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Good To Be Bad - Whitesnake

Por Ronaldo Costa | Em 25/05/08
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Quando o assunto é música, nem sempre a primeira impressão é a que fica. Logo depois que a gente ouve um CD pela primeira vez, sobretudo quando é de um artista que a gente aprecia, nossas impressões iniciais são meio confusas. De um lado, podemos ter a euforia de escutar material novo na voz daquele vocalista do qual somos fãs, ou experimentar novamente aquele timbre de guitarra familiar em uma canção diferente. Por outro lado, podemos chegar com uma expectativa excessiva e ficar decepcionados, pois sempre temos como parâmetro aquele álbum clássico que a banda lançou lá no passado, e por mais que tentemos evitar, sempre iremos esperar que o novo material seja melhor ou, pelo menos, do mesmo nível daquele. No entanto, quando passa um tempo desde nossa primeira audição de um novo disco, mesmo que seja de algumas semanas, a opinião fica mais fácil de ser emitida e mais próxima daquilo que será nossa visão final sobre a obra.

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Os fãs do Whitesnake por vezes tornam-se reféns da antiga discussão sobre terem existido duas bandas diferentes dentro de uma só ou duas fases bem distintas da mesma banda, o que leva cada um, de acordo com suas preferências pessoais, a gostar mais de determinado período do grupo ou até mesmo apreciar uma fase e renegar a outra. Com isso, há pessoas que têm maior afeição aos tempos de Bernie Marsden e Micky Moody e do hard rock com um apelo mais ‘bluesy’ daquela época. Já outras apreciam mais a fase mais hard oitentista, mais comercial, dos tempos de John Sykes, e onde o vocalista David Coverdale exercia uma influência muito maior sobre a sonoridade da banda.

“Good To Be Bad” traz detalhes que tentam alcançar gregos e troianos. No entanto, fica claro que, como o grande remanescente daqueles dois períodos, David Coverdale influencia hoje, mais do que nunca, no som do grupo e, dessa forma, o álbum soa muito mais próximo à fase oitentista da banda. Em certos momentos, fica a impressão que o álbum foi composto premeditadamente numa tentativa de recriar a sonoridade daquele período, que foi o de maior sucesso comercial da banda.

Mesmo com esse ar de ‘feito sob encomenda’, nada apaga o fato de o disco mostrar-se não menos do que um excelente trabalho, tanto no aspecto técnico quanto no melódico. Coverdale deixa bem claro aos desavisados, já na abertura com a poderosa “Call On Me”, que, mesmo não tendo a mesma voz de três décadas atrás, ainda tem muita lenha pra queimar, percorrendo com classe desde tons mais graves até os agudos, com alguns vocais mais roucos que dão uma beleza ímpar às interpretações. Seja na força e emoção transmitidas pela faixa-título, seja por meio das agradáveis e típicas baladas que não poderiam faltar em um disco da banda, como “All I Want All I Need” e “Summer Rain”, esse trabalho esbanja categoria. Canções como “All For Love” e, sobretudo, a marcante “Lay Down Your Love” (interessante que três faixas levam a palavra ‘love’ já no título) nos levam de imediato à segunda metade dos anos 80, com toques claros de “1987”, mas aqui acrescidos discretamente de um tom mais moderno e atual.

O instrumental é excepcional, realçado pelo ótimo trabalho de produção, com destaque para o impecável trabalho do guitarrista Doug Aldrich, bastante inspirado e que cai como uma luva em álbuns de hard rock. Mas o centro das atenções acaba mesmo sendo David Coverdale. Mesmo que o Whitesnake seja quase como um projeto pessoal seu, a verdade é que sua voz e estilo inconfundíveis ainda fazem uma diferença absurda e somam muito no resultado final.

Voltando lá no começo da resenha, passada a fase inicial de digestão do disco, após um período melhor de avaliação e várias audições, o que fica é que “Good To Be Bad” mostra-se um ótimo trabalho. Poderá sim dividir opiniões. Poderá sim parecer um disco feito mais com a razão do que com a emoção, seguindo uma cartilha que já deu muito certo em outras ocasiões. No entanto, o que importa mesmo é a música que se ouve ao colocar o disco para tocar. E, nesse quesito, Coverdale e cia. fizeram bonito.

01. Call On Me
02. Can You Hear The Wind Blow?
03. Best Years
04. All I Want All I Need
05. Good To Be Bad
06. All For Love
07. Summer Rain
08. Lay Down Your Love
09. A Fool In Love
10. Got What You Need
11. 'Till The End Of Time

Banda:
David Coverdale - vocal
Doug Aldrich - guitarra
Reb Beach - guitarra
Uriah Duffy - baixo
Chris Frazier – bateria
Timothy Drury - teclados

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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