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Resenha - Sam's Town - Killers

Dizem que se manter jovem é uma questão espírito, de atitude, de postura perante a vida e ao mundo. Pois no seu segundo álbum, Sam’s Town, a turma do The Killers evidencia que a velhice também é fruto de um estado quase paranóico do ser humano, que percebe a juventude lá longe como o último trem que partiu da estação que para sempre será desativada.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Do alto de seus vinte e tantos anos, os integrantes do The Killers dão um passo maior que a perna, buscando no segundo álbum algo que se espera de bandas com estrada, com idade. O clima de festa, daquele reciclado em baladas “bim-bim” de patricinhas e mauricinhos, é substituído pelo flerte com a ópera-rock, aquele estilo consagrado na mão de gente com muito tempo de vida. O título do single When You Were Young é sintomático.

Não tem mais “Somebody Told Me.” Para o Killers, ser velho é ser relutante, e as canções vêm quase todas com o freio de mão puxado. Não tem loucura. Não tem entrega. Sobraram as tentativas de baixo dançante e de batidas cadenciadas em “Where the White Boys Dance” e em “All the Pretty Faces,” que por coincidência, ou não, estão incluídas no disco como músicas bônus.

Por mais que tentem aparentar que a tenra idade se dissipou com bigodes que poderiam fazer parte do movimento gay da San Francisco dos anos 70, os sons e a produção do disco transparecem que eles são meninos querendo brincar de gente grande. Os sons do teclado e os coros que infestam diversos momentos do álbum deixam um ar cafona, brega, ao melhor estilo amante latino-americano. “Sam’s Town,” a música que abre o disco, soa como música de vitrine de loja de departamento. “Veja a promoção da nossa coleção outono-inverno.” Bola fora.

Outrossim, introduzir piano aspirando ser Elton John em 1976 ou Freddy Mercury em 1981 sem a bagagem necessária faz apenas o The Killers soar como uma bela banda de churrascaria, com direito a teclado Cássio e tudo mais.“Why Do I Keep Counting” e “Exilitude,” que tem o refrão apresentando logo no começo do disco como “Enterlude,” é material que ficaria mais adequado num disco das Meninas Cantoras de Petrópolis.

O que salva o The Killers é que apesar da pompa e do enfado, seu vocalista, Brandon Flowers, tem o dom para melodias que grudam. “When You Were Young,” de fato a melhor do disco, e “Bling (Confessions of a King),” canção que certamente fará sucesso na comunidade gay, são lampejos da criança que ainda habita o interior da carranca bigoduda do vocalista.

Após ouvir esse disco é impossível não lembrar do Chaves e sua turma cantando aquela música que dizia “Se você é jovem ainda, amanhã velho será...”

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Sobre Bruno Romani

Nascido em São José dos Campos, terra de milicos, aviões, cientistas e nerds em geral, sacou aos 13 anos que números são pouco amistosos. Fugiu para a Califórnia, onde muito aprontou: montou a banda Apside, escreveu para inúmeros sites e jornais e formou-se em jornalismo pela UC Berkeley. Passa os seus dias dividido entre a procura por um lugar na grande mídia gringa e festas universitárias americanas regadas a muita mulher com pouca roupa.

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