"A Sense of Purpose", nono álbum de estúdio dos suecos do In Flames, segue a tendência dos últimos trabalhos da banda, ou seja, a retomada dos elementos que tornaram o grupo reconhecido e respeitado em seus primeiros anos de carreira, período no qual lançaram petardos do calibre de "The Jester Race" (1996), "Whoracle" (1997), "Colony" (1999) e "Clayman" (2000). Contudo, há aqui uma diferença fundamental em relação aos álbuns recentes: em "A Sense of Purpose" o retorno as características do passado não se dá de forma tímida, mas sim de maneira escancarada e, o que é fundamental, com muita inspiração.
Nota: 9 








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A audição continua recompensadora com a faixa seguinte, "Disconnected", outra que tem suas raízes nos instrumentos de Bjorn Gelotte e Jesper Stromblad. Uma pegada influenciada pelo hardcore leva a um refrão onde a melodia é, novamente, a bola da vez.
Marés de inspiração parecem ter chegado até os caras, já que o álbum vai entregando, faixa após faixa, ótimos momentos. É o caso de "Sleepless Again" (que arrisca até uns teclados no fundo, que dão um colorido interessante à composição); a paulada na cabeça que é "Alias" (tente não bater seu pescoço sem parar durante essa faixa), dona do melhor riff do disco; "I´m the Highway", com as guitarras gêmeas de Bjorn e Jesper e com um refrão que a credencia a ser uma das faixas preferidas dos fãs; "Delight and Angers", com ótimas passagens alternando riffs muito legais com pausas para a respiração; "Condemned", que mostra como é possível unir as características dos últimos discos - influenciadíssimos pelo metal norte-americano - para criar uma ótima composição, outra vez com um refrão muito legal; e o death metal melódico, na melhor tradição do Gotemburg Sound, bate ponto em "Drenched in Fear", perfeita para os fãs das antigas.
O único ponto negativo fica pela cansativa e equivocada "The Chosen Pessimist", que se arrasta por mais de oito minutos de um arranjo que bebe direto na fonte dos americanos do Korn, inserindo elementos eletrônicos desnecessários e que não contribuem em nada. "The Chosen Pessimist" é tão diferente das outras onze faixas que parece mais uma sobra de outras sessões de gravação do que uma música composta na mesma safra das que estão no disco.
A produção, de responsabilidade da banda e da dupla Roberto Laghi e Daniel Bergstrand, foi fundamental para o ótimo nível alcançado pelo disco. Os timbres dos instrumentos estão muito bem equilizados, e até mesmo o vocal de Anders Fridén, que nos últimos plays soava forçado e até mesmo irritante em algumas faixas, agrada de imediato.
As ilustrações da capa e do encarte também merecem destaque. Desenvolvidas pelo designer Alex Pardee, transportam o ouvinte para um mundo paranóico e meio claustrofóbico, inspirado nas HQs de terror. Um trabalho sensacional.
E, como se isso tudo já não fosse suficiente, a versão nacional traz como bônus um DVD com mais de três horas de material gravado no estúdio, uma espécie de making off passo a passo da produção do disco. E, o que é raro aqui no Brasil, todo o material está legendado, proporcionando aos fãs brasileiros um complemento muito legal, que ajuda a entender a concepção do trabalho.
Fechando, "A Sense of Purpose" é, sem dúvida alguma, o melhor trabalho do In Flames nos últimos anos, mostrando que o grupo ainda tem muito a contribuir para o heavy metal.
Faixas:
1. The Mirror´s Truth - 3:00
2. Disconnected - 3:37
3. Sleepless Again - 4:10
4. Alias - 4:49
5. I´m the Highway - 3:41
6. Delight and Angers - 3:39
7. Move Through Me - 3:06
8. The Chosen Pessimist - 8:14
9. Sober and Irrevelant - 3:22
10. Condemned - 3:34
11. Drenched in Fear - 3:30
12. March to the Shore - 3:26
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Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.
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