Resenha - Minutes To Midnight - Linkin Park

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Resenha - Minutes To Midnight - Linkin Park


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Se tem uma coisa que qualquer um sob os holofotes da mídia deveria aprender é a tomar muito cuidado com o que fala. Afinal, em algum momento, alguém vai lembrar do que você andou dizendo por aí. Vejamos o sexteto californiano Linkin Park, por exemplo. A promessa era de que “Minutes to Midnight”, seu terceiro álbum de estúdio, fosse algo “marcante e diferente”. De acordo com o vocalista e MC Mike Shinoda, “agora chegou a hora de dar um passo adiante” já que “temos uma nova concepção do que é fazer música”. E mais: o produtor Rick Rubin teria ainda mostrado clássicos do progressivo como Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e Pink Floyd aos garotos, o que teria influenciado bastante o seu trabalho. E eu me pergunto: aonde? Na arte da capa, talvez?

Nota: 4

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Veja bem, não sou um daqueles headbangers tradicionalistas que abominam o Linkin Park e toda e qualquer banda que a crítica resolva que vai colocar sob o rótulo ainda confuso de new metal (ou nu metal, você decide). Na verdade, até gosto de “Hybrid Theory” e principalmente de “Meteora”, que acho uma bolacha forte e acima da média para o mercado roqueiro mainstream estadunidense. Fui, a trabalho, assistir ao show dos moleques no Morumbi e, saiba você, a trupe faz o possível e o impossível para quebrar tudo no palco – e consegue um resultado considerável. Mas este “Minutes to Midnight” não dá para engolir. É um resultado irregular demais, com poucos pontos altos – que talvez justifiquem a nota - e muitos pontos baixos.

Depois da pequena introdução instrumental “Wake”, somos apresentados à paulada “Given Up”, que difere de quase todo o restante do álbum, e aí aquela história de “marcante e diferente” começa a fazer sentido. Uma guitarra distorcida animalesca, um baixo destruidor, uma influência thrash gritante, para bater cabeça com qualidade. Mas aí vem a baladinha pop “Leave Out All The Rest”, uma das muitas dispensáveis e descartáveis de um disco com culhões de menos e baladas de mais. E vai tudo para as cucuias. É o caso de “Shadow Of The Day” e “Valentine's Day”, todas facilmente integráveis ao repertório de qualquer um destes grupelhos emo do tipo Fall Out Boy ou My Chemical Romance. Nada contra ser pop. Mas se é para ser pop, que seja um pop com personalidade e bons bocados de estilo!

O que dizer então da animadinha e dançante (?) “Bleed It Out” – que, se não fosse pela letra, teria palminhas e refrõezinhos meia-boca o suficiente para estar na trilha sonora de “High School Musical”? Faça-me o favor. E aquela herança ragga de “In Pieces”, praticamente uma continuação da baladinha (mais uma?) “In Between” e que lembra muito mais os brazucas do Tihuana do que o próprio Linkin Park? Para encerrar, a chatíssima baladinha (MAIS UMA?) acústica “The Little Things Give You Away”, com um mal-ajambrado ar de U2.

Os tais “poucos pontos altos” ficam por conta da já citada “Given Up”, da demoníaca “No More Sorrow” - o combo instrumental bateria e guitarra inicia a coisa de maneira quase System of a Down, para ouvir em volume máximo, um Linkin Park aumentado pelo menos três vezes – e de “Hands Held High”. Esta última é, a bem da verdade, um rap comandado quase que inteiramente por Mike Shinoda, mas que surpreende positivamente por ser uma sufocante canção política sobre a atual situação de guerra na qual o mundo se encontra, uma abordagem quase messiânica que, apesar da falta de guitarras, é aquela que tem a atitude mais rock ‘n’ roll de todo o CD. Bolas, ora bolas.

Você deve ter percebido que, em nenhum momento, comentei “What I’ve Done”, o primeiro single radiofônico de “Minutes to Midnight”. É simples, caro leitor. Esta é uma faixa tipicamente Linkin Park, que poderia estar tanto em “Meteora” quanto em “Hybrid Theory”, com o frontman Chester Bennington usando e abusando dos gritos que lhe são peculiares. Boa música... mas no que diabos ela é “marcante e diferente”?

Line-up:
Chester Bennington - Vocal
Mike Shinoda - Vocal, Teclado
Brad Delson - Guitarra
Dave Farrell - Baixo
Joe Hahn - Samplers, Turntables
Rob Bourdon - Bateria

Tracklist:
1. Wake
2. Given Up
3. Leave Out All The Rest
4. Bleed It Out
5. Shadow Of The Day
6. What I've Done
7. Hands Held High
8. No More Sorrow
9. Valentine's Day
10. In Between
11. In Pieces
12. The Little Things Give You Away

Gravadora: Warner

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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