Dissection: o legado de um músico controverso

Resenha - Reinkaos - Dissection

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Desde o seu início, em 1989, o Dissection sempre chamou a atenção, tanto da crítica especializada quanto dos fãs. Os problemas extra-musicais que levaram seu líder e principal compositor, o vocalista e guitarrista Jon Nodveidt, a passar longos sete anos (1997 a 2004) na prisão pelo assassinato de um homossexual na Suécia, pareciam superados quando Nodveidt deixou o cárcere e, consequentemente, o Dissection retomou suas atividades.

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Shows foram realizados, o grupo sentiu novamente o sabor do contato com o público, colocou o DVD “Rebirth Of Dissection” no mercado e, em 2006, finalmente lançou seu terceiro disco, “Reinkaos”, o sucessor do clássico “Storm The Light´s Bane”, de 1995 (merece uma conferida também o debut dos caras, “The Somberlain”, lançado em 1993).

Tudo parecia tranquilo, quando, sem aviso, os fãs e a mídia foram surpreendidos com o anúncio do suicídio de Jon Nodveidt, em agosto de 2006. Você já parou para perceber o que isso significa? O impacto da morte de Nodveidt pode não ser a mesma do caos causado quanto Varg Vikernes assassinou Euronymous em 1993, mas gerou, e ainda gera, muitas consequências. A mais óbvia, e direta, foi o encerramento das atividades do Dissection. A segunda, e talvez a principal, é a transformação do guitarrista em símbolo maior de uma crença, hoje presente em todo o mundo e tendo como principal veículo o tão falado MLO – Misanthropic Luciferian Order. E uma terceira diz respeito às onze faixas presentes em “Reinkaos”.

A atitude de Jon em relação a sua própria vida transformou “Reinkaos”, simultaneamente, em seu testamento musical e no manifesto maior de tudo aquilo em que ele acreditava. Independente de simpatizar ou condenar as atitudes de Nodveidt, o fato é que, cercado por todas essas circunstâncias, “Reinkaos” se transformou, desde o seu lançamento, em um clássico instantâneo.

Liricamente, suas letras levam a crença de Nodveidt até seus fãs, com as músicas servindo como instrumentos de propaganda para o MLO. Mas musicalmente, que é o que chama mais a atenção, o disco traz um Dissection soando totalmente diferente dos seus dois registros anteriores. O que sai das caixas é um death metal melódico similar ao que grupos como o Arch Enemy, por exemplo, estão executando, só que carregado por uma aura sombria, presente tanto nas vocalizações de Jon quanto nas melodias das canções (isso sem falar das letras …).

Não há em “Reinkaos” nenhum blast beat, por exemplo. As canções são mais lentas, o que evidenciou a melodia, elemento que já estava presente nos discos antigos do Dissection. Várias das faixas de “Reinkaos” possuem refrãos grudentos, e que agradam de imediato, como é o caso de “Black Dragon”, “Dark Mother Divine” e, principalmente, “Xepe-I-Set” e “Starless Aeon”.

O peso é outro elemento que chama a atenção, pois o timbre da guitarra de Jon soa cortante, despejando riffs e solos inspirados. Gostei bastante também da performance do baterista Tomas Asklund, muito seguro e inserindo diversas viradas em suas levadas. Completa a formação do disco o baixista Set Teitan.

Além das canções que citei acima, outros destaques são “Beyond The Horizon”, “Reinkaos” e “Maha-Kali”, mas o disco possui uma grande força, com as canções encaixando-se perfeitamente e funcionando muito bem em conjunto.

A versão nacional, lançada pela Somber Music, merece ser destacada, já que conta com um belo slipcase e um longo encarte, além de trazer, como bônus, o clipe para “Starless Aeon”.

O suicídio de Jon Nodveidt encerrou não só a sua vida, mas também a do Dissection. É uma pena, pois “Reinkaos” possuía força suficiente para colocar a banda em outro nível. Agora, ganhará status de obra mítica, como o último manifesto de um dos músicos mais controversos que o heavy metal conheceu.

Faixas:
1. Nexion 218
2. Beyond The Horizon
3. Starless Aeon
4. Black Dragon
5. Dark Mother Divine
6. Xepe-I-Set
7. Chaosophia
8. God Of Forbidden Light
9. Reinkaos
10. Internal Fire
11. Maha-Kali

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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