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Resenha - Liberty Or Death - Grave Digger

Chris Boltendahl e companhia estão de volta e, como todos já estão acostumados, sem nunca deixar a peteca cair. Muito pelo contrário! O Grave Digger chega a mais um álbum de estúdio e mostra que, mesmo que seu som seja reconhecível em qualquer canto da Terra, o quinteto ainda tem onde criar e evoluir, como ficou claro neste “Liberty or Death”.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O disco é o sucessor de “The Last Supper”, que já havia agradado e resultado no ao-vivo “25 To Live”, comemorando um quarto de século do Power Metal dos alemães, e se mostra à altura, senão melhor.

“Liberty or Death” traz uma produção mais crua, mas um cuidado ainda maior com climas e arranjos, até por se tratar de um álbum em que o conceito fala sobre casos históricos de povos que guerrearam por sua liberdade, um grande trabalho de Chris. Aliás, nada poderia ser mais a cara destes alemães, o que foi retratado com maestria na arte gráfica.

Isso já vem à tona com a faixa-título, que, tal qual “The Last Supper” tem aquele clima épico, mas com mais cadência do que rapidez e um refrão que gruda na cabeça. A história fala sobre a população da ilha de Creta, que se rebela contra a ocupação turca. Um destaque é o trabalho do tradicional Hans Peter Katzenburg nos teclados, que dá esse climão poderoso, como na introdução, ao som de órgão.

Outro que sempre põe as mangas de fora é o guitarrista Manni Schmidt, com riffs criativos e solos nas alturas, como já bem conhecem os brasileiros que acompanharam as últimas passagens da banda, e como acontece em “Ocean of Blood”. Nela, que tem aquela cara de clássico do Grave Digger, o peso e a velocidade aparecem com tudo, contando a história de Moisés e sua fuga do Egito.

E alguém estava com saudades daquele sonzinho de gaita de fole? Ele reaparece rapidinho, na abertura de “Highland Tears”, que segue lá em cima, com destaque para a cozinha precisa formada por Jens Becker, no baixo, e Stefan Arnold, na bateria. Tudo muito bem gravado, por sinal, inclusive com o baixão bem na cara. E a faixa apresenta ainda o primeiro momento em que Chris deixa um pouco aquele vozeirão característico e aposta em linhas mais limpas, com uma grande interpretação, enquanto Manni esbanja virtuose na pesada “The Terrible One”.

O clima de batalha é maior ainda em “Until the Last King Dies” (o tema é a Revolução Francesa), uma das melhores faixas e mais marcantes do álbum. Depois de faixas bem com cara de Grave Digger, que se encontraria em qualquer disco assinado por Chris, começam as faixas um pouco diferentes daquela linha tradicional. “March of the Innocent” é dramática, tem linhas muito boas de guitarra, além de apostar no uso de violões, e “Silent Revolution”, mais lentinha e tratando de Mahatma Gandi, segue nesta linha – com Chris mandando na voz limpa no comecinho, com um clima genial – e tem aquele refrão que faz qualquer um sair bradando por aí.

Depois de “Shadowland”, com novas partes mais lentas e limpas, e da pesada “Forecourt to Hell”, sobre os gladiadores que lutavam em arenas na Antigüidade, vem uma das mais belas do disco, "Massada". Seu clima oriental e épico remete à história dos judeus e a luta contra o domínio romano, com um show do de Chris Boltendahl. Para fechar o álbum, ainda há uma bônus, Ship of Hope, mais na linha balada, com piano, e que faz jus a estes 60 minutos de “Liberty or Death”.

A versão brasileira, em edição dupla, vem com um CD bônus, o single “Yesterday”, lançado antes deste novo álbum. Nele, há duas novas versões (uma orquestrada) para Yesterday, música gravada no primeiro álbum dos alemães, “Heavy Metal Breakdown”, de 1984. Há ainda a inédita “The Reaper’s Dance”, outra boa composição, e a enigmática “No Quarter”, cover do Led Zeppelin, que originalmente foi lançada no tributo “The Music Remains the Same”.

Com “Liberty or Death”, o Grave Digger segue no topo e com aquele estilo que só este quinteto alemão sabe fazer. Mesmo assim, não espere repetições, falta de criatividade ou algo do tipo, pois é exatamente o contrário que encontrará.

Obrigatório conferir!

Ah! E vale esperar pelos próximos passos do quinteto, justamente por que ele vai virar sexteto, com mais um guitarrista. Aguardem...

Formação
Chris Boteldahl – Vocais
Hanz Peter Katzenburg – Teclados
Manni Schimidt – Guitarras
Jens Becker – Baixo
Stefan Arnold – Bateria

Track list:
1. "Liberty or Death"
2. "Ocean of Blood"
3. "Highland Tears"
4. "The Terrible One"
5. "Until The Last King Died"
6. "March of the Innocent"
7. "Silent Revolution"
8. "Shadowland"
9. "Forecourt to Hell"
10. "Massada"
11. "Ship of Hope"

Track list do single:
1. Yesterday
2. The Reaper's Dance
3. No Quarter (cover do Led Zeppelin)
4. Yesterday (orchestral)

Site Oficial: http://www.grave-digger.de

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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