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Resenha - Be - Pain of Salvation

É difícil encontrar hoje em dias trabalhos que possam ser considerados geniais ou obras-primas até pela abundância na quantidade de CDs, lançamentos e coisas do tipo. São dezenas de álbuns de cada estilo por mês, dos inaudíveis aos novos clássicos (minoria... de longe), mas parece que o Pain of Salvation conseguiu se sobressair. Em 2004, lançou o conceitual e megalomaníaco “BE”, uma verdadeira quebra nos padrões atuais.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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A característica principal é a complexidade que o mentor, chefão e líder, além de vocalista e guitarrista da banda sueca, conseguiu neste quinto álbum de estúdio. Não que a simplicidade não possa ter qualidade, afinal os Ramones foram famosos com seus três acordes, mas “BE” é rico exatamente na sua minuciosidade, complexidade e poder criativo, ao ponto de deixar para trás a barreira dos rótulos, mesmo que seja enquadrado no metal progressivo.

O conceito não deixa de trilhar este caminho, englobando um assunto “simples”: a existência de Deus e a humanidade. Daniel começou a trabalhar nisso ainda na década de 90 e, coincidência ou não, depois de começar a juntar as peças em 2003, passou a executar o trabalho na íntegra ao vivo, mesmo antes do lançamento, assim como o Pink Floyd fazia com seu “Dark Side of the Moon” — um dos maiores da história do rock progressivo.

E não se limitou a pensar, filosofar e com certeza quase fundir a cabeça num tema tão delicado. A participação dos fãs foi ativa, principalmente em “Vocari Dei”, onde eles puderam gravar mensagens na “Caixa Eletrônica de Deus”, o que tornou a faixa uma das mais emocionantes, pela sinceridade das frases. São pedidos ou anseios marcantes como “Eu só quero que você fale comigo” e “Dê uma boa olhada no que você criou”, ao som de uma peça de violões com uma orquestra.

Musicalmente um show de surpresas acontece, já que não é apenas o metal progressivo que aparece, mas trechos puxados para o gospel (“Nauticus”), outros mais pesados (“Diffidentia”) e até mais para as melodias celtas, como a bela “Imago”. É algo sempre envolvente, que parece trazer uma intimidade com o ouvinte. Isso sem citar a importante presença da “The Orchestra of Eternity”, que dá aquele toque especial e engrandece o trabalho.

Destaques para os vocais de Daniel e sua versatilidade em tudo, além dos teclados de Fredrik Hermansson, como na misteriosa “Pluvius Aestivus”, e do preciso baterista Johan Langell. Vale falar de faixas como as três partes da emotiva e grandiosa “Dea Pecuniae”, os órgãos em “Omni”, entre outras, além do trabalho gráfico. O encarte é bem trabalhado e a capa tem a simplicidade que o tema pede, apesar da complexidade de ser solucionado. Além disso, está envolto no conceito de que tudo surge da escuridão e, no fim, volta para ela.

O mais importante em “BE” é não o encarar como um simples CD de música, senão, é claro que as viagens de Daniel podem deixar qualquer um perdido. A intenção do ouvinte tem que ser entrar na filosofia da coisa, entender a mensagem e viver aquela entrega que algumas obras requerem.

Quem quiser entender um pouco mais da história toda e seu conceito, pode até ler a introdução no encarte do álbum, escrita pelo próprio Daniel, mas não espere nada de mão beijada, já que ele entrega a responsabilidade para o público tentar achar as respostas que também procura...

É assim, cheio de mistérios, mas com um som e uma temática bem bolados e de alta qualidade que o Pain of Salvation fez de “BE” algo genial, uma obra-prima mesmo. Fim? Não, já que agora Daniel e cia. resolveram filosofar de novo e criticar a cultura de massas no novo álbum, “Scarsick”. Melhor não perder... nenhum dos dois.

Site Oficial – http://www.painofsalvation.com

Formação:
Daniel Gildenlöw - vocal, guitarra e violões
Johan Hallgren - guitarra e vocal
Fredrik Hermansson - teclados
Kristoffer Gildenlöw - baixo
Johan Langell - bateria

Track list:
Prologue
01. Animae Partus

I. Animae Partus
(All in the Image of)
02. Deus Nova
03. Imago
04. Pluvius Aestivus

II. Machinassiah
(Of Gods & Slaves)
05. Lilium Cruentus
06. Nauticus
07. Dea Pecuniae
I) Mr. Money
II) Permanere
III) I Raise My Glass

III. Machinageddon
(Nemo Idoneus Aderat Qui Responderet)
08. Vocari Dei
09. Diffidentia
10. Nihil Morari

IV. Machinauticus
(Of the Ones With no Hope)
11. Latericius Valete
12. Omni
13. Iter Impius
14. Martius/Nauticus II

V. Deus Nova Mobile
(...and a God is Born)
15. Animae Partus II

Lançamento Hellion Records – nacional – 2004

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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