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Resenha - Black Oak Arkansas - High On The Hog

Quando se fala em southern rock, os primeiros nomes que vêm a mente são o Lynyrd Skynyrd e o Allman Brothers. Apenas os fãs mais dedicados do estilo lembram do Black Oak Arkansas. Formado em 1965 na cidade de Black Oak, no estado de Arkansas (sacou o porque do nome?), o grupo se chamava originalmente The Knowbody Else, e a formação original contava com James “Dandy” Mangrum nos vocais, Pat Daugherty no baixo, Wayne Evans na bateria e o trio Ricky Lee Reynolds, Stanley “Goober” Knight e Harvey “Burley” Jett nas guitarras.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em 1969 a banda se mudou para a cidade de Memphis, no Tennessee, e assinou contrato com a Stax Records. Gravaram um único álbum pela companhia, “The Knowbody Else”, que acabou engavetado. Foi nessa época que mudaram o nome para Black Oak Arkansas e começaram a se interessar por psicodelia e pela cultura sulista, influências que marcariam definitivamente o seu som.

Após algumas turnês tocando em tudo que é boteco da Améria, assinaram com a Atco em 1970. A gravadora lançou finalmente o debut em 1971, enquanto o grupo caía na estrada em uma extensa turnê para promover o disco. Começava nessa época a fama de ótimos no palco que acompanharia o Black Oak Arkansas por toda a sua carreira.

Em 1972 lançaram dois discos, “Keep The Faith” e “If An Angel Came To See You, Would You Make Her Fell At Home?”, solidificando seu estilo junto aos fãs. Em 1973 o ótimo ao vivo “Raunch´N´Roll Live” transpôs para o vinil a já lendária fúria exibida no palco.

Mas o grande estouro comercial do Black Oak Arkansas aconteceu com “High On The Hog”. Lançado também em 1973, o disco trazia uma significativa alteração na formação do conjunto: no lugar de Wayne Evans estava um certo Tommy Aldridge (que ficaria famoso anos mais tarde, tocando ao lado de Ozzy Osbourne e do Whitesnake).

Gravado entre 15/09/1972 e 29/08/1973, o disco teve produção de Tom Dowd e alcançou a posição de número 52 na parada da Billboard. O auge criativo do Black Oak Arkansas, transitando com absoluta naturalidade por todos os elementos que compunham o seu som, pode ser ouvido em suas dez faixas.

“Swimmin´ In Quicksand” abre o álbum misturando o balanço e a malícia latina ao southern rock, tudo temperado com pitadas funk. As raízes do grupo são homenageadas no country acústico de “Back To The Land”, enquanto “Movin´” é um hard rock poderoso com claras influências da lendária Charlie Daniels Band.

Um dos destaques de “High On The Hog” é “Happy Hooker”, um hard blues cheio de segundas intenções, onde Jim Dandy soa como uma mistura de Mick Jagger com George Thorogood. “Happy Hooker” brilha ao lado de mais duas canções.

A primeira, “Jim Dandy”, foi originalmente composta por Lincoln Chase e traz a vocalista Ruby Starr dividindo os vocais com Jim. Com uma levada bastante influenciada pelo Sweet, virou a marca registrada da banda, o maior sucesso de sua carreira, alcançando a 25ª posição nas paradas. A segunda é “Moonshine Sonata”, uma parceria do grupo com o produtor Tom Dowd. Longa jam instrumental com pitadas da Allman Brothers Band, possui guitarras cheias de melodia e que ifluenciaram, claramente, desde bandas clássicas como Wishbone Ash e Thin Lizzy até ícones do heavy metal como Iron Maiden e Judas Priest. Esta faixa mantém a tradição de todo grupo sulista de possuir uma canção com longos solos, e é uma espécie de “Freebird” do Black Oak Arkansas.

A influência country dá as caras novamente em “High´N´Dry” e “Why Shouldn´t I Smile”, esta última com uma grande performance do baixista Pat Daugherty. O disco fecha como começou, com o balanço latino temperando o hard rock de “Mad Man”.

A qualidade foi mantida com o álbum seguinte, “Ain´t Life Grand” (1975), que marcava mais uma mudança na formação: no lugar de Harvey Jett o grupo contava agora com a guitarra de James Henderson.

Após o estouro comercial destes dois álbuns, a banda literalmente explodiu. Desentendimentos entre os integrantes fizeram surgir um novo grupo, batizado apenas como Black Oak, e que contava com Jim Dandy e James Henderson ao lado de Greg Reding (guitarra e teclado), Jack Holder (guitarra), Andy Tanas (baixo) e Joel Williams (bateria). Esta formação gravou os discos “Race With The Devil” (1977) e “I´d Rather Be Sailing” (1978).

Após estes dois trabalhos, o grupo encerrou suas atividades em 1980. O Black Oak Arkansas ficou nas sombras até 1984, ano que marcou o reencontro de Jim Dandy com Ricky Lee Reynolds. Recuperando-se de um ataque cardíaco, o vocalista convidou seu antigo parceiro para participar de seu álbum solo “Ready As Hell”. A parceria se repetiu também em “The Black Attack Is Back”, lançado em 1986. Mas os fãs só foram brindados com a reunião do Black Oak Arkansas treze anos depois, com o lançamento do inédito “The Wild Bunch”, em 1999.

A influência do Black Oak Arkansas foi muito além dos limites do southern rock. O hard rock apimentado com influências latinas, country e funk executado pelo grupo antecipou uma tendência que se intensificaria principalmente na década de noventa: a fusão de estilos claramente opostos conspirando para a formação de uma sonoridade totalmente nova. Além disso, a performance ensandecida de Jim em cima do palco influenciou inúmeros vocalistas, notoriamente David Lee Roth, que buscou inspiração no líder do Black Oak Arkansas para criar os saltos que viraram a sua marca registrada.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.

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