"Eu também gostaria de agradecer a todos os fãs de música inteligentes e de cabeça aberta, que deixam os músicos serem livres e verdadeiros e não se tornam xiitas contra a criatividade e nem inimigos da liberdade musical. Infelizmente, vocês se tornaram um tipo muito raro hoje em dia, mas estou aguardando ansioso o seu retorno". O trecho, extraído na íntegra do encarte de “Kiske”, novo CD solo do vocalista Michael Kiske, já dá uma dimensão do que se pode esperar do álbum. Não espere obviedades. E esqueça o heavy metal da época do frontman à frente do Helloween e mesmo o hard rock energético de projetos como SupaRed e o fantástico Place Vendome. A surpresa pode decepcionar a muitos - mas pode agradar em cheio outro quinhão. Como este que vos escreve.
Nota: 9 








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Em um tipo de trabalho no qual não estamos acostumados a ouvi-lo, Kiske mostra versatilidade a toda prova. O alcance vocal irrepreensível pode ser facilmente detectado em “All-Solutions”, mas definitivamente a coisa toda não se resume a um concurso de quem alcança a nota mais alta. Na bonitinha “Hearts Are Free”, ele faz um gostoso dueto quase sussurrado com sua parceira costumeira Corinna Wolke, inimaginável há cerca de uma década. Já em “Sing My Song”, somos apresentados à música que o Oasis sempre quis fazer, mas nunca conseguiu (damn, those Gallagher bastards!). E as melhores passagens da bolacha, “The King of It All” e “Truly”, remetem sem fronteiras aos sons mais bacanas do R.E.M.. Dá pra imaginar? Acredite: dá.
Álbum extremamente pessoal e autoral, talvez o disco mais importante e emblemático da carreira do músico, "Kiske" é quase religioso, messiânico até, e fala nas entrelinhas sobre a sua atual situação musical e criativa, desiludido com a falta de inovação da cena do rock pesado e com as constantes cobranças dos fãs puristas que querem vê-lo tocando o metal do tipo Helloween pelo resto da vida. A resposta veio a cavalo, em uma obra inteiramente composta, produzida e mixada pelo próprio Kiske. Como exemplo, que tal este trecho de Kings-Fall:
"Can get a long way to the top / If you don't wanna rock 'n' roll / the party just don't stop / and all their beats won't go / I can breathe on my own / there's no need to pitch along / here's my breed, a silent tone / and I please no one, no!"
Sutil e muito significativo, hã?
Vejam só, quem iria imaginar que o sujeito que embalou a minha adolescência aos gritos de “I Want Out” iria fazer o disco de rock mais bonitinho do ano?
Line-up:
Michael Kiske - Vocal e Guitarra
Sandro Giampietro - Guitarra
Fontaine Burnett - Baixo
Karsten Nagel - Bateria
Tracklist:
1. Fed by Stones
2. All-Solutions
3. Knew I Would
4. Kings-Fall
5. Hearts Are Free
6. The King of It All
7. Sing My Song
8. Silently Craving
9. Truly
10. Painted
11. Sad as the World
Gravadora:
Hellion Records
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Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.
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