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Dead Again - Type O Negative

Por Maurício Gomes Angelo | Em 14/12/07
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Os nova-iorquinos do Type O Negative sempre foram uma das bandas, para ficar num termo adequado, mais “idiossincráticas” do metal. Longe de praticar uma melancolia modorrenta e insuportável (um mal de alguns nomes do “goth” e “doom”) o Type descende da melhor fonte possível: Christian Death, Celtic Frost, Candlemass e Trouble, dentre outros.

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Peter Steele e seus asseclas sempre se caracterizaram pelo humor peculiar (a exemplo do título da coletânea “The Least Worst Of”), a profunda influência de Black Sabbath, o reconhecido toque punk de sua sonoridade, o vocal inconfundível de Peter e a atmosfera tensa e soturna, no sentido de rir-se, até, da própria agonia.

“Dead Again”, portanto, honra com sobras a tradição do grupo, que, se nos últimos tempos tem mantido um intervalo de 3 a 4 anos entre um álbum e outro, acaba compensando em sua duração - uma hora e dezessete minutos - algo constante desde a estréia. Este aqui acaba funcionando como um compêndio do melhor já visto em obras como “Slow, Deep And Hard”, “Bloody Kisses” e “October Rust”.

A morte, tema corriqueiro para eles, aparece junto às reflexões angustiadas (e agora mezzo “religiosas”) de Peter, sempre capaz de gerar polêmicas. O longo processo de composição e feitura do álbum, se reflete, naturalmente, em faixas como “Tripping A Blind Man”, “The Profits Of Doom” e “September Sun”, uma trinca de respeito que traz a banda em ótima forma, explorando com notável competência a força criativa de seus integrantes. As estruturas estão bem orgânicas, numa relação envolvente entre o instrumental e as linhas vocais, ainda que por vezes pequem pelo exagero e prolixidade.

O épico “These Three Things”, de 14 minutos, no entanto, não se torna pesaroso de escutar, resumindo o clima pesado e nebuloso de sua discografia, reforçado pela produção propositadamente suja que o álbum teve. Destaque também para “Halloween In Heaven”, excelente balada que traz o interessantíssimo contraponto da voz de Steele com a vocalista Tara Vanflower.

Desde a arte gráfica, seja com a lendária figura russa de Rasputin estampada, seja no encarte – que, aberto, forma uma cruz – além das letras invertidas e todo o tratamento que teve, até a contracapa, “Dead Again” é um exemplar puro – e inspirado – do Type O Negative. O verso, aliás, contém uma citação do imperdível comediante estadunidense Groucho Marx, que sintetiza perfeitamente o espírito do grupo: “o que quer que seja, nós somos contra”. Nada mais Type O do que isto.

Formação:

Peter Steele (Baixo/Vocal)
Kenny Hickey (Guitarra/Vocal)
Johnny Kelly (Bateria)
Josh Silver (Teclados)

Site Oficial: www.typeonegative.net

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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