Depois de um bocado de confusão com a saída do (excelente e temperamental) vocalista Messiah Marcolin, os pais do Doom Metal voltaram com força total e renovados. Já são mais de duas décadas de história, sacramentada em oito álbuns de estúdio. Com a entrada de Robert Lowe, que também canta no Solitude Aeturnus, o mais novo disco – o nono –, intitulado "King of the Grey Islands", põe-se junto aos melhores na coleção dos suecos do Candlemass.
Nota: 9 








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Todo o peso e a melancolia vêm desde a intro, “Prelude”, que é bem sombria e apresenta “Emperor of the Void”, uma daquelas que já vale o disco. Os riffs firmes de Lars Johansson e Mats Björkman ecoam de forma violenta, uma guitarra com o famoso “wah-wah” dá um toque a mais e o ritmo é consistente, só aumentando o peso. A composição é muita boa, com o refrão bradando a letra que deu nome ao disco - bela capa por sinal. O destaque fica pelo clima grandioso, que é enfatizado por um teclado bem discreto, mas eficiente, além da voz de Lowe, se encaixando perfeitamente.
O disco segue com “Devil Seed”, que tem um andamento mais arrastado e linhas simples, elementos típicos do Doom dos suecos. A faixa parece saída de um filme de terror e remete bastante ao som que o Black Sabbath fazia em seus primórdios. A voz de Lowe trás um desespero especial, ainda mais nesta faixa, que tem a letra falando do vazio existencial. Enquanto isso, “Of Stars and Smoke” tem tudo que o Candlemass costuma fazer, mas um refrão mais melódico, muito bom também.
Outros bons momentos vêm em faixas como “Demonia 6”, “Man of Shadows”, com grandes solos de Johansson e um refrão bem dark, além de “Clearsight”, que mostra linhas de vocal muito boas por Robert Lowe. Para encerrar, uma intro instrumental para a faixa mais longa do disco, a épica “Embracing the Styx”, com oito minutos. Além do clima grandioso, há muitas variações, como um momento só no baixo – cheio de distorção – e o final mais lento, no violão.
Talvez o único porém do disco fique na parte de produção. No geral, tudo é muito bom, pesado, mas poderia haver esta preocupação também com a bateria de Jan Lindh. Apesar da precisão segurando o ritmo, em alguns momentos as faixas pedem mais e as batidas ficam um pouco “escondidas” atrás das guitarras, sempre em primeiro plano.
O belo bônus da edição fica com os dois clássicos do Candlemass “Solitude” e “At the Gallows End” – creditados fora de ordem na contra-capa –, regravados na voz do novo integrante. O resultado é muito bom. Claro que pinta uma saudade das versões originais, já que elas já estão gravadas nas mentes do fãs da banda, mas dizer que Lowe faz um serviço ruim é simplesmente impossível. E a gravação bem crua, 100% real, só dá mais crédito à atual formação dos suecos.
Leif Edling & Cia não deixaram a saída de Messiah Marcolin abalar a banda. Pelo contrário, tiveram peito para chamar um vocalista totalmente diferente, mas sem perder a identidade de mais de duas décadas de Doom Metal. “King of the Grey Islands” é um item que se encaixa entre os melhores da carreira do Candlemass, então, se você ainda não ouviu, corra atrás. Aliás, demorou!
Formação:
Robert Lowe – vocal
Mats Björkman - guitarra-base
Lars Johansson – guitarra
Leif Edling – baixo
Jan Lindh – bateria
Track List:
1. Prologue
2. Emperor of the Void
3. Devil Seed
4. Of Stars and Smoke
5. Demonia 6
6. Destroyer
7. Man of Shadows
8. Clearsight
9. The Opal City
10. Embracing the Styx
11. Solitude
12. At the Gallows End
Lançamento Nacional - Rock Brigade Records/Laser Company
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Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).
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