Quem diria. 2007 e aqui estamos nós. Mais de 20 anos após deixar o Sisters Of Mercy para montar seu próprio grupo, Wayne Hussey leva o The Mission adiante, sendo uma das poucas bandas daquela leva do goth rock oitentista que ainda permanece na ativa.
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No show que é a parte principal de “Lighting The Candles”, gravado na Alemanha em 2004, o line up renovado da banda, com Hussey no vocal e guitarra, Rob Holliday na guitarra, Rich Vernon no baixo e Steve Spring na bateria não arrisca e faz aquilo que todos os fãs esperam, nada mais natural: o set list é todo calcado nos clássicos “First Chapter”, “God’s Own Medicine”, “Children” e “Carved In Sand”. E é aí que a mistura pós-punk e goth banhada numa espessa camada de influência zeppeliana, especialmente a segunda fase do grupo, complementada por toda a carga dramática e teatral de sua música encontra o ápice nos hinos “Crystal Ocean”, “Hymn (For America)”, “Severina”, “Butterfly On A Wheel”, “Wasteland”, “Serpent’s Kiss”, “Sacrilege”, “Deliverance” e “Tower Of Strenght” – repertório tremendamente respeitável.
Além disso, mostrando o quanto envelhece bem, as novas “(Slave To) Lust” e “Evangeline”, tiradas do ultimo álbum de estúdio, “Aura”, de 2001, não deixam o grupo viver só do passado e provam que ainda podem oferecer muito. Completando, todos os vídeo-clips lançados pelo Mission, onde podemos observar nitidamente toda a atmosfera que sempre os cercou e as características que fazem questão de preservar.
No segundo disco, a qualidade do material cai consideravelmente. Um erro que muitas bandas cometem em DVD’s é entupir o lançamento de tudo quanto é possível, como se isso fosse garantia de alguma coisa. E acabam entregando algo produzido às pressas e até relapso com os fãs. Desta forma, as entrevistas, biografia, discografia comentada, performances inéditas e outros bônus não são tão interessantes quanto poderiam ser, carecendo de um acabamento melhor. Para os brasileiros, pesa também a ausência de qualquer legenda – não só em português como em outra língua, o que é lamentável.
Ainda assim, “Lighting The Candles” é muito atrativo para quem aprecia o legado de Wayne Hussey e cia, dando um bom panorama de um dos estilos que dominou a década de 80 e apontando um presente e futuro sadio para o grupo.
Site Oficial: www.themissionuk.com
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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