Qualquer avaliação sobre “Scarsick” há que ser muito cuidadosa. Até “Remedy Lane”, de 2002, o Pain Of Salvation conquistou uma reputação monstruosa e praticamente intocável dentro do cenário progressivo mundial. Superestimados ou não, fato é que os suecos davam motivos suficientes para isto.
Nota: 8 







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“Scarsick” aprofunda estes experimentos. O título, aliás, não poderia ser mais apropriado. Depois de tentar compreender o mundo na velha e inesgotável questão “como chegamos onde chegamos e nos tornamos o que somos agora”, Gildenlöw aparenta certa impaciência, certa revolta intelectual de mandar tudo às favas, como ele diz na letra de “Cribcaged”: “I'm sick of home control devices / Sick of sickening home designers / Sick the drugs that goes to street poles / Sick of homies, sick of posters / Despite the nodding staff that serves you / Despite the name on the clothes and perfume / Despite the way that press observes you / You're just people”.
Esta música, inclusive, é a mais normal da primeira metade, uma belíssima “balada trágica de pseudo-redenção”. E “Scarsick” é nitidamente divido em dois lados. O primeiro, até “Disco Queen”, é onde Daniel permite-se explorar e experimentar tudo que sua personalidade deseja. E aí encontramos hip-hop, dance music, rock, metal, funk, acústico, o diabo. Muito viva, neste lançamento em especial, a inspiração do cara em Mike Patton (ex-Faith No More, atual Fantomas), seja na musicalidade, nas letras e no senso de humor peculiar. É a face ainda mais anti-convencional de Gildenlöw. A partir de “Kingdom Of Loss” – uma das melhores – os habitués de progressivo e conhecedores do Pain Of Salvation já se sentirão em casa.
“Scarsick” não é de fácil deglutição. Exige várias audições atentas para que se chegue a uma conclusão razoável. Talvez, em termos sonoros, seja o mais ousado deles até agora. No estágio onde estão, o principal desafio do PoS é refinar essa junção de infindas influências (muito além das musicais) da forma mais azeitada e suculenta possível. Apesar da estranheza inicial que possa causar, “Scarsick” é um bom passo nesta direção.
Site Oficial: www.kingdomofloss.com
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Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.
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