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Resenha - Gods Of War - Manowar

Como eu disse anteriormente ao resenhar o DVD “The Day The Earth Shook”, o Manowar está subvertendo todas as regras existentes sobre como lançar e divulgar um produto. Não bastasse levar quase cinco anos para lançar um CD (o último “Warriors Of The World foi de 2002 e “Louder Than Hell” de 1996), mesmo que a banda tenha se mantido na ativa com shows e outras atividades, os caras agora só querem saber de grandiosidade: edições luxuosas, singles que mais parecem CD’s de tão bem feitos (basta checar o EP “Sons Of Odin”, que antecedeu este novo “Gods Of War”) e um cuidado na divulgação de seus produtos meticuloso e detalhista. Os caras até criaram um selo próprio (Magic Circle Music, dirigido por Joey De Maio) para poderem ter total controle sobre sua obra. Não me entendam mal; para uma banda do porte do Manowar, que defende todos os clichês do metal e não abre mão deles (e nós adoramos...) isso é importante, mas a música precisa caminhar junto com a banda, e resta ver se “Gods Of War” justifica tamanha pompa. Importante citar que a edição limitada européia vem numa luxuosa embalagem com direito a “slipcase” metálico e um digibook, além de um DVD bônus com TUDO que você poderia querer saber sobre a gravação deste novo CD.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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De cara são 16 músicas (1 bônus em algumas edições). Isso já assusta os mais desavisados que estão acostumados a 10 ou 11 números nos CD’s normais do quarteto. Mas algo meio incômodo começa a encher o saco quando “Overture To The Hymn Of The Immortal Warriors” rola, seguida de “Ascension”: duas instrumentais, com 8 minutos de orquestras (aliás vale notar, muito bonitas), dando um clima épico que eu considero até exagerado. Poderia ser simplificado... “”King Of Kings” abre o CD com peso, teclados, e um Eric Adams voltando à boa forma. Faixa já conhecida (saiu como bônus no DVD “Hell On Earth IV”) não acrescenta muito, mas é de longe um bálsamo após tanto exagero, que volta a tona com a “intro” “Army Of The Dead, Part I”, que segue “Sleipnir”, um pouco diferente do padrão Manowar. Mais trabalhada, menos crua e com um Karl Logan bem mais inspirado do que de costume. “Loki God Of Fire” traz a crueza e a agressividade de volta, sendo uma música convincente. Mas a coisa cai por terra em “Blood Brothers”: exagerada, épica demais (Manowar não é Rhapsody!). Fica claro que o fato de fazerem um CD conceitual sobre Odin, o Deus da Guerra, não foi de todo bem sucedido.

Até chegarmos à faixa “Sons Of Odin” (uma das melhores), já passamos por mais duas instrumentais (“Overture To Odin” e “The Blood Of Odin”), com um clima soturno e sombrio, e Eric Adams usando tons graves em seus vocais.

Nesse momento você deve estar se perguntando: o que esse cara tem contra o CD? Na verdade falta pegada, falta força, falta heavy metal... o Manowar experimentou seu lado mais épico, com boas músicas isoladas, mas que juntas chegam a cansar a cabeça do ouvinte, mesmo que “Gods Of War” seja bonita e “Odin” seja épica e elegante. Repito o que disse anteriormente: as músicas isoladamente são muito legais, mas juntar tudo isso num CD com quase 75 min não funciona como deveria. Tanto que “Die For Metal” (a faixa bônus) acaba sendo o momento mais empolgante do CD. O Manowar nunca foi uma banda virtuosa, ou que se preocupasse com isso, e tal crueza e o discurso pró heavy metal sempre foi o que mais agradou na trajetória da banda. Logo, este “Gods Of War” soa pretensioso demais para Joey De Maio e cia. Poderiam ter experimentado com mais critério.

Um CD ruim? Não. Apenas falta Manowar, só isso. Quando eu digo que o Rhapsody foi a pior coisa que passou perto de Joey De Maio não estou inventando nada. Apenas cheque a similaridade entre este CD e qualquer obra da banda italiana.

Bom CD, mas fica devendo para quem já lançou CD’s fortes como “Louder Than Hell” e “Triumph Of Steel”.

Formação:
Joey De Maio – Baixo/Teclados
Eric Adams – Vocais
Scott Columbus – Bateria
Karl Logan – Guitarras

Faixas:
“Overture To The Hynn Of Immortal Warriors”
“The Ascension”
“King Of Kings”
“Army Of The Dead, Part I”
“Sleipnir”
“Loki God Of Fire”
“Blood Brothers”
“Overture To Odin”
“The Blood Of Odin”
“Sons Of Odin”
“Glory Majesty Unity”
“Gods Of War”
“Army Of The Dead, Part II”
“Odin”
“Hymn Of The Immortal Warriors”
“Die For Metal”

2007 – Hellion Records (NACIONAL)

Site Oficial: http://www.manowar.com

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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