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Resenha - Live After Death - Iron Maiden

Finalmente! Passados vinte e três anos de seu lançamento original em 1985, o antológico “Live After Death” ganha uma versão em DVD digna de sua importância. É claro que a maioria dos fãs do Iron Maiden possuem a versão “cachorra” pirata que era encontrada com facilidade nas bancas de revistas do país há alguns anos atrás, o que só serve para perceber o quanto foi exemplar o trabalho feito nessa versão oficial.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O show principal, que está no disco 1, já foi analisado milhares de vezes e está na mente não só dos fãs do grupo, mas de todo e qualquer fã de Heavy Metal. Registro definitivo da emblemática “World Slavery Tour”, maior e mais importante turnê da história do Maiden, responsável por elevar o grupo para o Olimpo da música pesada (de onde nunca mais saiu, diga-se de passagem), traz todos os elementos que fizeram da Donzela uma banda única: a performance incendiária de um grupo em seu auge; um vocalista performático, carismático e, mesmo que ainda não em seu ápice técnico vocal, dando uma aula de interpretação (digo isso porque, se você comparar, por exemplo, a performance de Bruce Dickinson em “Live After Death” e no “Rock in Rio”, perceberá como ele aprendeu a usar a sua voz com o tempo, levando-o a cantar melhor hoje do que na década de oitenta, o que não tira, em hipótese alguma, o brilho de sua atuação); uma dupla de guitarristas que elevou o termo “twin guitars” a outro nível, escrevendo um capítulo à parte na história do Heavy Metal; e uma cozinha altamente técnica, que soube usar toda a sua força para criar e definir algumas das passagens mais marcantes da história da música pesada.

Entre as músicas, destaques óbvios para os clássicos “Aces High”, “The Trooper”, “Revelations”, a soberba “Rime Of The Ancient Mariner”, “Powerslave” (na minha opinião uma das melhores músicas do grupo), “The Number Of The Beast” e “Hallowed Be Thy Name”.

Na parte técnica do DVD, fica claro como o vídeo e, principalmente, o áudio do mesmo receberam um exemplar tratamento, adequando-se as novas tecnologias. O som 5.1 que sai dos alto-falantes é puro e cristalino, proporcionando um imenso prazer ao ouvinte. Uma curiosidade: quem está acostumando com o CD “Live After Death” poderá estranhar algumas faixas, já que, ao contrários do que muitos pensam, os shows do CD e do DVD são diferentes.

No disco 2 estão algumas jóias que irão fazer a alegria dos fãs. A primeira, e principal, é a segunda parte do documentário “The History Of Iron Maiden”. Cobrindo justamente o período mostrado no show principal, ou seja, os anos de 1984 e 1985, época do lançamento dos discos “Powerslave” e “Live After Death”, o documentário traz inúmeras histórias e curiosidades, como o hilário causo do baterista Nicko McBrain, que em um show do grupo pelo interior dos EUA resolveu dar um pulo na piscina que havia atrás do palco na passagem de baixo de “Rime Of The Ancient Mariner”, tamanho o calor que fazia no palco. Não fosse um roadie o chamar de volta McBrain perderia o tempo da música … Pela primeira vez a banda fala do quão difícil e extenuante foi a tour, que, segundo eles próprios, quase levou o grupo ao fim, devido a enorme quantidade de shows e o consequente desgaste, tanto fisico quanto de convivência.

Mais alguns extras completam o DVD, com destaque para o documentário “Behind The Iron Curtain”, mostrando a passagem do Maiden pela Polônia, em uma época onde a Cortina de Ferro ainda existia, sendo que a Donzela foi um dos primeiros grupos a tocar no fechado leste europeu. O momento em que a banda, completamente bêbada, toca em uma festa de casamento (?!) uma versão de “Smoke On The Water” beira o inacreditável…

Há também o curto vídeo “´Ello Texas”, com entrevistas, os clipes de “Aces High” e “Two Minutes To Midnight”, galeria de ilustrações e fotos, as datas da tour e um programa da turnê repleto de detalhes curiosos a respeito da excursão.

Deixei por último o extra que provavelmente mais vai interessar aos fãs brasileiros, que é o vídeo do grupo tocando no Rock in Rio de 1985. Este registro tinha tudo para ser o mais legal do DVD, mas acaba frustrando os telespectadores. A qualidade, tanto de som quando de imagem, é ruim e decepcionante. Tudo bem que a responsável pela captação do material naquela época foi a TV Globo, mas faz falta um acabamento e um tratamento melhores no material, seguindo o que foi feito com o vídeo original. O show é antológico, a banda toca com energia contagiante, há o famoso caso da cabeçada de Bruce na guitarra de Dave Murray, cantanto “Revelations” com o rosto coberto de sangue (o que levou aos repórteres da Globo na época a concluir que era mais um truque cênico da banda … ), e, além de tudo, possui um valor altamente histórico e sentimental para nós brasileiros, fatores esses que só aumentam a frustração de assisti-lo com uma qualidade tão irregular.

Fechando, o DVD vem com um longo encarte repleto de fotos e dados sobre a tour, mais ou menos como o encarte que saiu na versão “enhanced” do CD.

O lançamento de “Live After Death” em DVD oficial pela banda é uma notícia digna de elogio. O trabalho feito na adequação do vídeo original às novas possibilidades tecnológicas disponíveis atualmente foi muito bom, assim como a segunda parte do documentário que conta a história do grupo. Uma pena que justamente o extra mais aguardado por nós, brasileiros, tenha uma qualidade tão ruim, o que certamente decepcionará e frustrará uma parcela dos fãs. “Live After Death” é um ótimo DVD, e, não fosse por esse deslize, ganhava nota máxima.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.

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