Resenha - Triumph Or Agony - Rhapsody Of Fire

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Resenha - Triumph Or Agony - Rhapsody Of Fire


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Nunca fui dos que costumam se deixar levar pelos comunicados oficiais que acompanham CDs e filmes, daquele tipo cheio de frases de efeito tentando servir como farol para os jornalistas culturais em suas vindouras resenhas. No caso do material promocional de “Triumph or Agony”, novo disco dos italianos do Rhapsody agora com seu novo nome, Rhapsody of Fire, no entanto, uma frase me chamou atenção: “Um novo nome e vigor renovado garantem que o Rhapsody of Fire mantenha a paixão e o poder que sempre foram associados com sua música”. E, veja bem... tirando um exagero aqui e outro ali, não é que eles têm razão?

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Não achei o disco anterior, “Symphony of Enchanted Lands II”, de todo ruim. Na verdade, gosto bastante de algumas das canções, como o bom single “Unholy Warcry” – e acho que o delicado dueto entre o vocalista Fabio Lione e Christopher Lee em “Magic of The Wizard’s Dream” funciona que é uma beleza. Até elogiei bastante o álbum em uma crítica para o finado portal AOL. Mas é fato que, talvez deslumbrados pela superprodução conseguida pelo produtor Joey “Manowar” DiMaio, eles tenham feito um disco grande demais para o seu próprio tamanho. Pomposo demais, egocêntrico até mesmo para os seus próprios padrões musicais, fazendo-os parecerem mais preocupados com o aspecto épico da coisa do que com a própria música.

Isso sem contar a utilização desnecessária de uma “parte 2” fazendo referência a um dos clássicos de sua discografia, como que querendo atrair o público para o que seria uma continuação direta – quando, na verdade, apesar de ser também um disco conceitual, esse “Symphony of Enchanted Lands II” nada tem a ver, em termos de história, com o primeiro, verdadeiro marco de sua produção até então (até parece que estamos falando de cinema, veja só, Luca Turilli ficaria orgulhoso).

”Triumph or Agony” pode ser considerado um pouco mais direto e reto, mais cru, pé no chão, uma baixada de bola – daquele jeito que seria possível conceber em uma bolacha do Rhapsody, é claro. Eles não largaram o seu estilo característico, o seu “metal trilha sonora” de sempre, e passaram a fazer thrash metal. Não sejamos insanos. Mas basta lembrar-se do ótimo “Dawn of Victory” (na minha opinião, o seu melhor trabalho até então) para entender o tipo de comparação que estou tentando tecer. ”Triumph or Agony” é mais pesado, energético, em alguns momentos até mais furioso (!).

”Triumph or Agony”, num resumo, é mais “metal” do que “trilha sonora” – sendo que, em muitos momentos, o inverso podia ser sentido em seu antecessor. Ouvir ”Triumph or Agony” acaba enfraquecendo uma próxima audição de “Symphony of Enchanted Lands II”, revelando seus defeitos por trás da pompa e circunstância a la “Senhor dos Anéis” que, à primeira vista, podem encher os olhos. Acho que é a primeira vez na minha carreira de jornalista do meio musical que, ao ouvir um disco de uma banda, acabo mudando de opinião sobre o álbum anterior. O camarada whiplasher e delfiano Bruno Sanchez deve estar rindo à toa! :-)

Se não fosse uma introdução instrumental como "Dar-Kunor" para criar a atmosfera e dar início aos trabalhos, este não seria um disco do Rhapsody. Eis que, súbito, vem a faixa-título para exemplificar melhor o que eu quis dizer poucos parágrafos acima. Claro que estão lá as muitas camadas sonoras, os corais, os teclados onipresentes, os elementos sinfônicos, a orquestra com 70 músicos e as participações especiais do lendário ator Christopher Lee (o Saruman de “O Senhor dos Anéis”), desta vez acompanhado de sua filha Christina Lee e da atriz Susannah York (que viveu Lara, mãe de Kal-El, nos filmes clássicos da série “Superman”). Mas também estão lá a bateria acelerada de pedais duplos e um par de bons riffs metálicos para que ninguém esqueça que, por baixo dos babados das mangas e das sagas de guerreiros lutando contra as forças das trevas, está um grupo de heavy metal. A essência da coisa parece ter ganhado mais vida.

