Resenha - Lover Of Life, Singer Of Songs - Freddie Mercury

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Resenha - Lover Of Life, Singer Of Songs - Freddie Mercury


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No ano em que completaria 60 anos, Farrokh Bulsara, nativo de Zanzibar, ganha um registro à altura de sua excêntrica e divertida carreira solo em uma bela coletânea lançada pela EMI. Você deve conhecer o sujeito por seu famoso alter-ego: Freddie Mercury, todo plumas, paetês e bigodes, aquele que é considerado um dos vocalistas mais carismáticos e performáticos da história do rock.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Nestas 20 faixas, não espere encontrar o tipo de trabalho típico que Mercury desempenhava à frente do Queen. Livre dos riffs grudentos de Brian May e da bateria sincopada de Roger Taylor, Mercury se solta e se revela em toda a sorte de exageros que, em sua banda original, eram apenas e tão somente as cerejas do bolo. Em seu trabalho solo, o cantor é muito mais pop do que rock - o que não significa, em nenhum momento, um decréscimo na qualidade. Espere muito mais corais, muito mais sintetizadores e teclados, muito mais cores e brilhos. Todo em profusão e funcionando com perfeição, dividindo-se entre baladas de amor rasgado, flertes com a música clássica e batidas dançantes que incendiariam qualquer pista dos clubes contemporâneos..

O álbum faz um pacote dos melhores momentos de seus dois discos solo. Do ótimo Mr. Bad Guy (1985), além da faixa-título, temos as tocantes There Must Be More To Life Than This e Love Me Like There's No Tomorrow, um remix ainda mais putz-putz da já originalmente sacolejante Living on My Own, Foolin' Around e ainda Made in Heaven e I Was Born to Love You - as duas últimas, reeditadas mais tarde no disco póstumo do Queen, "Made in Heaven" (1995).

Já de Barcelona (1988), registrado em parceria com a soprano Monserrat Caballé, a dupla solta suas gargantas privilegiadas em Guide Me Home (disponível na versão original e também em uma melancólica versão instrumental meio jazzística, cortesia do pianista Thierry Lang), The Golden Boy (e sua levada meio "Fantasma da Ópera"), How Can I Go On e a pomposa faixa-título, que ficou famosa ao se tornar o tema das Olimpíadas de 1992, realizadas na cidade de mesmo nome.

Outros projetos solo de Mercury também pontuam o disco, como é o caso do já lendário cover de The Great Pretender, do grupo The Platters - também em sua versão original e ainda em um remix de ares meio country rock cortesia de Brian Malouf. E também de Love Kills, gravada pelo músico para fazer parte da trilha sonora do relançamento do clássico Metropolis, outra a ser apresentada em formato original e em um remix - desta vez, absolutamente dispensável em forma e conteúdo.

Para os fãs, no entanto, o grande destaque é a inclusão das canções I Can Hear Music (releitura dos Beach Boys) e Going Back. Lado A e lado B do primeiro disco da carreira de Mercury, lançado em 1973 e antes mesmo da primeira bolacha do Queen, as duas passagens são raras e históricas, nas quais ele ainda usava o pseudônimo de Larry Lurex. Aos ouvidos acostumados com a voz do Queen, Mercury vai soar diferentes nestes dois momentos. Na primeira, mais do que Beach Boys, ele faz claros ecos de ABBA, enquanto na segunda, tem lá o seu momento Karen Carpenter.

Mais do que as outras coletâneas sobre o mesmo assunto lançadas até então, este CD é mesmo o "the very best of" de um artista que, apesar de controverso, era extremamente versátil e absolutamente único. Um trabalho que May e Taylor precisam ouvir muitas e muitas vezes, apenas para se darem conta de que convocar o mediano Paul Rodgers não é o suficiente para continuar usando o nome "Queen". Abençoado seja John Deacon, que teve a decência de ficar de fora desta bobagem. Mas isso é uma outra história.

Tracklist:
1. In My Defence (2000 Remix)
2. The Great Pretender
3. Living On My Own (No More Brothers Radio Mix)
4. Made In Heaven
5. Love Kills
6. There Must Be More To Life Than This
7. Guide Me Home - Participação Especial: Montserrat Caballe
8. How Can I Go On - Participação Especial: Montserrat Caballe
9. Foolin' Around (Steve Brown Remix)
10. Time (Original 1986 Instrumental Version)
11. Barcelona - Participação Especial: Montserrat Caballe
12. Love Me Like There's No Tomorrow
13. I Was Born To Love You
14. The Golden Boy - Participação Especial: Montserrat Caballe
15. Mr Bad Guy
16. The Great Pretender (Brian Malouf Remix)
17. Love Kills (Star Rider Mix)
18. I Can Hear Music (1973 A-Side)
19. Goin' Back (1973 B-Side)
20. Guide Me Home "jazz" - Participação Especial: Thierry Lang

Gravadora: EMI Music

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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