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On An Island - David Gilmour

Por Ricardo Seelig | Em 19/12/06
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2006 foi um ano especial para os fãs do Pink Floyd. Não bastasse o lançamento (finalmente) do quase mítico “Pulse” em formato DVD por aqui, o ano que está terminando ainda reservou uma agradável surpresa: o novo álbum solo de David Gilmour.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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“On An Island”, como era de se esperar, segue o mesmo caminho dos dois últimos álbuns de estúdio do Floyd, “A Momentary Lapse Of Reason” e “The Division Bell”. A diferença é que, sem medo de exageros, soa muito mais coeso do que estes discos. Seja pela maturidade que David ostenta hoje, seja pelo enorme período sem lançar nada inédito, seja pela ausência da pressão que qualquer lançamento com a marca Pink Floyd possui, ou seja por uma união de todos estes fatores, o fato é que “On An Island” é um álbum refrescante, leve e, ainda que isso soe contraditório para alguns, com o estilo e padrão do Pink Floyd em seu DNA.

David Gilmour, que sempre possuiu uma voz muito melhor que a de seu algoz Roger Waters, está cantando melhor do que nunca. Suas linhas vocais mostram-se despretenciosas, e alcançam um resultado final que as faz soar como mais um instrumento. O bom gosto e a classe de um músico experiente, com anos de estrada, faz a diferença e marca presença em todo o disco. Além disso, Gilmour soube se cercar de nomes acima de qualquer discussão, como David Crosby, Graham Nash, Guy Pratt, o compadre Rick Wright e outros, o que elevou ainda mais a qualidade do trabalho.

O álbum abre com a instrumental “Castellorizon”, onde a tradicional e limpa guitarra de David já se apresenta. Ela desemboca na faixa título, prima distante de “Us And Them”, do mais do que clássico “Dark Side Of The Moon”. Com arranjos vocais esplendorosos (Crosby e Nash batem ponto nesta canção), já mostra o caminho que o trabalho irá seguir. “The Blue” vem a seguir, e seu clima tranquilo contrasta com a excelente “Take A Breath”, onde Gilmour toca a sua guitarra de forma mais agressiva. Música muito acima da média, “Take A Breath”, para quem gosta de analogias, é a união de “Learning To Fly” de “A Momentary Lapse Of Reason” com “Take It Back” de “The Division Bell”. É uma canção forte, que não faria feio se fosse lançada como single.

Seguindo, a climática “Red Sky At Night” nos leva de volta, mais uma vez, ao “Dark Side Of The Moon”, e introduz o blues “This Heaven”, onde o talento de Gilmour e de toda a banda fica evidente. “This Heaven” é outro dos grandes destaques de “On An Island”.

A bela acústica “Smile” apresenta um David contemplativo, que em certos momentos lembra Paul McCartney. Fechando o álbum, salta aos ouvidos a linda voz de Gilmour em “The Pocketful Of Stones” e a despretenção de “Where We Start”.

Selando o pacote com chave de ouro, o álbum vem em um belíssimo digibook com capa dura e excelente encarte, em um conjunto que merece destaque na coleção de todo bom colecionador de música.

“On An Island” pode até não ser o álbum que os fãs do Pink Floyd estão esperando há décadas (alguém aí falou em Gilmour e Waters juntos novamente?), mas o nível de qualidade que David Gilmour conseguiu alcançar nele o coloca, sem dúvida alguma, entre os principais lançamentos deste ano que está indo embora.

Excelente. Indico e assino embaixo.

Faixas:
1. Castellorizon
2. On An Island
3. The Blue
4. Take A Breath
5. Red Sky At Night
6. This Heaven
7. Then I Close My Eyes
8. Smile
9. A Pocketful Of Stones
10. Where We Start

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig colabora com o Whiplash desde 2005. É o editor do blog Collector´s Room, um dos mais lidos do Brasil, e colaborador da revista poeira Zine.

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