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Resenha - Tinnitus Sanctus - Edguy

Sujeito corajoso este tal de Tobias Sammet. Quando todos os fãs de seu projeto-paralelo Avantasia esperavam por um terceiro disco totalmente power metal como os anteriores, ele envereda por uma levada completamente hard rock, fazendo quase como uma rendição à ópera rock de um camarada chamado Meat Loaf. Aí, Tobias resolve lançar o novo disco de estúdio de sua banda, o Edguy. E justamente quando seus fãs mais hardcore clamavam por uma espécie de continuação de “Mandrake”, surge “Tinnitus Sanctus” – que é ainda mais hard rock do que seu antecessor, “Rocket Ride”, e portanto totalmente distante de “Mandrake”. Hard rock com pegada mesmo, que vai da levada setentista do Deep Purple ao som cheio de marra de oitentistas como o Mötley Crüe, passando até pop e grudenta produção recente do Aerosmith (escute “929”e depois a gente conversa). Para quem gosta, “Tinnitus Sanctus” é um prato cheio. E adivinha só se eu não tenho ouvido o danado do CD repetidamente?

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A canção que abre o disco é o primeiro single, “Ministry of Saints”, um hard ‘n’ heavy energético com um empolgante refrão milimetricamente construído para ser cantado a plenos pulmões. Na seqüência, para não deixar dúvidas sobre a proposta, o riff contagiante e a letra esperta de “Sex Fire Religion” – por sinal, os carolas devem ficar longe de “Tinnitus Sanctus”, pois ele reflete novamente a obsessão de Tobias Sammet por sacanear os temas religiosos de maneira sutil e bem-humorada.

Completando o quarteto de músicas que inicia a bolacha, vêm a pegada pesada de “Nine Lives” (na qual Tobias se esgoela até o limite, para desespero de seus detratores) e “The Pride of Creation”, um rockaço poderoso e envolvente, totalmente para cima, ao mesmo tempo em que questiona a tal força superior que nos teria criado à sua imagem e semelhança. De longe, o maior destaque do álbum. Mas não o único: em “Dead or Rock”, Tobias presta uma homenagem evidente aos irmãos Young do AC/DC, fazendo um verdadeiro hino roqueiro de acordes simples e diretos ao ponto. E depois de nos apresentar, nos últimos anos, baladas como “Forever” e “Save Me”, agora é a vez de “Thorn Without A Rose”, daquelas rasgadas e de peito aberto e exposto, no que parece ser uma resposta a “Every Rose Has Its Thorn”, do Poison.

Mas, apesar de “Tinnitus Sanctus” ser um passo evidente na evolução musical da banda se analisarmos todo o contexto que vieram montando com “Hellfire Club” e “Rocket Ride”, este não deixa de ser o Edguy que todos conhecem. A velocidade e os pedais duplos do power metal alemão ficam bastante evidentes na longa “Speedhoven” ou mesmo nos contornos épicos de “Dragonfly”. Heavy metal, e dos muitos bons, sem sombra de dúvidas.

Para encerrar, nada melhor do que a curtinha “Aren't You A Little Pervert Too?”, uma daquelas piadas musicais que o frontman do Edguy adora e que, aqui, conta com a participação especial do músico e comediante italiano – que atualmente mora na Alemanha – Granato Rambocco. O tema? Num ritmo meio country, é claro que não poderia ser outro senão as pequenas perversões que as pessoas teimam em esconder mas que, entre quarto paredes, revelam sem maiores problemas.

Tobias Sammet e seus fiéis parceiros nunca foram uma unanimidade no meio do metal, isso todo mundo sabe. A cada disco, conforme iam desenhando sua identidade musical, eles foram ganhando cada vez mais fãs por um lado...mas também uma parcela ainda mais grossa de gente que não os suporta. E isso mesmo entre aqueles que curtem metal melódico/power metal/speed metal ou como você prefira chamá-los. Tenho uma ligeira suspeita de que “Tinnitus Sanctus” vai contribuir para que o cenário se torne ainda pior – se depois de “Lost in Space”, single do terceiro Avantasia, já estavam chamando o cara de “Bon Jovi” alemão, imagine então o que vão falar dele nestas circunstâncias. Sinceramente? Sammet não deve estar ligando a mínima para isso. E eu muito menos. Em que grupo você se encaixa?

Line-Up:
Tobias Sammet - Voz
Jens Ludwig - Guitarra
Dirk Sauer - Guitarra
Tobias Exxel - Baixo
Felix Bohnke – Bateria

Tracklist:
01. Ministry Of Saints
02. Sex Fire Religion
03. The Pride Of Creation
04. Nine Lives
05. Wake Up Dreaming Black
06. Dragonfly
07. Thorn Without A Rose
08. 929
09. Speedhoven
10. Dead Or Rock
11. Aren't You A Little Pervert Too?

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.

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