O Krokus sempre foi uma banda que ficou à margem do grande sucesso. Pioneiros do rock suíço – que hoje tem no Gotthard seu grande ícone, obviamente influenciadíssimo por eles e de maior sucesso que o próprio – construíram um nome forte no underground europeu durante seus mais de 30 anos de existência.
Nota: 9 








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Indo na contramão de tantos medalhões hard da década de 80 – Scorpions, Def Leppard, Bon Jovi - que já perderam o rumo caindo em músicas açucaradas de duvidoso apelo pop (o que não seria exatamente um problema se bem feito e dosado) e tremenda irregularidade.
Um dos benefícios de não ter a obrigação de trabalhar visando tanto o lucro.“Hellraiser”, portanto, NÃO é o álbum que uma banda veterana costuma fazer atualmente. É bem melhor.
Do apelo gritante estilo AC/DC da faixa título, passando pela deliciosa balada “Angel Of My Dreams” até as pegajosas “Fight On”, “No Risk No Gain” e “Justice”, o que se ouve é uma banda primorosa e entrosada, executando com talento as estruturas de suas composições: há riffs e solos maravilhosos do ótimo Mandy Meyer, linhas vocais ganchudas de Marc “nasci para fazer isso” Storace e a cozinha negra, rítmica e harmoniosa de Tony Castell e Stefan Schwarzmann, que sem dúvida contribuiu bastante por sua mais do que bem vinda experiência no estupendo Accept.
“Spirit Of The Night” e “Midnite Fantasy” é uma dobradinha que merece um espaço à parte. A primeira, quase metal, é de uma potência assombrosa. A segunda é o que chamo de exemplo perfeito de hard rock (a segunda geração do estilo, claro): riffs irresistíveis e melodias que conversam com o ouvinte embaladas num conjunto irretocável.
Apesar de obviamente clichê em vários pontos de sua sonoridade/letras/títulos, o Krokus eleva-se muito acima da média por não cair em pieguices insuportáveis. Suas (poucas) baladas não lhe farão passar vergonha, além de ter músicos criativos e cientes do que querem em seu line-up.
“Hellraiser” afasta-se de ser um mero exercício de saudosismo, mas, sobretudo, é uma obra que dá gosto apreciar em pleno 2007. Música de qualidade, que é o que importa. Ouça no máximo.
Site Oficial: www.krokusonline.com
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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