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Libertad - Velvet Revolver

Por Bruno Romani | Em 13/07/07
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Há algo de errado quando o melhor de um disco de uma banda cujos integrantes já venderam milhões de discos em trabalhos anteriores se trata de uma canção country padrão gravada em evidente tom jocoso e deixada como “bônus” ao fim do set-list indicado no encarte.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Não deve ser fácil para os integrantes do Velvet Revolver formarem identidade própria ao mesmo tempo em que o cenário musical não é mais aquele que beneficiou o GNR e o STP. O grupo ainda briga para acomodar no mesmo espaço os riffs do guitarrista Slash e as melodias complexas do vocalista Scott Weiland. Mas a música hoje em dia não tem mais tempo para solos de guitarras nem para melodias que não possam ser digeridas à primeira ouvida. Com tantos desafios, a banda ficou em cima do muro.

Existem melodias psicodélicas como na época de “Tiny Music...” do STP, e persistem baladas oitentistas com prazo de validade vencido e melodia fácil, como mostra “Last Fight” e “Can’t Get Out of My Head”. Quando Weiland abandona a viagem e a piração que o levam a flutuar acima de cabeças ordinárias como no primeiro exemplo, ele se transforma no caricato roqueiro de 40 anos que tenta emplacar a todo custo qualquer coisa apenas por obrigação, como no aludido par de músicas. “Gravedancer” é um achado nessa sobriedade melódica do vocalista.

Também existe a dualidade entre os solos de guitarra e riffs hard-rock como o de “Pills, Demons & Etc” e o minimalismo de “Mary, Mary.” Comparado a trabalhos anteriores do trio Slash, Duff e Matt Sorum, os arranjos têm mais espaço. Weiland precisa disso para que suas melodias possam conduzir o ouvinte. Porém, uma banda com Slash nas guitarras e Matt Sorum na bateria como base para Weiland se assemelha uma cristaleira do século XIX sendo carregada na caçamba de uma caminhonete por alguma estrada esburacada da América Latina. Pode quebrar a qualquer momento. Slash, afinal de contas, é o cara que surge no meio do oceano fazendo um solo de guitarra.

O grupo, ao menos, não pode ser acusado de dar as costas para experiências sonoras. Talvez Slash e cia nunca tenham se aventurado tanto com timbres e arranjos, dando argumentos para as afirmações dos membros do grupo de que pisaram em terreno ainda inexplorado. A produção de Brendan O’Brien, homem que assinou os 5 discos do STP, jogou a favor dessa viagem. E mesmo assim, a banda por momentos mergulha em trechos preguiçosos, como se estivessem numa jam pouco ensaiada e inspirada. Uma banda que não tem nome não teria disco lançado por grande gravadora apresentando as pontes de “She Mine” e do single “She Builds Quick Machines.”

Pior do que isso: ao tentarem abrir novas janelas, a porta do passado ficou aberta. “She Builds Quick Machines” cresce a partir de riff e verso oitentista e termina num refrão que pertence às camisas de flanela de 1992. Difícil entender um single que não está nem entre as melhores do disco. Roqueiro com mais de 40 buscando identidade não é fácil.

Quem sabe eles não encontram a tal identidade no country? Com o Bon Jovi deu certo.

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Sobre Bruno Romani

Nascido em São José dos Campos, terra de milicos, aviões, cientistas e nerds em geral, sacou aos 13 anos que números são pouco amistosos. Fugiu para a Califórnia, onde muito aprontou: montou a banda Apside, escreveu para inúmeros sites e jornais e formou-se em jornalismo pela UC Berkeley. Passa os seus dias dividido entre a procura por um lugar na grande mídia gringa e festas universitárias americanas regadas a muita mulher com pouca roupa.

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