Dark Funeral: espetáculo digno do fim do mundo

Resenha - Attera Orbis Terranun; Part 1 - Dark Funeral

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Por Clóvis Eduardo
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Nota: 9

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Sem reclamar do público headbanger da Polônia, Holanda ou França, acredito que se um dos últimos dois shows que o Dark Funeral fez no Brasil recentemente tivesse sido gravados para um DVD, o resultado seria bem melhor. E o público tupiniquim quem sabe mostraria a verdadeira insanidade a qual merecem os músicos de uma das principais bandas de Black Metal da atualidade.
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Sem tirar nem por, cada um dos três shows que estão no novo DVD do Dark Funeral são excelentes. Seja em Katowice (Polônia), Tilburg (Holanda) no disco um e em Paris (França) no disco dois, a banda está 100% dedicada em fazer de cerca de uma hora de show, um espetáculo digno do fim do mundo. Mas estou confiante e até por ter conferido uma das últimas apresentações da banda sueca no Brasil, que com estrutura de som e luz profissional, o grande diferencial deste lançamento seria mesmo, o registro em terras brasileiras.

A grande percepção que se tem destes dois DVDs, é que o público europeu não tem aquele “feeling” para o Black Metal assim como o brasileiro, por exemplo. Poucas ou nenhuma roda se forma durante os shows, assim como dificilmente você verá alguém batendo cabeça, principalmente no DVD 1. Ao final de cada canção, poucas palmas e gritos são ouvidos, num clima de total frieza com os músicos que se esforçam para executar músicas rápidas, técnicas e com mensagens de alto teor satânico. Não quero dizer que o show do Dark Funeral tem de virar uma esculhambação, mas sim, registrar que um pouco de atitude durante estes eventos fazem tão bem para o próprio público como para a banda.

O mérito fica sim, para o som do Dark Funeral, que se torna ainda mais poderoso e sujo ao vivo, reforçado por duas guitarras com efeitos devastadores, cuja sonoridade chega a grudar no ouvido de tão densa. O vocal rasgado de Emperor Magnus Caligula dá impressão de que ao final do show, ficará sem voz, tamanho o esforço para “declamar” as letras e cuspir rápidos urros. Mas o difícil mesmo neste tipo de som, é a vida do baterista. São longos minutos de constantes metralhadas na caixa, bumbos e tons, tocados à toda velocidade. Em matéria de blast beats e viradas espetaculares, Matte Modin sempre foi um especialista e não decepciona.

Os principais shows trazem praticamente o mesmo set-list, só que com a ordem das músicas um pouco modificada. Em evidência, “The Arrival Of Satan Empire”, “Open The Gates”, “My Dark Desires”, “Vobiscum Satanas” e “An Appretience Of Satan”, são algumas das melhores canções, que ganham ainda mais força quando tocadas ao vivo. “King Antichrist”, que abre tanto os shows em Tilburg como em Paris, mostra toda a destreza na garganta de Caligula, vestido com colete com um pentagrama vermelho estampado no peito.

O show gravado na Holanda tem muitos efeitos de câmera, como velocidade mais baixa para captação dos movimentos de palhetadas na guitarra e no baixo, dando um destaque mais lento para os detalhes. Inclusive é neste show em que a banda precisa chamar o público para se manifestar já ao final da segunda música.

Apesar da frieza do público, o Dark Funeral conseguiu colocar um registro de respeito aos fãs pelo resto do mundo. Isto com o conteúdo dos três shows existentes, já que no segundo DVD, as gravações amadoras das primeiras apresentações da banda pelos pequenos e sujos clubes da Escandinávia lá por 1994 serve mais como arquivo histórico, apesar de ser impossível deixar de conferir o início de carreira dos suecos.

Uma grande demonstração de ódio, raiva, apocalipse e velocidade. Se esta é mais ou menos a definição que o Dark Funeral coloca sobre os próprios ombros, cabe aos fãs apreciarem este registro e confirmarem o título. Ah, e fique tranqüilo, a segunda parte de “Attera Orbis Terranun” promete sair em breve e ser ainda melhor. Fico apenas na torcida para que o público mostre um pouco mais de interesse pelo espetáculo, já que do outro lado, a banda dá conta do recado muito bem.

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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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