Resenha - Death Magnetic - Metallica

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Resenha - Death Magnetic - Metallica

Por Lucas Dantas | Fonte: Lucas Dantas Blog

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Ironia das ironias. O Metallica foi odiado por 90% dos internautas graças à sua estúpida briga com o Napster e agora tem que aturar um show de downloads de seu CD, uma semana antes da data prevista. Aparentemente foram os franceses que venderam a obra antes da hora, mas o que importa é que agora o mundo faz a festa. "Eu, eu, eu, o Metallica se f**eu."

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Deve ser muito ruim ser um Metallica. Descontando a grana (Hetfield está só na lista dos 40 músicos mais ricos do mundo), a fama, os shows lotados, as mulheres que já pegaram, as guitarras de primeiríssima linha, deve ser ruim ser um Metallica. A banda não pode fazer nada, pois jamais agradará a todos. Culpa deles e de quatro discos espetaculares. O grande problema do Metallica é que eles não são como as bandas-espelho Iron Maiden, Ramones e Ac/DC, evitando se repetir em cada lançamento. Com os anos de estrada, os caras ganharam conhecimentos, amadureceram e resolveram testar outros sons. Outras bandas se mantiveram fiéis ao som, fãs e mercado. Não condeno nenhuma das duas atitudes, não sou o dono das músicas, mas ambas estão sujeitas a críticas. O modelo Metallica, entretanto, é o mais arriscado e vai de encontro ao ditado "em time que tá ganhando não se mexe".

O Metallica mexeu e sofreu. O mundo não gostou tanto de suas aventuras e os shows só lotavam por causa das antigas. Viraram, guardadas as devidas proporções, uma versão mais pesada dos Stones. Me digam quando foi que Jagger & Richards fizeram um último disco bom mesmo, digno da fama e história da banda que chegou a rivalizar com os Beatles?

Pareciam estar fadados ao mesmo destino apenas nove discos depois. A discussão mais comum no mundo pesado é "bons são os primeiros e os últimos são uma porcaria". Quer dizer, mal há discussão sobre isso, é quase um consenso. E nada indica que o rumo da prosa mudará após o lançamento do "Death Magnetic", o novo trabalho.

Graças aos franceses que venderam o CD antes da hora, hoje, 03 de setembro, eu ouvi o novo cd quatro vezes na íntegra. Queria pegar bem o espírito da coisa, ouvir os detalhes das músicas, distorção, afinação, voz e as passagens. O resultado é que o Metallica lançou o sucessor do Black Album, sendo seu 6º disco da carreira. "Load" (lixo), "Reload" (relixo) e "St. Anger" (santo lixo) são discos de outra banda. Talvez possamos chamar de Countryallica, Newmetallica, ou qualquer coisa do gênero. Eu gosto do "Load" (bastante) como um álbum de hardrock, mas não como um do Metallica. E odeio o "Reload". O "St. Anger" eu nem consegui ouvir até o fim. Por esses motivos, considero o "Death Magnetic" o primeiro álbum de inéditas da banda desde o disco preto.

E foi uma boa volta. Não achei tudo isso que a imprensa vem dizendo por aí. Acredito até que tem gente comprada no meio, tamanha a quantidade de elogios absurdos, que também ouvi na época do "St. Anger", mas depois cessaram. O "Death Magnetic" é para ouvir umas três vezes antes de poder esboçar qualquer opinião mais embasada. Para qualquer pessoa que ouça uma vez só, nem adianta vir conversar que não vou discutir. São tantas músicas quebradas, tantas mudanças de ritmo e passagens diferentes numa mesma faixa que até agora não memorizei uma única canção.

O CD abre bem com "That Was Just Your Life". Outros bons momentos são "The End Of The Line" (ou a "The Other New Song" dos shows de 2006/07), "All Nightmare Long", "Broken, Beat & Scarred" e a ótima "My Apocalipse". As outras músicas são legais também, mas não achei empolgantes como essas. A produção é infinitamente melhor do que o St. Lixo. Temos uma bateria ao invés de latas de tinta. As guitarras voltaram ao Mi clássico do Metallica e o baixo é bem audível o tempo todo.

