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Resenha - Shakespeare's Macbeth, A Tragedy In Steel - Rebellion

Algumas situações podem ocorrer quando parte de uma banda debanda (que trocadilho!). Muitas vezes, a mudança é para pior: nada depois disso dá certo. Em outras, para o delírio dos headbangers, quer dizer que novos grupos se desmembrarão daquele primeiro e poderão resultar até em algo vantajoso. Exemplos? Angra, que com o passar do tempo tem a companhia do Sha(a)man e, depois, de um novo Shaman e a carreira solo de Andre Matos. Ou o Sepultura, que já deu em Soulfly e tem como próximo passo o Cavalera’s Conspiracy. Bom ou ruim? A quantidade aumentou, a qualidade fica por conta da avaliação de cada ouvinte/fã.

Nota: 7

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Um exemplo desses aconteceu com o Grave Digger e o Rebellion. A primeira banda contava com Chris Boltendahl e o guitarrista Uwe Lulis até o lançamento do disco “Excalibur”, de 1999. No aniversário de duas décadas do grupo, no ano seguite, Lulis alegou diferenças pessoais e de negócios e deixou a banda. Depois de um tempo, surgiu a tal ramificação, com o nome de Rebellion, contando ainda com Tomi Göttlich, ex-baixista do Grave Digger, além de Michael Seifert (vocal), Björn Eilen (guitarra) e Randy Black (bateria).

Enquanto a ex-banda lançava o excelente “The Grave Digger” e seguia com bons lançamentos (culminando em “Liberty or Death”, álbum mais recente que manteve a qualidade em alta), o Rebellion arriscou seu primeiro passo com o conceitual “Shakespeare's Macbeth – A Tragedy in Steel”, em 2002, lançado recentemente no Brasil pela Rock Machine Records e motivo desta resenha. (O disco “Born a Rebel”, de 2003, também foi disponibilizado pela gravadora).

Fica claro que, neste disco, a banda ainda não achou a sua identidade e, por ser liderada por um ex-Grave Digger, seu som sempre terá uma pitada da tradicional banda alemã. Ao mesmo tempo, Uwe Lulis se rodeou de músicos competentes e uma idéia bastante megalomaníaca de recriar a famosa história de William Shakespeare. O guitarrista, junto à sua trupe, não se mantiveram apenas com as canções, mas apresentam diversos narradores para a história, interpretando trechos e dando realmente uma roupagem ao disco. São falas como no teatro mesmo e barulhos de espadas e o que mais fosse preciso para fazer o álbum conceitual, de 72 minutos em 11 faixas.

E sobrou até para parte do próprio quinteto: Tomi Göttlich interpreta Macbeth, Björn Eilen faz o personagem Macduff e Randy Black é creditado como Doctor. Literalmente são músicos do tipo “pau para toda a obra”.

Quanto à música, o disco começa lembrando o Digger, com aquele Metal Tradicional cheio de peso e velocidade. Mas nem tudo é mera cópia. O vocal de Michael Seifert, neste disco, tem personalidade e é bem peculiar. Rasgado como o de Chris Boltendahl, mas bem voltado a linhas mais agudas. É assim a primeira faixa – após uma introdução –, “Disdaining Fortune”, que já trás o ouvinte para o play. A música é bem boa, o curioso é notar em sua letra citações à Escócia. Escócia? Sim, aquela mesma retratada em “Tunes of War”, do Grave Digger, álbum de 1996 e considerado por muitos o melhor do grupo. Mas chega de falar do antigo grupo, não?!

“The Prophecy” começa no violão e com uma bela linha vocal de Michael, mas logo entra em uma levada mais pesada, lembrando bastante a fase (mais) áurea do Judas Priest. Um dos fatores de maior qualidade neste debut do Rebellion foi realmente o vocal. A parte instrumental, na maior parte do disco não tem nada de complexo mas é eficiente. Já nas vozes (além da parte interpretativa e de narração da história), foi feito um trabalho bem grande, sempre com várias camadas de vozes de Michael, que não decepciona, ou ainda por meio de corais.

A primeira faixa mais épica é “Husbandry in Heaven”. Em seus 12 minutos, apresenta vocais femininos, guitarras limpas e mais pesadas e muitas mudanças de andamento e de climas.

Outra boa faixa é “Evil Speaks”, bem direta e que depois se torna pesada e mais cadenciada, além da próxima, “Letter of Blood”, que, na mistura de influências que a banda trás do Power Metal e do Tradicional, lembra muito o Primal Fear, onde batera canadense Randy Black entraria no ano seguinte. Há até os backing vocals mais graves no refrão, como o baixista Matt Sinner faz no grupo.

Se até aqui tudo estava bom, a coisa esfria um pouco em "Revenge" e "Claws of Madness", até pelo fato de o CD ser um tanto longo. Mas “Demons Rising” volta a dar qualidade e “Die with Harness on Your Back” traz riffs inspirados (sim, lembram o Grave Digger...).

Ao fim, a impressão é clara de que o Rebellion ainda procura neste tempo o seu som para não parecer com tantas outras bandas alemãs do estilo. Outro problema em alguns momentos é a produção, que desfavoreceu o cuidadoso trabalho vocal, mas também nada de tão grave. “Macbeth” pode ser considerado um disco bom, que deixa o ouvinte querendo saber o que será do próximo passo: “vai ou racha?”. Ouvindo o mais recente álbum, “Miklagard — The History of the Vikings Volume 2”, que é parte de uma trilogia sobre reais histórias dos Vikings, parece que, em vez de se distanciarem, eles chegaram mais perto do Grave Digger, ainda mais por fazerem discos concentuais e predominantemente épicos. Além de o disco ter vocais mais voltados àqueles de Boltendahl. E depois os caras vão reclamar das comparações... Bom, mas isso fica para uma próxima resenha...

Track List:
"Introduction"
"Disdaining Fortune"
"The Prophecy"
"Husbandry in Heaven"
"The Dead Arise"
"Evil Speaks"
"Letters of Blood"
"Revenge"
"Claws of Madness"
"Demons Rising"
"Die with Harness on Your Back"

Formação:
Michael Seifert - vocal
Uwe Lulis - guitarra
Björn Eilen - guitarra
Tomi Göttlich - baixo
Randy Black - bateria

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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