É praticamente um consenso entre fãs e críticos: a volta de Brett Gurewitz fez muito, mas muito bem mesmo ao Bad Religion. Não que os três álbuns feitos sem ele fossem exatamente ruins – mas é impossível negar que os últimos CDs da banda, gravados depois da volta do guitarrista e compositor, são muito mais fortes e relevantes musicalmente.
Nota: 8 







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Os assuntos básicos da banda não mudaram – de fato, pode-se dizer que o objetivo sempre foi criticar (de modo muito inteligente, diga-se) o conformismo e as ameaças à liberdade individual promovidas por governos e religiões. Mas deve ser dito que a indignação do Bad Religion não diminuiu com o tempo, pelo contrário – em muitos momentos, como em “Murder” e “Grains of Wrath”, é possível sentir a revolta literalmente pulsando nas caixas de som. E, como os principais compositores (Gurewitz e o vocalista Greg Graffin) estão obviamente mais maduros, a mensagem é passada com uma sofisticação especial, que não diminui a música do grupo, mas sim a fortalece ainda mais.
As músicas, aliás, são em sua maioria muitíssimo boas. Destaques possíveis são muitos: “New Dark Ages”, “Honest Goodbye” (que conta com um refrão sofisticado e muito bonito), “Prodigal Son”, “Scrutiny” (começa com uma contagem de 1-8 simplesmente empolgante), “Requiem For Dissident” (outro refrão marcante) e “Submission Complete” são canções que saltam aos ouvidos já nas primeiras voltas do CD. A voz de Graffin está tão marcante quanto sempre, o instrumental soa muito coeso (com destaque para o trabalho impressionante do ótimo baterista Brooks Wackerman) e as harmonias vocais, sempre um dos fortes do grupo, seguem criativas e envolventes como sempre. Mas, em um disco cheio de destaques, me parece que esse “New Maps Of Hell” apresenta o seu melhor no final: “Fields Of Mars”, uma música muito bonita, ainda que veloz e raivosa, como convém a uma das bandas mais respeitadas do punk rock atual.
Tirando a média, “New Maps of Hell” pode não ser tão impactante quanto seu antecessor – especialmente devido a algumas poucas músicas como “Dearly Beloved” e “The Grand Delusion”, que não conseguem alcançar o nível de excelência das demais. Mas trata-se de um disco de alto nível, que dignifica ainda mais a já respeitabilíssima carreira do Bad Religion e se revela como uma boa aquisição para qualquer apreciador de punk rock – o que, convenhamos, é o que realmente interessa.
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Igor Natusch é gaúcho, gremista, profissional de vídeo, jornalista, baixista e fã de Heavy Metal desde que se conhece por gente. Viciado no Metal oitentista, em especial NWOBHM, gasta boa parte do seu tempo livre pesquisando sobre bandas da época, tentando ao mesmo tempo não se desligar dos sons e novidades do presente. Apegado ao passado, ainda não tomou coragem para jogar fora suas fitas K7, embora já tenha substituído todas elas por arquivos mp3 há muito tempo. E nunca pintou a barba em toda a sua vida.
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