Alguns dos melhores registros ao vivo foram liberados nos anos 70, afinal, não há como negar a força de álbuns como “Made In Japan” (72) do Deep Purple, “Live! In Europe” (72) de Rory Gallagher, “Tokio Tapes” (78) do Scorpions, ou “Strangers In The Night” (79) do UFO, não é mesmo? O Foghat também emplacou um disco neste formato, o espetacular "Live", gravado em 1977 e que guardou para a história a melhor fase da banda até então, quando contava com os membros da formação clássica: Dave Peverett (voz e guitarra), Rod Price (guitarra), Craig MacGregor (baixo) e Roger Earl (bateria).
Nota: 8 







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Dois de seus membros fundadores também já não estão mais entre nós, pois Peverett sucumbiu em 2000 depois de uma longa luta contra o câncer, e Price também veio a falecer em função de um ataque cardíaco em 2005. Apesar de todos os problemas, o Foghat sempre foi persistente. Seu último álbum de estúdio é "Family Joules" (03), que mostrou a química renovada com os veteranos Earl e o baixista fundador Tony Stevens aliados ao vocalista e guitarrista Charlie Huhn (Victory, Ted Nugent e Humble Pie) e ao guitarrista Bryan Bassett (Molly Hatchet).
Agora, para comemorar os 30 anos do lançamento do já mencionado "Live", o Foghat está liberando "Live II", onde inclusive a diagramação de sua capa segue fielmente a primeira versão deste álbum. A apresentação ocorreu em julho de 2005 no Sycuan Casino, em El Cajon, Califórnia, e, mesmo sem o vozeirão desencanado de Peverett e as guitarras insanas de Price, a atual encarnação do Foghat – agora com MacGregor no contrabaixo – novamente consegue fazer o ouvinte sorrir de satisfação, pois muito do velho espírito da banda ainda se mantém por aqui.
Quem já teve a oportunidade de escutar Huhn sabe que este vocalista sempre teve uma queda pelo blues, canta com a alma e de maneira bastante forte. Mesmo algumas canções sendo interpretadas com uma voz por demais limpa, há energia de sobra em hits como "I Just Want To Make Love To You", "Fool For The City", "Stone Blue", a sonzeira de “Chateau Lafitte '59 Boogie” e "Slow Ride". Os solos de guitarras são muito bons, especialmente com a slide guitar, ainda que estejam bem mais curtos em relação ao que era feito no passado (saudades do velho Mr Price...!).
Em “Live II” o Foghat não vive somente do passado, pois o CD é duplo e em seu repertório constam muitas novas canções (“Mumbo Jumbo” é muito bacana!) mescladas aos incontestáveis clássicos. Há também sete canções de estúdio que, mesmo sem a presença inspiradora de Dave Peverett, se mostram muito boas, em especial “Trouble Trouble”, uma típica canção da banda; “Chevrolet” e “I'm a Rock n' Roller”.
“Live II” com certeza não é tão vibrante quanto seu antecessor. Normal. Mas é ótimo ver o novo Foghat executando seu tão característico e afiado rock'n'roll embalado a blues e boogie. Mesmo nunca obtendo o devido reconhecimento de parte da tal mídia especializada, a banda está numa boa fase e ainda se mostra bastante relevante. A antiga geração de amantes do gênero irá se deliciar, e é uma oportunidade de ouro para o pessoal mais novo conhecer uma das grandes bandas que ajudou a construir a reputação que o rock´n´roll pesado tem hoje. Indicadíssimo!
Foghat - Foghat Live II
(2007 / Metro City Records - importado)
Disco 1
01. Night Shift
02. Take Me To The River
03. Stone Blue
04. Slippin' & Slidin' (Guitar Solo)
05. Drivin' Wheel
06. Mumbo Jumbo
07. Terraplane Blues
08. Bang, Bang (Drum Solo)
09. Fool For The City
Disco 2
01. California Blues
02. I Just Want To Make Love To You
03. Chateau Lafitte '59 Boogie
04. Slow Ride
05. Trouble Trouble
06. Chevrolet
07. I'm a Rock n' Roller
08. I Feel Fine
09. My Babe
10. Self-Medicated
11. Road Fever
Homepage: www.foghat.net
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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