Chthonic: Black Metal Sinfônico feito em Taiwan

Resenha - Seediq Bale - Chthonic

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Por Gustavo Hermann
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Nota: 5

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A economia chinesa* experimentou um crescimento fantástico nos últimos anos por meio da fabricação de produtos tipicamente ocidentais, voltados para o mercado de consumo ocidental, produzidos com tecnologia ocidental. E parece que o país se especializou de tal forma nesse ramo que agora está produzindo também música ocidental e exportando-a com sucesso para o Ocidente. É o caso da banda de black metal taiwanesa Chthonic.
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Apesar do verniz oriental, o som da banda é completamente calcado no "black metal sinfônico" surgido no final da década de 90 com bandas como Dimmu Borgir e Covenant. E esse é justamente o problema do Chthonic, sua falta de originalidade. Assim como boa parte dos produtos chineses consiste em genéricos de qualidade inferior, também o Chthonic é um genérico de produtos ocidentais melhor acabados. Não que o som seja ruim, é bem feito e tudo mais, mas ainda assim batido e sem graça, a banda ganha evidência com uma década de atraso em relação aos seus pares ocidentais.

"Mas o corpsepaint que eles usam e as letras que escrevem têm inspiração na cultura e folclore taiwaneses, até usam a língua materna deles nas músicas e um instrumento específico da cultura deles numa música. Ah, e as capas dos discos tem um visual bem oriental..." Sim, isso tudo é verdade. Mas nada disso torna a banda menos genérica. Trocando a capa por uma imagem viking e mudando um ou outro detalhe superficial a banda passaria por uma banda norueguesa facilmente. O corpsepaint pode ter a inspiração que quiserem, mas é idêntico ao das bandas de black metal ocidentais. A única coisa que denuncia a origem da banda no visual são as características étnicas dos membros, pois de resto é tudo idêntico ao visual batido da maioria das bandas ocidentais - que convenhamos, já não assusta mais ninguém, não tem mais impacto, se tornou até mesmo um elemento cômico.

O disco em questão, "Seediq Bale" (05) é em grande medida uma cópia descarada do disco "Nexus Polaris " (98) dos noruegueses do Covenant. Os vocais femininos, os riffs, os teclados, tudo lembra demais esse álbum, exceto os vocais - que no caso do Covenant são bem peculiares, já no caso do Chthonic soam bem genéricos. A banda é tão ocidentalizada que em vez de um nome inspirado na sua própria cultura traz um nome grego. Ironicamente uma referência à Grécia, berço da civilização ocidental!

Quem estiver procurando por um metal diferenciado, original, que realmente incorpore elementos orientais à sua sonoridade e proposta, aconselho ir atrás de material da banda israelense Orphaned Land. O Chthonic pode agradar os fanáticos pelo estilo ou aqueles que tiveram pouco contato até o momento com o que tem sido feito em termos de black metal sinfônico no Ocidente, pois pra quem acompanha o gênero há mais de uma década, desde o álbum "Enthrone Darkness Thriumphant" do Dimmu Borgir (97) e o já citado "Nexus Polaris" do Covenant (98), o Chthonic não tem nada de novo pra oferecer.

* Nos últimos anos o Ocidente foi invadido por produtos made in China. A maior riqueza do país, sua mão-de-obra barata, atraiu as corporações e a China se tornou a “fábrica do mundo.” Como conseqüência sua economia sofreu um crescimento astronômico, e, devido ao seu tamanho colossal, o país já possui PIB mais alto que o das grandes potências européias, mesmo se tratando ainda de um país em desenvolvimento. Outra conseqüência do crescimento da China é o seu impacto ambiental. A industrialização do país e sua incorporação ao capitalismo geraram uma enorme demanda de energia e recursos com resultados catastróficos. 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo ficam na China e o país é o segundo maior emissor de gás carbônico (CO2) do planeta.

Bom, o que todo esse papo sobre a China tem a ver com o Chthonic? Ocorre que muitos desconhecem que Taiwan, país de origem da banda, não é atualmente reconhecido como país independente pela maioria dos países do mundo, mas considerado uma província rebelde chinesa. A ruptura entre China e Taiwan se mantém desde 1949, quando ocorreu em função da fundação da República Popular da China na China continental.

Em 2007 a União Européia se opôs ao referendo que propunha a incorporação de Taiwan às Nações Unidas. Diante disso, a banda Chthonic soltou o single "UNlimited TAIWAN", como protesto contra a UE pela sua atitude de "limitar a participação de Taiwan como país independente".

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