Sobre os músicos, James Hetfield voltou a gritar, mas não cria mais frases de destaque como antes. Lars Ulrich mostra que como baterista é um ótimo vendedor de quadros, manager de banda e pão-duro de viradas realmente inspiradas. Kirk Hammet volta com seu wha-wha e os mesmos solos rápidos em pentatônica "bluesista". Rob Trujillo é o baixista. Se destaca em "All Nightmare Long" só porque lhe deram o início da música.

A primeira do CD, "That Was...", possui um riff bem pesado, mas a bateria de Lars Ulrich não consegue evoluir como um Dave Lombardo faria com aquelas palhetadas alternadas. E o Metallica continua com uma mania insuportável de diminuir o ritmo na hora do refrão quando deveria manter a porrada. "The End Of The Line" segue a linha (com o perdão do trocadilho) da anterior. Acho que será tocada ao vivo, um pecado, já que não é tão nova assim e tem coisa melhor.

O riff principal de "Broken, Beat..." poderia perfeitamente ser uma cria do Pantera da época do "Far Beyond Driven", caso a guitarra estivesse afinada em ré. A música segura bastante a onda e é uma das poucas que não teima em perder a velocidade no meio ou no refrão. Pelo contrário, aumenta a partir da metade, mas a bateria de Ulrich, mais uma vez, fica devendo.

Em "The Day That Never Comes" a banda tenta renascer uma prática antiga das baladas com peso no final. Tenta tanto que mais uma vez segue a linha de notas Lá Menor, E, Sol e Dó para guiar a parte da voz. Quem toca, saca isso de primeira. O refrão então é muuuuuuuuuuuuito inspirado em "Welcome Home... Sanitarium". A bateria é idêntica!!! Isso faz da música uma boa pedida, já que "Sanitarium" é um clássico sensacional.

Uma das que gostei bastante foi "All Nightmare Long", que não se parece nada com Metallica antigo, novo ou futuro. Eu aposto com quem quiser que ao ouvir a intro da guitarra, "Black Magic" do Slayer será lembrada. Em seguida entra uma mistura de Fight com Anthrax (do "Sound Of White Noise"). A música fica segurando a porrada durante a voz de Hetfield, solta um riffão poderoso no refrão e imagino rodas nos shows, se for tocada mais rápida.

O que dizer de "Cyanide"? Não gostei quando ouvi nas versões ao vivo, achei melhor em estúdio, mas é muito Metallica novo. Muito wha-wha, muito funk no baixo, uma levada quebrada... sei lá, acho que erraram ao tocar essa como amostra do CD. Me lembra Alice In Chains em vários momentos. E o refrão é bobinho, bobinho...

Eis que chega o momento mais curioso. "The Unforgiven III". Um piano "evanescênico" no começo, um refrão bem melódico, um dos poucos solos sem wha-wha e um ritmo lento fazem dessa a música mais obscura do cd, mais fraca que a "Unforgiven" original do Black Album, mas com um abismo de diferença, para melhor, da segunda que está no Relixo.

As duas faixas seguintes, "Judas..." e a instrumental "Suicide" não me cativaram. O CD cai bastante nelas. Já aprendi a passar direto. "Judas..." me lembra "Struggle Within" do Black Album, mas falta o peso desta, principalmente no refrão. A outra, nem falo nada. Para quem já fez "Ktulu...", "Orion" e "To Live Is To Die", essa beira a vergonha.

O CD encerra com "My Apocalipse" onde o Metallica finalmente ficou nervoso. Chuparam "Damage Inc" e "Dyers Eve", colocaram um riff mais simples e sentaram o cacete. Aí sim o CD vale a pena!!! Uma música para fechar o show.

Enfim, depois dessa redação enorme, tudo o que posso dizer é que o Metallica lançou um novo disco. Não é nem de longe uma volta às raízes e está (bem) atrás dos clássicos. Mas finalmente podemos dizer que um novo disco do Metallica foi lançado. Agora é esperar que nenhum deles tenha hemorróidas de novo às vésperas de um show no Brasil.

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