outro, a excelente "A Dead Man's Words" se aventura parcialmente à época dos arranjos mais viajantes. Talvez o maior destaque fique por conta de "Man Down!", melódica e pesada, com uma bateria bem bacana, e seguida de perto pela suavidade da balada "Home Again", onde Tate divide as vozes com sua própria filha Emily, de apenas 10 anos.
Algo extremamente eficaz é a inserção de trechos de áudio com as vozes de alguns dos próprios ex-combatentes, o que garante uma proximidade com a situação relatada que chega a ser perturbadora. Neste sentido, "Unafraid" (que solo!), a bonita e versátil "If I Were King" (que foi a escolhida para se transformar em vídeo) e "The Voice", que inclui gravações do próprio pai do vocalista falando sobre suas experiências na guerra, também resultaram em exemplos positivos.
Aqueles que procuram insistentemente por um novo "Operation Mindcrime" ou "Empire", somente encontrarão a decepção por aqui. "American Soldier" com certeza soará ofensivamente simplório para os critérios progressivos. De qualque forma, com ou sem a credibilidade de seus antigos fãs, as novas canções terão boas chances de apreciação por parte daquela fatia do público que procura apenas boa música, ainda que alternativa, mas com vários elementos do Heavy Metal.
Formação:
Geoff Tate - voz
Michael Wilton - guitarra
Eddie Jackson - baixo
Scott Rockenfield - bateria
Queensryche - American Soldier
(2009 / Warner Bros - nacional)
01. Sliver
02. Unafraid
03. Hundred Mile Stare
04. At 30,000 Ft.
05. A Dead Man's Words
06. The Killer
07. Middle Of Hell
08. If I Were King
09. Man Down!
10. Remember Me
11. Home Again
12. The Voice
Homepage: www.queensryche.com
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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