Arghon: competente Heavy Metal estilo anos 90

Resenha - Equilibrium - Arghon

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Por Tiago Lucas Garcia
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Não sei se trata-se de uma senilidade precoce de meu aparelho auditivo, mas toda vez que, hoje, ouço bandas de metal melódico/progressivo, caso do Arghon, sinto certa nostalgia. Acho mesmo, ainda que bandas dos estilos continuem a lançar álbuns relevantes, que os estilos já podem ser caracterizados como típicos do ‘miolo’ dos anos noventa.
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Neste período foi que as sementes lançadas pelos ‘Keepers’ do Helloween, pelo Manowar e por ‘Images and Words’ do Dream Theater resultaram em uma multiplicidade de clássicos do gênero; isto tanto em relação a bandas que no período atingiram sua maturidade (nos lembremos do "Imaginations..." do Blind Guardian, do "Episode" do Stratovarius, do "The Damnation Game" do Symphony X, por exemplo), quanto em relação às bandas novas que surgiram no período ‘bebendo deste caldo’ (lembremos da correria às lojas que causou o álbum "Glory To The Brave" do Hammerfall e o debut do Rhapsody).

Da mesma forma no Brasil também houve, no período, uma explosão de bandas do estilo; poderíamos, de pronto, citar o Dark Avanger (manowarístico, mas ainda melódico), o Fates Prophecy (madeniano, mas no rastro dos anos 90), o Wizard (e seus refrões grudentos) e tantas outras (somente o Angra, contrariando as regras, resolveu cometer – em pleno 96! – a “besteira” de lançar um álbum ‘genialmente ousado’, que aliás, no momento do lançamento eu também não gostei, chamado "Holy Land"). Mas enfim, a resenha é sobre o ARGHON....

A banda Arghon do ABC paulista foi formada em 2002, período em que conquistou em um concurso de bandas o direito de realizar um show de abertura para o Angra. Da mesma forma (em 2003) a banda ficou entre as seis melhores colocadas no SP Metal Festival, o que garantiu à banda a gravação de um DVD na ‘Escola de Musica e Tecnologia’ (EM&T). Somente agora, no entanto, em 2007, com um currículo bem legal nas costas, é que o Arghon lançou seu primeiro CD chamado "Equilibrium".

O som da banda, como já pude dar a dica, é absolutamente fincado nos pilares dos tradicionais discos dos anos noventa (e pouco). Mais especificamente, a banda se escora bastante no próprio Angra, no bom vocal de Pedro Nascimento, nas guitarras ‘staccadas’, à la Rafeal e Kiko, de Renato Sotto e Jean Carlos, assim como, por outro lado, nos ‘standarts’ do metal progressivo, de onde a banda retira suas passagens instrumentais mais extensas.

Como as faixas de destaque de Equilibrium eu elegeria "Far Beyond The Sky", faixa com certo ar de Savatage (dos anos 90, é claro!), "Run Away" (típico metal melódico com refrão interessante), assim como a balada "Lost Angel" (ótimo trabalho do tecladista convidado).

Enfim, para produzir um balanço do que penso acerca do CD "Equilibrium" (com o perdão do péssimo trocadilho), tenho de dizer que da Introdução ("Over Come") ao encerramento ("Transictium") do CD não há nada de novo, mas isto não é necessariamente ruim! O Arghon é um competente exemplo de metal nacional aos modos dos anos noventa, bem tocado, com uma gravação competente, faixas interessantes que certamente irão satisfazer aqueles que curtem o som cozido no caldo entre o melódico, o metal progressivo e o hard, tão comum nos, já exaustivamente citados nesta resenha, ‘anos noventa’.

Tirem suas próprias conclusões no site da banda Arghon.

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