Os elementos típicos do Rhapsody (até acostumar com este "Of Fire" vamos ter um problema) estão presentes em massa, todos na medida certa para você que sentiu falta deles em “Symphony of Enchanted Lands II”: o refrão épico para cantar junto de "The Myth of The Holy Sword", a carga emocional rasgada do gogó privilegiado de Lione em "Bloody Red Dungeons" e até os vastos e variados 16 minutos de "The Mystic Prophecy Of The Demonknight", na melhor tradição de “Aquilles: Agony and Ecstaty in Eight Parts”, dos padrinhos do Manowar.

Se você quer bater cabeça, "Heart of The Darklands" é acelerada até o limite e tem um tempero ideal de "Dawn of Victory" (e lá vou eu com minhas metáforas gastronômicas!) para chacoalhar os cabelos. Se você prefere as baladas dos caras, "Old Age of Wonders" é daquelas contagiantes e, por que não dizer, dançantes célticas de levada folk, com flauta e tudo, na qual Lione divide os vocais com uma cantora feminina, do tipo que os fãs dos italianos vão esperar ansiosamente nos shows, para dar aquela quebrada entre uma porradaria melódica e outra. Rola até espaço para uma canção toda na língua natal dos caras, "Il Canto Del Vento", primeira da carreira do Rhapsody escrita pelo vocalista e cuja faceta operística acaba evidenciada pelas palavras pronunciadas no fortíssimo idioma italiano.

A surpresa (sim, ela existe, quer você goste ou não) por aqui fica a cargo de "Silent Dream" – que é, definitivamente, a mais ousada (é, ousada mesmo, pode acreditar) passagem do álbum, ao despir-se de boa parte de seus adereços de sinfonia e deixando todo o trabalho de puro feeling a cargo da voz de Lione e das guitarras dobradas de Turilli e Dominique Leurquin. O resultado pode soar meio “pop” demais em alguns momentos, diferente do estilo "Heart of The Darklands" que se esperava. Mas funciona relativamente bem no final.

Como se trata de um disco do Rhapsody, talvez você se interesse em saber da história que ele aborda conceitualmente, uma continuação direta da “The Dark Secret Saga” iniciada em “Symphony of Enchanted Lands II”. Mas prefiro deixar que o próprio Luca Turilli explique: “O herói Khaas e seus companheiros (o rei élfico Tarish, a Princesa Lohen, o senhor das sombras Dargor e o mago Iras Algor) adentram as cavernas macabras de Dar-Kunor, um labirinto subterrâneo de horrores localizado no coração cheio de névoas das terras obscuras. Eles terão que enfrentar muitos desafios para encontrar o último dos sete livros escritos, nos tempos ancestrais, com o sangue dos anjos pelo cavaleiro demoníaco Nekron, filho do deus Kron. Este livro pode conter a pior das profecias a ameaçar o mundo conhecido”.

“Triumph or Agony” pode não ser genial, soberbo, magnânimo. Mas mostra o Rhapsody, seja de fogo ou de gelo, retomando as rédeas de sua própria carreira, evitando deslumbramentos. Como se Turilli e o tecladista Alex Staropoli, os verdadeiros mentores intelectuais do grupo, fossem diretores de cinema que, depois de dirigir uma portentosa superprodução financiada pelos maiores figurões de Hollywood, resolvessem fazer a continuação de maneira mais pé no chão, quase independente – na medida do possível para uma aventura sobre cavalaria e demônios que querem conquistar o mundo. Como Lee e seu vozeirão anunciam em “Dark Reign of Fire”: a nova saga começa. Vejamos o que esperar dos próximos capítulos.

Line-up:
Fabio Lione – Vocal
Luca Turilli – Guitarra
Dominique Leurquin – Guitarra
Patrice Guers – Baixo
Alex Staropoli – Teclado
Alex Holzwarth - Bateria

Setlist:
1. Dar-Kunor
2. Triumph Or Agony
3. Heart Of The Darklands
4. Old Age Of Wonders
5. The Myth Of The Holy Sword
6. Il Canto Del Vento
7. Silent Dream
8. Bloody Red Dungeons
9. Son Of Pain
10. The Mystic Prophecy Of The Demonknight
11. Dark Reign Of Fire

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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