O sufixo "core" pode causar arrepio em muita gente, visto o tanto de coisa que sai por aí, hoje em dia, com essa conotação às vezes mesmo pejorativa - muitas vezes com resultados pífios. Sabendo que o Thriven pode ser definido como metalcore, fiquei meio assim até assistir ao show de estréia dos caras, e qualquer sombra de dúvida se desfez quando coloquei esse EP pra rolar: que soco no cérebro, e quanta criatividade!
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Mas vamos ao som, que no fim das contas é o que interessa: antes de qualquer coisa, é difícil rotular a música dos caras… um cheiro de Lamb Of God e Machine Head fica bem evidente em alguns momentos, mas a esses são somados riffs puramente thrash 80s californiano, cantos de voz limpa, samples e efeitos sonoros riquíssimos. Uma balanceadíssima mistura de viajeira, raiva e um peso avassalador.
'Pure' abre com riffs precisos em suas cavalgadas, desembocando em vocais e alavancadas hipnóticas na guitarra. A bateria foi programada de modo primoroso, eu particularmente acho muito difícil dizer que não é um batera "orgânico" - ainda mais considerando que hoje em dia quase tudo é gravado com trigger… muitas vezes soa artificial, mas aqui passa nem longe do padrão. Levadas ótimas e contagiantes, com um final perfeito - um piano em meio ao caos, excelente.
'Cave' mostra que o vocalista Pedro consegue passar com facilidade de um gutural cavernoso a berros quase histéricos. 'Spring' é a típica sonoridade-pesadelo: notas neuróticas em meio a climas que lembram os melhores momentos industrialóides do Fear Factory e, em menor grau, Ministry. Ainda entram cantos de pássaros (!), vocais mais melódicos e o que se tem é uma alquimia genial, terminando num quase blastbeat.
'Water', com sua atmosfera opressora e andamento mais carregado, fecha deixando um enorme gosto de quero mais pra saber qual a demência que ainda vai sair da cabeça de Sidney (G), Pedro e Felipe (G/V, depois entraram o excelente Fox no baixo e Gigante na batera). Isso porque eles fecham o release dizendo que essas são as quatro piores faixas que você vai ouvir da banda… dá até medo imaginar o que eles têm a produzir - se vier algo nessa linha, a banda se tornará algo de audição simplesmente obrigatória ao fã de música pesada em geral.
E seria sacanagem terminar sem falar do disquinho em si: esse é, fácil, o digipack mais luxuoso que já tive em mãos, um trabalho com capricho e qualidade inacreditável… só vi coisa parecida em CDs quase artesanais de MPB. O material todo é de altíssimo nível, capa é tal qual aqueles antigos livros de capa dura, encarte que se dobra (só vendo pra entender), impressão e imagens belíssimas, papel de primeira, tinta dourada. Algo de cair o queixo mesmo, como se não bastasse o excelente conteúdo musical.
Profissionalismo a toda prova, e quer saber o melhor? Parte da banda só tocava cover até pouco tempo atrás… como eu adoro quando isso acontece: as pessoas páram de emular as criações alheias e passam a desenvolver idéias próprias. E aliás, fica a trivia para o leitor que gosta de uma boa bebida, algo que só o guitar da minha banda prestou atenção: de onde vêm as palavras para o título do EP? Acertando, além de seus ouvidos, o fígado agradece o mimo… Recomendadíssimo pra quem quer escutar algo diferente!
Faixas:
1. Pure (4:30)
2. Cave (3:39)
3. Spring (4:34)
4. Water (5:57)
2008, independente (BR). Tempo total - 18:40
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36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.
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