WHIPLASH.NET - Rock e Heavy Metal!

Favourite Worst Nightmare - Arctic Monkeys

Por Maurício Gomes Angelo | Em 15/08/07
Enviar por emailEnviar correção

Imagine que você está na casa dos 20 anos. Sem muita pretensão, como vários grupos que começam, resolve montar uma banda com seus amigos de escola após ganhar uma guitarra elétrica no natal. Seguem produzindo pequenas demos e afins. Aí, sem mesmo você saber, fãs distribuem suas músicas na internet e a banda simplesmente estoura, chamando atenção de crítica e público. Pouco tempo depois, seu álbum de estréia vende mais de 363 mil cópias apenas na primeira semana de lançamento no Reino Unido, cravando um recorde absoluto e ultrapassando toda a história anterior daquela região. Ganha inúmeros prêmios importantes, lota festivais de renome e consegue alcançar um sucesso mundial, não apenas local, quase que instantaneamente.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Imagem
Você já não é a “next big thing”, é uma realidade que se impõe por sua qualidade e reconhecimento em todas as frentes. Vem a famosa “pressão do segundo álbum”, com todas aquelas críticas semi-prontas esperando apenas o lançamento para lançar dúvidas sobre a sua carreira. Afinal, novidades esgotam rápido. O que você faz?

“Este é o nosso pior pesadelo favorito”, anuncia Alex Turner. Título irônico, perspicaz e tremendamente inteligente. Para não deixar dúvidas, o primeiro single, “Brianstorm”, é uma paulada inquestionável, desferindo um golpe pesadíssimo no roteiro preparado pra estragar a festa. Eles não querem – e não precisam – amadurecer. Sendo que o termo, na música pop, está associada a uma nítida perda de ritmo, temas mais leves e um resultado morno. “Esperem isso de outra banda”, parecem responder “D Is For Dangerous” e “Flourescent Adolescent”, uma autêntica gema pop, fruto de um grupo com tino inegável para aquilo que faz.

Das 12 composições, apenas duas ultrapassam os três minutos e meio, e muitas estão bem abaixo disto. É a influência do punk e pós-punk que jamais deixaram de estar presentes na Inglaterra e que impregnam – saudavelmente – boa parte do que se seguiu como principalmente a produção atual. Você, de fato, irá ouvir ecos de Clash e Smiths sem dificuldade ao longo da audição. Maiores ícones, e também os de sonoridade mais rica, dos dois estilos citados aqui, é natural que seu legado corra nas veias dos jovens britânicos e o Monkeys se apropria disto muito bem: riffs orgânicos e marcantes, melodias bem trabalhadas com variação de climas, punch, tempos incomuns e linhas vocais que te conquistam logo no primeiro contato. Experimente “Balaclava” – estupenda, diga-se - “Do Me A Favour” e “Old Yellow Bricks”.

Mas não é tudo. “If You Were There, Beware” é outro ótimo exemplo de como estes rapazes se diferenciam: um instrumental aparentemente indefinido, quebrado, talvez “atropelando a si mesmo”, saindo e retornando ao eixo que revela, na verdade, uma banda criativa e com muito tesão pra queimar. Algo que fica ainda mais evidente em “The Bad Thing”, bem próxima do hit “I Bet You Look Good On The Dancefloor” e que sem dúvida incendiará os shows ao vivo. Eles sabem ser rápidos e sabem construir melodias com parcimônia e cuidado. Reúnem o melhor da verve agressiva e corajosa do rock, com aquela energia intrínseca explodindo por todos os lados e a tremenda capacidade de colocar isso num senso pop admirável e suculento, tornando-os interessantes para uma gama considerável do público.

Sintoma mais do que claro para afirmar que não são apenas mais um hype desenfreado da mídia. Caso raro onde a ovação corresponde à realidade. Em dois anos, o Arctic Monkeys fez muito e já possui dois álbuns no mínimo excelentes no currículo. Coisa pra poucos. Mantido – e ampliado – este nível, podemos estar diante do primeiro fenômeno musical do século XXI com personalidade e que dá motivos para crermos que podem ir bem além de onde já estão. Olhos e ouvidos neles. A turnê brasileira vem aí. Ótima oportunidade para atestarmos como tudo isso se comporta no palco, ao vivo, entregues à própria conta. Aí, não haverá mais nenhuma dúvida para sanar.

Site Oficial: www.arcticmonkeys.com

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs
Todas as matérias sobre Arctic Monkeys

Arctic Monkeys: ouça a faixa inédita "Electricity" [19/04/12]
Quilmes Rock: entradas promocionais na Argentina [19/01/12]
Lollapalooza Brasil: pré-venda está esgotada [23/11/11]
Lollapalooza Brasil: line-up completo da edição brasileira [21/11/11]
Quilmes Rock 2012: preço dos ingressos e mapa dos setores [21/11/11]
Foo Fighters e Arctic Monkeys: confirmados no Loollapalooza [21/11/11]
Quilmes Rock Festival 2012: relação das bandas na Argentina [20/11/11]
Arctic Monkeys: lançando clipe da música "Evil Twin" [06/11/11]
Resenhas de CDs e DVDs - Submarine - Alex Turner
Resenhas de CDs e DVDs - Suck It And See - Arctic Monkeys
Mais matérias sobre Arctic Monkeys

Os comentários são postados usando scripts do FACEBOOK e logins do FACEBOOK, HOTMAIL, AOL ou YAHOO, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos usuários que fizeram uso deste sistema (citados na assinatura de cada comentário). Caso você considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato. Os responsáveis pelo site podem excluir comentários que julgarem inadequados e fornecer informações sobre os comentários a reclamantes se solicitados.

Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

Mais matérias de Maurício Gomes Angelo no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

QUEM SOMOS | RSS | FACEBOOK | TWITTER | NEWSLETTER | APPS | ANUNCIAR | ENVIAR MATERIAL | FALE CONOSCO

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria. Os textos não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será retirado do site.

Em abril de 2012 Whiplash.Net teve 1.078.971 visitantes únicos, 2.974.068 visitas e 10.616.661 pageviews. Ver stats.