Resenha - Shot To Hell - Black Label Society

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Resenha - Shot To Hell - Black Label Society


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Ano vai, ano vem, e parece que uma coisa pelo menos é certa: Zakk Wylde virá com mais um bom álbum do Black Label Society. O último, lançado em 2006, foi este “Shot To Hell”. Sim, mais um bom lançamento, mas seguindo um caminho perigoso de seus últimos álbuns, incluindo o “Máfia”, de 2006, que não têm a pegada, o peso e as composições com o selinho de "clássicas" que marcaram outros álbuns como "1919 Eternal", "Stronger Than Death" ou "Sonic Brew". Este lançamento, aliás, pode ser considerado uma mistura dos álbuns mais pesados da banda com os mais "leves", como é o caso de "Hangover Music Vol. VI".

Nota: 7

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Não que o mestre das guitarras, um dos caras que mais conseguiu destaque nos últimos anos em seu instrumento, alavancado pela parceria com Ozzy Osbourne, tenha perdido a(s) mão(s). Pelo contrário, os solos seguem com aquela selvageria recheada de feeling, a guitarra é pesada e o vocal cada vez de maior qualidade (e mais parecido com o do seu mestre, Ozzy). Mas falta algo para aqueles bons e velhos tempos, que aliás nem fazem tantos anos assim. E se o vocal de Mr. Wylde só melhora CD a CD, isto parece gerar um conflito. Claramente a guitarra perdeu um pouco do seu espaço em "Shot to Hell" o que é imperdoável para alguém com o talento do estado-unidense.

O que se destaca logo é a irreverência da capa, uma verdadeira blasfêmia contra as pobres freirinhas. E se a capa já é engraçada, o resto do encarte mais ainda, com as mesmas jogando cartas e fumando charutos na companhia de alguns maus sujeitos e o próprio Zakk maquiado tal qual um diabo. As bolas de sinuca, inspiradas na famosa "bola 8", relacionada ao oitavo álbum do grupo, também foram uma boa sacada.

Quanto à música, o CD começa em alta, com a excelente "Concrete Jungle" (confiram o clipe, que vale a pena!). A faixa não prioriza a velocidade, mas o peso, os vocais e também efeitos como o talk box, na abertura. Na mesma intensidade vem a curtinha "Black Mass Reverends" que lembra mais os sons antigos, exceto pelos vocais, muitas vezes dobrados e muito bem executados.

E se os jogos de vozes já ocorriam nas primeiras faixas, "Blacked Out World" se destaca ainda mais. A composição - como sempre escrita pelo líder do BLS - aposta num groove maior, com o feeling que já é conhecido pelos fãs. Já na quarta faixa começam as baladas. Mas até aí não se tem nada a reclamar, já que "The Last Goodbye" é muito bela, com linhas de voz eficientes e um solo grandioso.

“Give Yourself To Me” é outra das mais agitadas, mas o ritmo volta a diminuir com “Nothing is the Same”, outra balada que prova que uma das coisas que Zakk faz bem é este tipo de composição, sempre com passagens muito tocantes. A porrada volta com “Hell is High”, que tem uma boa letra sendo disparada na precisa linha de baixo de John DeServio, que fez um ótimo trabalho, assim como sempre fazem os companheiros de Wylde (no caso, o braço-direito Nick Catanese na guitarra e o batera Craig Nunenmacher também antigo conhecido). A faixa tem um refrão um tanto diferente, mais cadenciado, mas logo a quebradeira volta. Aliás, é aí que se começa a perceber que se a voz é um ponto positivo, a constantíssima presença de “ah-ahs”, “aus-aus” e “os-os” durante as músicas tornou-se excessiva e exagerada.

Uma amostra da mistura entre “Mafia” e “Hangover Music” que o BLS resolveu apostar é “New Religion”. A faixa começa como se fosse mais uma balada, ao som do piano e só lá pelos dois minutos que começa sua parte pesada. Mais uma vez a letra é muito boa.

Já na nona música, a coisa começa a ficar cansativa. Outra balada, “Sick of it All”, bela, mas que com tantas outras músicas lentas poderia ficar fora e “Faith is Blind”, que não acrescenta muito. “Blood is Thicker Than Water” é o momento “Hangover Music”, com pianos, teclados e bases no violão, mas ainda mantendo um considerável peso, tal qual Wylde fez no sexto álbum do BLS.

Um último suspiro vem com “Devil’s Dime”, uma das mais rápidas, bastante pesada e com direito a solo pra lá de virtuoso. Ao mesmo tempo que ela é muito boa, ela demonstra o distanciamento das composições em relação aos já clássicos. Isto porque o riff inicial é muito parecido com o de “Bleed For Me”, do “1919 Eternal”, no entanto, o que era uma porrada naquele álbum, de 2002, perde a intensidade de um jeito até impressionante em “Devil’s Dime”. O CD ainda é encerrado com “Lead Me To Your Door”, outra faixa levada ao som dos violões.

Como disse anteriormente, Zakk Wylde não perdeu a mão. Compõe baladas como poucos, tem um feeling para as vozes e para seus solos inigualável e na guitarra segue sendo o ídolo de tantos. Mesmo assim, “Shot to Hell” não chega aos pés dos primeiros álbuns de sua banda, que produziu músicas incríveis como “Stronger Than Death”, “Phoney Smiles & Fake Hellos”, “All For You” e “World of Trouble”, só para exemplificar algumas. Ainda assim, o CD apresenta bons momentos e não deve ser simplesmente descartado pelos fãs do guitarrista, ou melhor, pelos integrantes da “facção brasileira” do Black Label Society. E que Zakk cumpra por vez a promessa de vir ao Brasil... mas focando as faixas antigas e com o volume da guitarra no talo!

Track List:
1. Concrete Jungle
2. Black Mass Reverends
3. Blacked Out World
4. The Last Goodbye
5. Give Yourself To Me
6. Nothing's The Same
7. Hell Is High
8. New Religion
9. Sick Of It All
10. Faith Is Blind
11. Blood Is Thicker Than Water
12. Devil's Dime
13. Lead Me To Your Door

Formação:
Zakk Wylde – vocal, guitarra, piano, teclado, além de composição e produção
John DeServio - baixo
Craig Nunenmacher - bateria
Nick Catanese – guitarra base

Lançamento Rock Brigade/Laser Company

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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