Alice Cooper: mestre na arte de mesclar música e horror

Resenha - Along Came a Spider - Alice Cooper

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Por Rodrigo Werneck
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Mestre na arte de mesclar (boa) música com teatro de horror, Alice Cooper mais uma vez nos brinda com um disco conceitual, o seu mais bem sucedido desde os sucessos retumbantes de “Trash” e “Hey Stoopid”, lançados na virada dos anos 80 para os 90. Este já é seu vigésimo quinto disco de estúdio, em seus 40 anos de carreira de grande sucesso.
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Cooper, ladeado mais uma vez por seu fiel escudeiro Eric Singer, que também é baterista do Kiss, tem neste disco dois novos parceiros principais, Danny Saber e Greg Hampton, que foram responsáveis por grande parte das guitarras, baixos, teclados e vocais de apoio no disco, além da produção e co-composição. Os demais integrantes da banda atual de Alice, nominalmente os guitarristas Keri Kelli e Jason Hook e o baixista Chuck Garric, gravaram algumas participações, assim como alguns convidados bem especiais: Ozzy Osbourne (gaita em “Wake The Dead”) e Slash (solo de guitarra em “Vengeance Is Mine”).

As letras, sempre brilhantemente irônicas, contam a estória de um “serial killer” de codinome “Spider” (“aranha” em inglês), cujos métodos invariavelmente se repetem: ele cerca e mata mulheres, e depois disso corta uma de suas pernas e envolve o restante do corpo numa teia de seda. Ou seja, uma referência aos métodos de caça das aranhas. Em várias partes do disco, o “motto” é repetido: “you trap, you kill, you eat”, ou seja, “você cerca, você mata, você come”. O assassino, cujo verdadeiro nome é Steven (revelado no final da última faixa do CD), tem o objetivo de matar 8 mulheres, e com isso obter as 8 pernas para montar a sua aranha. As coisas se complicam, entretanto, pois Steven se apaixona pela sua oitava vítima... Steven, claro, é um retorno do personagem doentio criado no disco “Welcome To My Nightmare” (1975), e revisitado nos álbuns “Hey Stoopid” (1991) e “The Last Temptation” (1994).

Por sinal, é interessante repararmos que Alice Cooper tem alternado o estilo de seus discos nos últimos anos, desde o seu retorno às atividades em 1986 (após se recuperar dos abusos das drogas e, principalmente, do álcool). “Constrictor” (1986) e “Raise Your Fist And Yell” (1987) iam numa linha heavy metal melódico. “Trash” (1989) e “Hey Stoopid” (1991) eram mais comerciais, embora ainda pesados, e ajudaram Alice a ressurgir de forma mais presente na mídia, embarcando na “onda MTV”. “The Last Temptation” (1994) trouxe um pouco do ar mais tradicional de seus discos antigos. Já em “Brutal Planet” (2000) e “Dragontown” (2001), Alice se distanciou de seu público fiel e foi para os lados do industrial, com músicas pesadas, arrastadas e “sujas”. O resultado não foi tão bom, e aos poucos ele retornou ao seu estilo, primeiramente com “The Eyes Of Alice Cooper (2003) e principalmente com o ótimo “Dirty Diamonds” (2005), sem sombra de dúvidas seu melhor lançamento nos últimos 20 anos. Este novo “Along Came A Spider” mantém o pique, musicalmente falando, mas é um passo adiante em termos de conceito, tema e letras das músicas. As personalidades todas se misturam, propositalmente: Vincent Furnier (seu nome real), Alice Cooper (seu nome artístico), Steven (seu personagem recorrente) e Spider (o novo assassino criado). A arte do belo digipak no qual vem o CD, reproduzida fielmente na edição nacional (lançada pela Hellion Records), inclui fotos antigas e novas de Alice, personificando o menino Steven e o assassino Spider. Até mesmo a maquiagem atual de Alice faz referência ao disco, com 8 “pernas” desenhadas ao redor de cada um dos seus olhos. O generoso encarte de 20 páginas se assemelha a um diário (de Steven) e inclui todas as letras (algo essencial num disco conceitual) e créditos, bem como várias fotos e ilustrações, num estilo que lembra o dos antigos pôsteres de filmes de terror, mais especificamente os do cultuado diretor italiano Dario Argento.

Quanto às músicas, é difícil de se destacar algumas. O disco é bastante coeso, de forma geral bastante pesado para os padrões de Alice, mas sempre mantendo uma boa dose de melodia e, como não poderia deixar de ser, deboche. As participações especiais são relevantes, seja a contagiante gaitinha de Ozzy em “Wake The Dead” ou o ótimo solo de Slash em “Vengeance Is Mine”, que mostra o melhor lado do guitarrista (solar em estúdio). As baladas estão lá, lembrando seus trabalhos da segunda metade da década de 70: “Killed By Love” e “Salvation”.

Talvez o único ponto de certa forma negativo que mereça ser mencionado é a produção do CD. Embora a qualidade sonora esteja impecável, é notório que se um produtor experiente como (o antigo parceiro de Alice) Bob Ezrin tivesse sido convocado para pilotá-la, o resultado teria sido ainda melhor. Ezrin, conhecido por seus brilhantes trabalhos com o Kiss, o Pink Floyd e o próprio Alice, certamente teria extraído melhor resultado das faixas, agregando uma maior dinâmica e alternando de forma mais eficiente momentos pesados e mais calmos. Uma primeira ouvida do disco pode soar como se todas as faixas fossem demasiadamente similares, mas isso é apenas fruto da produção, bastando apenas mais algumas audições para se “pegar” as diferenças entre elas.

No iTunes há 3 músicas adicionais disponíveis para venda: “Shadow Of Yourself”, “I’ll Still Be There”, e “Salvation (Unplugged With Strings)”. Vale a pena também uma conferida no vídeo promocional de 10 minutos disponível no YouTube (contém trechos de 3 músicas, ”Vengeance Is Mine”, “(In Touch With Your) Feminine Side” e “Killed By Love”, e inclui a participação de Slash e da banda de Alice).

Mais um bom lançamento de Cooper, que não dá mostras de cansaço, prometendo muito mais nos anos vindouros. Ao contrário de seus parceiros da banda Alice Cooper original (Glen Buxton, Michael Bruce, Dennis Dunaway e Neal Smith), Alice foi o único que soube se manter jovem ou, pelo menos, jovial...

Tracklist:
1. Prologue / I Know Where You Live
2. Vengeance Is Mine
3. Wake The Dead
4. Catch Me If You Can
5. (In Touch With) Your Feminine Side
6. Wrapped In Silk
7. Killed By Love
8. I’m Hungry
9. The One That Got Away
10. Salvation
11. I Am The Spider / Epilogue

Website: http://www.alicecooper.com

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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